A história das Assembleias de Deus no Espírito Santo teve seu ponto de partida em 1922, quando os primeiros crentes pentecostais, Francisco Galdino Sobrinho e sua esposa, chegaram a Vitória. Dois anos depois, desembarcou em solo espírito-santense o missionário escandinavo Daniel Berg, com o objetivo de fundar uma igreja evangélica em terras capixabas. Ele dirigiu os primeiros cultos na Rua Santo Antônio.
Daniel Berg realizava um trabalho de evangelização, visitando famílias durante o dia e convidando-as para os cultos à noite. Depois de alguns meses, mesmo sem informações oficiais sobre seu trabalho, sabe-se que o missionário deixou uma base evangelística estabelecida.
Em 1925, José Vicente Ferreira viajou de Pernambuco para Vitória, capital do Espírito Santo, a pedido de Daniel Berg, que, preocupado com o pequeno número de cristãos residentes na região, solicitou auxílio. Ao chegar à cidade, José Vicente encontrou apenas o irmão Galdino como crente pentecostal; os demais eram batistas. Com esses, iniciou um trabalho de evangelização. Em 1927, chegaram a Vitória sete evangélicos provenientes da Assembleia de Deus em Aracaju, Sergipe. Eles se juntaram aos demais e deram continuidade ao trabalho evangelístico, resultando na conversão de muitas pessoas.
Com o crescente número de novos convertidos, surgiu a necessidade de assistência espiritual e da abertura de uma igreja local, pois os irmãos se reuniam em residências, como na casa do irmão João Pinheiro, em Jucutuquara, e da irmã Francisca Barros, em Santa Lúcia.
Foi então que José Vicente Ferreira escreveu a Daniel Berg solicitando o envio de um pastor para organizar o trabalho. Atendendo ao pedido da igreja, foi enviado à cidade de Vitória, em 9 de maio de 1930, o pastor João Pedro da Silva. Nessa data, mais de 30 pessoas, entre crentes e simpatizantes do evangelho, se reuniram. Aos 34 anos, o pastor João Pedro iniciou seu trabalho em solo capixaba, munido de fé e coragem, dando continuidade à evangelização já iniciada.
Estabeleceram-se cultos no centro da cidade, em Santo Antônio, Vila Rubim, Praça Costa Pereira e Aribiri, em Vila Velha. O primeiro batismo em águas foi celebrado em 8 de junho de 1930. Essa data foi registrada na obra História das Assembleias de Deus no Brasil, compilada por Emílio Conde, como o início da obra pentecostal no Espírito Santo e a provável data de fundação da igreja no estado, sob a liderança de João Pedro da Silva.
A Assembleia de Deus no Espírito Santo teve início com os seguintes irmãos: Francisco Galdino Sobrinho, Leopoldina da Costa Sobrinho, João Toscano de Brito, Maria de Oliveira, Manoel Tibúrcio, José Martins, Antônio Gabriel, Francisco Faustino, Josefa Faustino, Maria Raimundo, Nair Raimundo, Joaquim Galdino, Pulcina da Conceição, Ibiapino Luiz e esposa, Cândido Dias da Hora, Maria dos Anjos da Hora, Madalena dos Anjos Mota, José Mota, Maria Hora, Vitor Hora, Abraão e esposa, Adalberto Pacote, Aquino Deodoro, José Vicente Ferreira, Manoel Cocino, Fabiano e esposa, José Pedro, Antônio da Barra e esposa, Pedro da Silva e esposa, Francisco Santana e esposa, Maria Santana, Ormandina Silva e outros. Com a expansão do trabalho, igrejas foram organizadas nos bairros Santa Lúcia, Jucutuquara, Pedreiras, Ataídes e Areal, culminando com a sede no bairro Aribiri, em Vila Velha-ES.
A igreja em Aribiri tornou-se a sede de todo o ministério das Assembleias de Deus no Espírito Santo. Todas as igrejas fundadas eram filiadas à Assembleia de Deus de Aribiri, que foi inaugurada na Rua São Luiz, nº 211.
A doutrina pentecostal expandiu-se para o interior do estado. Em dezembro de 1933, ultrapassou a fronteira do Espírito Santo, quando uma congregação foi instalada no Vale da Anta, município de Resplendor-MG, de onde se espalhou por todo o Vale do Rio Doce, em Minas Gerais.
Expansão para a região sul do Espírito Santo
Foi também no ano de 1933 que um irmão de Alto Limoeiro, distrito de Itaperuna, chamado Severiano Rodrigues de Souza, ao se hospedar em uma pensão em Vitória, avistou um pequeno grupo de crentes pregando e cantando em um culto na Praça Costa Pereira. Severiano, que era batista, notou uma diferença na liturgia daquele culto, pois nunca havia participado de uma celebração tão fervorosa, intercalada com brados de “Glória a Deus” e “Aleluia”, além do grande “barulho” de irmãos que falavam em línguas desconhecidas. Severiano foi testemunha ocular das maravilhas que Deus operava, como curas divinas, batismo com o Espírito Santo e a manifestação dos dons espirituais. No final do culto, os participantes despediram-se com a saudação “A paz do Senhor” e distribuíram o jornal Mensageiro da Paz. Mais tarde, o jornal foi levado para Itaperuna e lido com muito interesse pelo dirigente da Congregação Batista, o irmão Camilo Peclat.
Após viver uma profunda experiência de renovo espiritual, Camilo começou a dar ênfase à doutrina pentecostal e, por isso, foi afastado da igreja batista. Precisando de apoio para a nova congregação pentecostal, ele foi até Vitória juntamente com Severiano, a fim de conhecer melhor a Assembleia de Deus Pentecostal — como era chamado o trabalho na época —, que era dirigida pelo pastor João Pedro da Silva. Eles foram recepcionados com uma calorosa acolhida. Tempos depois, foram designados dirigentes da nova Congregação Pentecostal de Limoeiro.
Assim, a obra de Cristo ficou bem estabelecida na capital capixaba. Muitas conversões e batismos foram realizados. O relato foi enviado pelo pastor João Pedro e publicado no Mensageiro da Paz em 15 de outubro de 1931: “No mês de junho, batizei nas águas 27 novos convertidos e, em agosto, igual número”.
Depois de tantas lutas pela evangelização, o pastor João Pedro da Silva cumpriu sua missão na terra. Durante uma de suas últimas viagens pelo interior do estado, ao regressar da localidade de Una Grande, município de Santa Leopoldina, após a celebração de um culto, ele foi acometido de uma grave pneumonia, que o deixou agonizante durante 45 dias. Sem meios de cura, faleceu no dia 17 de maio de 1935, após cinco anos de dedicação e eficiência ministerial na obra do Senhor, deixando uma igreja com mais de 1.110 membros ativos no estado.
Após a morte do pastor João Pedro da Silva, houve substituições sucessivas pelos pastores Joaquim Moreira Costa de Araújo, Tales Caldas, Eugênio de Oliveira e José Menezes. No ano de 1941, assumiu a direção da igreja o pastor Belarmino Pedro Ramos, sendo ele o responsável pelo registro da igreja, concedendo-lhe personalidade jurídica em outubro de 1943. Desde então, o testemunho da obra pentecostal alcançou outras cidades do interior do estado, com excelentes resultados. O pastor Belarmino permaneceu à frente da igreja até 8 de agosto de 1944.
Cidades alcançadas
FUNDÃO
O Movimento Pentecostal chegou ao município de Fundão no ano de 1934. As boas-novas foram introduzidas pelos próprios habitantes, que assistiram a um culto em Timbuí, ficaram tão maravilhados que resolveram anunciar à cidade a nova mensagem. Alguns meses depois, já havia um bom número de interessados e, mais tarde, a pedido desses novos crentes, a igreja em Vitória enviou João Ferreira com a responsabilidade de prestar assistência espiritual a esses recém-convertidos.
Em abril de 1938, os crentes edificaram um pequeno templo em um terreno doado por Manoel Costa. O trabalho cresceu tanto que foi necessária a construção de um templo maior e melhor localizado. Assim, no dia 6 de setembro de 1941, inaugurou-se o primeiro templo sede, com a presença de Samuel Nyström, Belarmino Pedro Ramos e Eugênio de Oliveira.
A Assembleia de Deus em Fundão tornou-se um marco na evangelização das cidades do norte do estado — João Neiva, Colatina, Linhares e Serra — por meio do pastor Antônio de Brito, Getúlio Pimentel Loureiro e pastor Esmeraldo Gomes, que foram empossados em Fundão pelo pastor Joaquim Moreira da Costa, conforme registrado em ata da época, datada de 08/12/1935.
CARIACICA
Em 1936, na residência do irmão Francisco Santana, iniciou-se a obra em Itacibá, no município de Cariacica-ES. A primeira congregação foi organizada ao lado dos prédios no bairro de Itanguá. O primeiro dirigente do pequeno salão foi Francisco Martins de Paula, conhecido como Chico Ovídio. Posteriormente, a congregação passou para a casa do irmão Rufino de Lima e, mais tarde, para a Rua Manoel Joaquim dos Santos, em Itacibá.
Pastor Manoel Souza Filho
Quando se fala na Assembleia de Deus em Itacibá, vem à lembrança o saudoso pastor Manoel de Souza Filho. Batizado nas águas pelo pastor Joaquim Moreira em 27 de outubro de 1938 e ordenado em 6 de agosto de 1954, ele entrou para a história das Assembleias de Deus como um dos fundadores da CADEESO. Seu registro na convenção era o de nº 002.
Além de pastor, era construtor e contribuiu para a edificação de vários templos das Assembleias de Deus, entre eles os de Aribiri, São Torquato, Serra, Cachoeiro e Itacibá. Em março de 1964, foi designado para pastorear a AD em Itacibá. Naquela época, surgiam também, no município de Cariacica, congregações da AD nos bairros de Campo Grande, Alto Lage, Santana de Cima, Porto de Santana, Flexal, Nova Brasília, entre outros, todas sob a presidência do pastor Souza Filho.
Ele também foi o fundador da obra social Pastor João Pedro da Silva, cujo título homenageia o fundador da Assembleia de Deus no Espírito Santo. Mais tarde, a instituição tornou-se a Escola de 1º e 2º Graus “João Pedro da Silva”, localizada em Porto de Santana.
Formado em Filosofia, História e Teologia, exerceu a função de 1º vice-presidente da CADEESO de 1966 a 1990. Pai de 23 filhos, dedicou sua vida inteira à família e à igreja, exercendo 64 anos de ministério na conquista de almas para o Reino de Deus. Partiu para estar com o Senhor no dia 15 de fevereiro de 2002.
Outros registros da história
Vale registrar, ainda, os valorosos servos de Deus que deram importante avanço a esta obra: os pastores Eugênio Joaquim de Oliveira, Firmino, Tales Caldas, José Menezes, Waldomiro Martins Ferreira e outros.
Waldomiro Martins Ferreira foi enviado pelo missionário Samuel Nystron para Vitória em 1940, quando ainda era solteiro. Ficou em Vitória por dois anos e foi transferido para Santo Aleixo, RJ, pelo pastor-presidente da CGADB na época, Cícero Canuto de Lima, que também era presidente da Assembleia de Deus em São Cristóvão, RJ.
Em 1942, o Pr. Waldomiro Martins Ferreira, já casado com a irmã Camila Josefa de Aguiar e com o primogênito Levi Aguiar de Jesus Ferreira, com um ano de idade, retornou à Assembleia de Deus em Aribiri para assumi-la no dia 31 de outubro de 1944.
Em 1948, o pastor Waldomiro realizou o mais arrojado programa de evangelização no estado do Espírito Santo abrindo novas frentes de trabalhos e fundou, em 18 de outubro de 1959, ao lado de outros pastores, a Convenção das Assembleias de Deus no Estado do Espírito Santo e Outros (CADEESO), presidindo-a até 1970, quando foi jubilado. Naquela época, por algum tempo, assumiu em seu lugar o seu vice, pastor Sebastião Davino dos Reis. O pastor Waldomiro Martins Ferreira foi chamado às mansões celestiais no dia 25 de julho de 1975.
Em 1970, mais precisamente no dia 12 de maio, assumiu a Assembleia de Deus em Aribiri o pastor Edmundo Alves de Oliveira, tendo como vice-presidente o pastor Oscar Domingos de Moura. O pastor Edmundo foi o responsável pela construção do maior templo da Assembleia de Deus no estado, localizado na Av. Carlos Lindenberg, 1435. Sobre isso, ele disse: “Nós construímos e nunca fomos pesados a ninguém; todo mundo só fez exatamente o que podia, e assim fizemos a obra. Eu fiz a obra porque Deus me deu companheiros, e unimos forças e fizemos. Eu tinha um chão na minha casa onde orava a Deus, e Ele me honrou. Não estou mais na igreja do Aribiri, mas o meu coração está alegre porque trabalhei e contribui, e o meu coração também está alegre porque a igreja está reunindo ali, e agradeço a Deus por isso”.
E, neste mesmo propósito de amor pelas almas, homens e mulheres foram surgindo ao longo da história, abraçando a obra do Mestre, respondendo ao seu chamado, colocando as suas mãos no arado. “Quão formosos sobre os montes são os pés dos que anunciam boas novas, que proclamam a paz, que anunciam coisas boas, que fazem ouvir a salvação, que dizem a Sião: o teu Deus reina!” (Is 52.7).











