Yoani Sánchez também luta por nós

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Yoani Sánchez também luta por nósPor Maya Felix

Causou agitação em nosso país, esta semana, a chegada de Yoani Sánchez, a blogueira cubana que, apesar de toda a repressão, divulga para o mundo as constantes agressões que o governo de seu país perpetra contra todos os que ousam discordar da ordem vigente, uma ditadura socialista que vigora na ilha há mais de 50 anos.

Militantes de partidos de esquerda, como o PC do B e o PT, não só a recepcionaram de modo hostil, em Recife, como impediram a exibição de um filme de que a blogueira participa. Eles também não deixaram que Yoani se manifestasse: ela foi impedida de falar em Recife, na Bahia e em São Paulo, no lançamento de seu livro, que deveria contar com um debate. Os manifestantes fizeram isso para defender o regime cubano, que, em nome da revolução socialista, já mandou para campos de concentração, prisões e afins mais de cem mil pessoas. Segundo O livro negro do comunismo (2000), extensa obra de historiadores franceses, de 15 a 17 mil pessoas foram fuziladas em Cuba. Em 1978, havia entre 15 e 20 mil presos políticos. Segundo a Anistia Internacional, em 1997 havia em Cuba entre 980 e 2.500 presos que haviam cometido “delitos de opinião”. Ou seja: para ser preso, em Cuba, é necessário apenas discordar do governo.

E o que nós, evangélicos, temos a ver com isso? Para começar, devemos nos opor a toda ditadura, a todo regime totalitário – como os governos comunistas. Segundo Tzvetan Todorov, em Le siècle des totalitarismes (2010), o comunismo é uma “religião secular”, que “compartilha com certas religiões tradicionais […] a crença de que a história da humanidade segue seu curso imutável”. No final deste “curso imutável” está “o desaparecimento de toda diferença entre grupos humanos”, razão pela qual é necessário “abolir a propriedade privada e concentrar todos os instrumentos de produção nas mãos do Estado”. A eliminação dos inimigos da classe trabalhadora é, então, fundamental. Segundo Karl Marx e Friedrich Engels, os pais das teorias comunistas, entre esses inimigos estariam, além da burguesia, a religião – para eles, mero instrumento de dominação do Estado capitalista.

Muitos cristãos são impedidos de praticar livremente sua crença, em Cuba. O país sempre esteve na classificação de países por perseguição da Missão Portas Abertas. Neste ano, sobretudo em virtude da pressão internacional e da “estratégia” dos Irmãos Castro para “abrir” a Ilha e salvá-la da falência, atraindo turistas, o país deixou de fazer parte da classificação. Mas as violações e perseguições aos cristãos continuam! Em junho de 2012, líderes da Igreja em Cuba solicitaram aos Governo dos EUA que incluísse o país na lista dos que mais violam a liberdade religiosa no mundo. Segundo o site da Missão Portas Abertas, o número de incidentes contra cristãos vem crescendo. Pastores têm sido presos, multados e proibidos de pregar o Evangelho. Membros de igrejas têm sido perseguidos e impedidos de se reunir. Igrejas têm sido paulatinamente fechadas. A liberdade de expressão é constantemente golpeada. Outro país comunista, a Coreia do Norte, é o número um na classificação de países por perseguição aos cristãos. O comunismo, em todo o mundo, perseguiu e matou milhões de cristãos, entre os cerca de 150 milhões de vítimas dos regimes comunistas. De acordo com as estatísticas de martírio elaboradas pela Universidade Gordon Conwell, dos EUA, com base em uma pesquisa que durou 30 anos para ser finalizada, os regimes comunistas são responsáveis pela morte de 31,6 milhões de cristãos em todo o mundo. Para os Estados comunistas, cristãos são inimigos do socialismo e a religião é o “ópio do povo”.

Quando Yoani Sánchez chama a atenção para o fato de que em Cuba não há liberdade de opinião, ela também está falando por nós, cristãos. Sem a autorização do Governo cubano, igrejas não podem funcionar. Se alguma desagrada o Governo, por qualquer motivo, pode ser fechada sem aviso. A luta pela liberdade em Cuba tem muito a ver conosco. São nossos irmãos, lá, que estão constantemente ameaçados. É o corpo de Cristo em Cuba que não pode evangelizar, nem se reunir, nem festejar suas datas sagradas. Como diz reportagem publicada no site da Missão Portas Abertas, “todas as questões religiosas são tratadas pelo Gabinete de Assuntos religiosos do Comitê Central do partido Comunista Cubano”, e não por canais judiciais, como ocorre em uma democracia. Com isso, “grupos e líderes religiosos” se tornam vulneráveis ao abuso e ao descaso, sem ter o que fazer em relação às decisões tomadas pelo PCC.

O regime de Fidel Castro cala, subjuga, persegue, tortura e mata cristãos, ainda hoje. A luta pela liberdade de expressão em Cuba não é apenas de Yoani Sánchez: é de todos nós.

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FONTES:

COURTOIS, S. et al. Le livre noir du communisme: Crimes, terreur, répression. Paris: Ed. Robert Laffont, 1997.

TODOROV, T. Le siècle des totalitarismes. Paris: Ed. Robert Laffont, 2010.

Site da Missão Portas Abertas

Publicado originalmente no site União de Blogueiros Evangélicos

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