Por um Ano Novo menos mágico e mais humano
Feliz Ano Novo! | Foto: Pixabay

Se alguém ousar perguntar, não levará muito tempo para descobrir que não há nada por trás das cortinas.

Não resta muito para soltarmos o grito de “Feliz Ano Novo”. Uma tradicional declaração que salta como serpentina de nossas cordas vocais assim que a contagem regressiva para virada de ano atinge meia-noite. Então, passamos ao rito cultural mais mágico já inventado, passamos a nos cumprimentar e desejar uns aos outros uma série de kits de felicidade contendo uma penca de bênçãos divinas como: saúde, alegria, paz, realizações, dinheiro e o que mais estiver ocupando nossa mente no momento.

É de se duvidar que alguém em meio a abraços e sons de foguetes, pare e pergunte a si mesmo o que todas aquelas palavras realmente significam. Raramente paramos para pensar no real significado de nossas ações, até porque isso dá um trabalho danado. Mas se algum curioso ousar perguntar, não levará muito tempo para descobrir que não há nada por trás das cortinas, todas aquelas palavras são apenas isso mesmo: palavras.

Desejamos Felicidades, só não moveremos um dedo para tornar o dia de alguém feliz. Desejamos Alegrias, mas faremos de tudo para evitar pessoas em tristeza e assim nos esquivamos do trabalho que é tentar amenizar suas tristezas. Igualmente desejamos Saúde, desde que não precisem de nós para socorrer alguém no meio da noite ou em pleno feriado e levar para o hospital.

Desejamos Dinheiro. Mas que ninguém peça que usemos da nossa abundância para suprir a falta dos que atravessam tempos de escassez. Da mesma forma o Sucesso, desde que não nos ultrapassem na escala quantitativa de bens e passem na nossa porta com um carro melhor que o nosso. Também desejamos a Sorte. Claro, queremos que haja muita sorte na vida de qualquer que seja; desde que…  a “aposta” não seja contra nós.

Desejamos que as preces de todos sejam atendidas, só não queremos que nós ou algo que temos seja a resposta de oração das necessidades deles. Tudo o que desejamos para as pessoas é sempre daquilo que não nos custa ou nos custará. Pois se tivesse um preço, não diríamos nada. Pronunciamos essas declarações mágicas como um jeito educado e simpático de nos livrar de qualquer compromisso e responsabilidade de materializar o que estamos desejando.

Portanto, ao invés de um irrefletido ritual vazio declarando palavras mágicas para todos, podemos ser parte do Novo no ano que chega para cada um. Nos oferecendo como a saúde em dias de enfermidade. Sendo a dose de alegria em dias tristes. Um alívio em dias de dor. Um pouco de sorte em dias ruins, e tudo o mais que as circunstâncias pedirem que sejamos.

Por isso, deixo a sugestão de uma pequena alteração. Que tal adicionar ao mágico, abstrato e genérico “Feliz Ano Novo”, um concreto, sincero e humano “Conte Comigo”?


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