Pastores do Espírito Santo se posicionam sobre a polêmica da ‘União Estável’, em possível debate na AGO da CGADB em Belém (PA)
Pastores do Espírito Santo se posicionam sobre a polêmica da ‘União Estável’, em possível debate na AGO da CGADB em Belém (PA) / Foto: Seara News

Pastores não são unânimes quanto à proposta de aprovação da união estável pela Assembleia de Deus.

Por Paulo Pontes

A tentativa de aprovar o reconhecimento da união estável no ambiente assembleiano é uma realidade entre os pastores filiados à Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil – CGADB, e vem ganhando cada vez mais apoiadores, ainda que nos bastidores. Embora, o assunto já tenha sido debatido em outras AGO’s, não teve o acolhimento dos convencionais.

As opiniões são divergentes. Uma parte dos líderes entende o reconhecimento da união estável pela instituição como um avanço social, e adequação à Constituição Federal, e se baseiam no artigo 226 que reconhece a união estável entre homem e mulher:

          Art. 226. A família, base da sociedade, tem especial proteção do Estado

          § 3º. Para efeito da proteção do Estado, é reconhecida a união estável entre o homem e a mulher como entidade familiar, devendo a lei facilitar sua conversão em casamento.

A outra parte, que reúne os pastores mais conservadores da denominação, considera o reconhecimento da união estável como um grave desrespeito à doutrina bíblica.

Leia também: CGADB pode reconhecer união estável durante AGO em Belém (PA)

O que dizem os pastores do ES

Seara News procurou saber a opinião dos pastores líderes das Convenções instaladas em solo capixaba, a maioria preferiu o silêncio, mas alguns manifestaram seus posicionamentos.

Primeiro ouvimos a opinião de um pastor em sua igreja local e em seguida, dois presidentes de Convenção.

Pastor Ezequias Soares, AD Sta. Bárbara

O pastor Ezequias Soares, líder da Assembleia de Deus em Santa Bárbara, Cariacica (ES), nos informou que, como pastor e presidente de uma igreja local, sua opinião é contra à aprovação do reconhecimento da União estável, pois considera o assunto como antibíblico.

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Pastor Ezequias Soares, líder da Assembleia de Deus em Santa Bárbara, Cariacica-ES (Foto: Paulo Pontes / Seara News)

“Primeiramente, eu acho que não haverá possibilidade de ser reconhecido, haverá, sim, a possibilidade de se colocar, como já colocaram no temário para ser discutido. Eu creio que a maioria absoluta dos convencionais é contra. Penso que essa maioria é contra, e não acredito que seja aprovado.

No meu ponto de vista, nem deveria chegar ao temário. É um assunto antibíblico, gravíssimo, que nem no temário deveria estar. Mas, como há liberdade de se colocar no temário, aceita-se, ou melhor, não se aceita, se permite, porém, eu sou contra. Nós criticamos muito uma outra denominação por batizar pessoas amigadas, e nós vamos fazer a mesma coisa? Onde ficam as nossas pregações? E onde fica a Bíblia? Essa é minha posição”, disse o pastor Ezequias Soares, ao Seara News.

Leia também: Pastor Mário Souza: ‘União Estável’ compromete a salvação e não substitui o Casamento

Pastor Dionísio Alves, presidente em exercício da Cadeeso

A Convenção das Assembleias de Deus no Estado do Espírito Santo – CADEESO, em reunião da Mesa Diretora, na quinta-feira (21), se declarou sua posição em relação ao tema: ‘reconhecimento da união estável’, que poderá ser debatido novamente pelos ministros da CGADB durante a AGO em Belém (PA), nos dias 8 a 12 de abril/2019. A Cadeeso é a maior convenção da denominação no estado, fundada em 1959 e conta com mais de 4 mil pastores e evangelistas.

O presidente da CADEESO, pastor Arnaldo Candeias se recupera em casa, após passar um período internado tratando da saúde. Entretanto, o presidente em exercício, pastor Dionísio Alves da Silva (1º vice-presidente) falou ao Seara News que a Cadeeso é terminantemente contrária à aprovação ao reconhecimento da união estável, porque além de não substituir o casamento, uma pessoa pode estar casada, permanecer casada, e ainda assumir um compromisso estável com outra. Disse ainda, que se houver possibilidade e, se for necessário, a Cadeeso vai declarar seu posicionamento no plenário da AGO em Belém (PA).

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Pastor Dionísio Alves da Silva, 1º vice-presidente da CADEESO (Foto: Paulo Pontes / Seara News)

“A instituição que representamos não é favorável, e se porventura a Convenção Geral juntamente com as demais convenções estaduais decidirem pela aceitação, nós permaneceremos com o nosso posicionamento. Isso não vai impedir o nosso relacionamento interconvencional. Vamos respeitar! Temos muita alegria e satisfação de sermos uma convenção filiada à CGADB, mas temos nosso conceito próprio sobre o que pensamos e queremos. No campo das ideias, somos independentes.

A CADEESO tem sua independência de opinião, e entende que a união estável não vai agregar valor para o segmento da nossa denominação, pelo contrário, ela fere princípios éticos da nossa da instituição.

Essa aprovação, se acontecer, pode abrir um precedente até para a união de pessoas do mesmo sexo, e não podemos abrir esse precedente por questão bíblica. Nós faremos tudo para cumprir a Bíblia em sua íntegra.

A pessoa separada continua legalmente casada, apesar de poder assumir compromisso de um relacionamento com uma outra pessoa. A união estável não anula esse casamento.

Em resumo, a CADEESO se posiciona terminantemente contra a aprovação do reconhecimento da união estável pela CGADB. Não abrimos mão dos valores que foram adquiridos pela Assembleia de Deus lá no princípio, quando ela começou. Os anos se passaram, mas nós continuamos até hoje defendendo.

Tudo quanto possa vir, ideias novas que possam valorizar a igreja, estamos juntos, contem conosco, vamos abraçar. Mas, a união estável não agrega nenhum valor, nem para a CADEESO e nem para qualquer igreja evangélica, apenas vai trazer mais problema, além dos que já existem”, comentou o pastor Dionísio Alves.

Pastor João Manoel Rodrigues, presidente da CEADES

Na opinião do pastor João Manoel Rodrigues, presidente da Convenção de Pastores e Evangelistas das Assembleias de Deus do Estado do Espírito Santo – CEADES, o assunto deve ser resolvido com bom senso, no contexto de cada igreja local, após análise de cada caso. 

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Pastor João Manoel Rodrigues, presidente da Convenção de Pastores e Evangelistas das Assembleias de Deus do Estado do Espírito Santo – CEADES (Foto: Joel Freire / Seara News)

“Essa questão foi debatida na última AGE, com argumentos bem fundamentados dos dois lados, contra, e a favor. É um assunto realmente complexo.

A minha posição é a que foi colocada na época, pelo presidente, até porque não ficou resolvido. O assunto não foi encerrado ali, mas ficou uma sugestão que, particularmente, considero boa, deixando cada igreja livre para tratar da situação de acordo com a necessidade da igreja local.

Lembro a fala de um pastor, líder de uma igreja na região amazônica, composta também por indígenas, que disse: ‘Eles são casados de acordo com a lei da tribo, e é um casamento sério, honesto, respeitado e fundamentado. E em respeito ao casamento deles não vou tirá-los de lá, levando-os até à cidade para efetivar o casamento segundo a lei aqui. Considero eles casados, são membros da igreja, batizados e participam da ceia. São crentes, não tem o casamento no cartório, mas dentro da lei deles são casados, e respeito’.

Tem casos que realmente são necessários, mas, há outros em que as pessoas fazem a opção por esse recurso, porém que não justifica.

Minha posição é deixar na responsabilidade de cada igreja cuidar, analisando cuidadosamente, observando a necessidade, o problema da pensão e da aposentadoria que se a pessoa contrair matrimônio perde o benefício. Se casar e perder esse benefício, e o novo cônjuge falecer, o viúvo ou a viúva fica sem nada. Então, esse é um caso que merece análise e reflexão. Por isso, defendo que se deixe para que cada igreja decida e use o bom senso. Minha posição é nem autorizar e nem proibir, mas deixar cada igreja resolver dentro do seu contexto”, explicou o pastor.

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4 COMENTÁRIOS

  1. Quando se fala sobre respaldo bíblico, nós incorremos em um erro comum entre nós líderes, que é falar sobre a bíblia sobre um assunto, que na realidade existem vários textos que põem por terra algumas de nossas convicções
    O cartório tem poder para casar, descasar (divórcio), registrar nascimento, registrar falecimento e muito mais, e este poder quem deu fomos nós mesmos. Então uma União estável tem poder de casamento e quanto a assegurar o relacionamento com Deus, o que faz isso é a nossa vida e comportamento perante Deus e a sociedade, não uma certidão de casamento, por isso eu não vejo como que se para ter um relacionamento espiritual com Deus haja a necessidade de uma certidão, pois a união estável está mais que comprovada que pode ser aceita sim….

  2. sim, a Igreja, como organismo vivo e corpo de Cristo, que é o nosso cabeça, deve se atualizar e acompanhar a evolução social, porém jamais deve dar lugar ao mundo, em suas entranhas… somos e deveremos ser sempre o legítimo e único modelo para a sociedade e o mundo, nunca o contrário… sejamos firmes à sã doutrina e que o Senhor estenda Sua poderosa Mão sobre nós e derrame da sua infinita misericórdia, para discernirmos entre a influência do Espírito Santo e a violência do espírito do anti cristo, que dia após dia tenta arrombar as portas da noiva de Cristo.

  3. Fiquei chocado com um dos entrevistados dizendo que cada igreja resolva internamente esse assunto. A palavra do pastor local vai valer mais do que a Bíblia, se o mesmo for a favor da união estável,
    (sendo a bíblia contra) tal coisa?

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