A Batalha Espiritual e as Armas do Crente

Escola Dominical – Comentário de apoio da Lição 13, do 2º trimestre de 2020 – A Batalha Espiritual e as Armas do Crente.

Por Aniel Ventura

Na última lição do 2º trimestre de 2020, estudaremos o tema “A Batalha Espiritual e as Armas do Crente“, que aborda o uso da armadura de Deus.  No fim da carta aos Efésios, o apóstolo Paulo adverte os seus leitores a serem vigilantes e preparados. Desejando tornar sua mensagem mais vívida ele tem uma ideia, estando acorrentado a um soldado romano com sua armadura, provavelmente um veterano das guerras. Olhando a proteção do soldado ele pensa – é assim que o cristão precisa estar vestido espiritualmente, completamente armado, forte, disciplinado e vigilante.

Com essa assertiva, curva-se sobre a sua mesa e escreve: “No demais, ir­mãos meus, fortalecei-vos no Senhor e na força do seu poder. Revesti-vos de toda a armadura de Deus para que possais estar firmes contra as astutas ciladas do diabo” (Ef 6.10).

I – O PREPARO ESPIRITUAL DO CRENTE PARA A BATALHA

1. Fortalecidos no poder do Senhor

“Sede fortalecidos […] (Ef 6.10). No grego é dynamóo – (δυναμóω), que significa “fortalecer”, “tornar-se forte”. Aqui é uma convocação de Paulo aos cristãos a buscarem o poder espiritual, mostrado em (Ef 1.19-23).

É através do poder do Espírito de Deus, que Cristo ressuscitou e foi exaltado, conquistando todos os seus adversários (Cl 2.15). Também é através do mesmo poder que nós obteremos a vitória sobre o mal.

2. Vigilantes em toda a oração e súplica

Ao empunhar a espada do Espírito, a palavra de Deus, devemos também estar orando em todo tempo suplicando no Espírito.

Orar no Espírito nos garante sua ajuda e presença (Rm 8.26); o Espírito intercede por nós (Rm 8.27); o Espírito torna Deus acessível (Ef 2.18); o Espírito nos dá confiança na oração (Rm 8.15,16; Gl 4.6). Ele nos inspira, nos guia e nos ajuda na comunicação com Deus e também nos traz a sua resposta.

II – CONHECENDO O CAMPO DA BATALHA ESPIRITUAL

1. As astutas ciladas do Diabo

Estar firmes contra as astutas ciladas do diabo”[…] (Ef 6.11). A palavra “Ciladas”, no grego é “μεθοδειας – metodéias” – significa estratagemas e artimanhas.

Sabemos que o diabo é o príncipe do mundo das trevas, o reino que se opõe a Deus. “Oferecer resistência” ou “ficar firme” eram termos militares que significavam resistir ao inimigo, manter a posição, e não se render a ele.

O diabo nunca lutará honestamente; ele se vale de esquemas e truques ardilosos, “porque não ignoramos os seus ardis” (2 Co 2.11). Nossa habilidade em oferecer resistência depende do saber usar, isto é, do bom uso da armadura.

3. O conflito contra o reino das trevas

Os cristãos precisam se conscientizar que estamos na luta contra o mal – é um combate corpo a corpo (luta, briga, disputa – gr. παλη – pale), porém não é uma campanha militar terrena, contra carne e sangue.

Ao contrário, estamos lutando contra os demônios, estes são controlados por Satanás, são seres poderosos e invisíveis, que levam as pessoas a pecar. São anjos caídos que se aliaram a Satanás em sua rebelião e, tornaram-se maus e pervertidos, inimigos de Deus e de sua igreja.

3. As agências das potestades do ar

A palavra “príncipe das trevas” (Ef 6.12), (gr. κοσμοκρατορ), significa “governante mundial” e tem várias significações: Havia os antigos deuses-salvadores, como “Serápis, Isis, Mitras, Mercúrio, Zeus e outros”, que eram chamados por esse nome. Tal nome era aplicado também aos “deuses-sóis”, no culto solar.

Se esse é o sentido da palavra usada aqui, temos então um sentido astrológico, Paulo está mostrando a realidade dos poderes associados à astrologia, embora na sua suposta posição de “deuses”, dominadores de homens – traz a ideia de algo real.

Forças espirituais” (gr. πνευματικα – pneumatiká), acompanhada de mal – (gr. πονηρíα – ponería), nos leva a entender que são “seres espirituais malignos”, ou seja,“poderes do mal” em ação contra os servos de Deus.

III – AS ARMAS ESPIRITUAIS INDISPENSÁVEIS AO CRENTE

1. A armadura completa de Deus

A resposta dos cristãos à realidade desta guerra espiritual deve ser a utilização da armadura de Deus. Esta armadura está disponível, e o cristão fiel deve usá-la.

Não podemos ser negligentes quanto ao seu uso, pois a batalha é real, e nós somos os alvos. Entretanto, somente com essa proteção os crentes serão capazes de obter firmeza, para resistir a uma grande oposição; na verdade, é impossível resistir somente com as nossas forças (Rm 8.37).

2. As armas indispensáveis de defesa

O cinturão era usado para cingir os lombos e tinha cerca de seis polegadas (quinze centímetros) de largura.

Possivelmente feito de couro, prendia as roupas que ficavam sob ele, também mantinha no lugar as demais peças da armadura, como a proteção peitoral e a bainha da espada. Tinha um avental que protegia o baixo-abdômen e prendia as costas, para fortalecê-las.

Com o cinto apertado, o soldado estava “de serviço” e pronto para a luta. Um cinto frouxo indicava que o soldado estava fora de serviço.

Os cristãos, devem enfrentar o dia a dia com os cintos apertados e prontos para a batalha.

3. A imprescindível arma ofensiva

Paulo recomenda os cristãos a empunhar a espada do Espírito – a única menção a uma arma ofensiva.

A espada curta e afiada era uma das maiores inovações militares de Roma. O exército romano era chamado assim de “espadas curtas”, por causa do seu uso nas batalhas vitoriosas. Esta espada tinha uma lâmina dupla que a tornava ideal para “cortar e espetar”.

O Espírito Santo torna a palavra de Deus efetiva quando a pronunciamos ou a recebemos. A palavra tem um poder cortante e penetrante (Hb 4.12b). Essa estratégia foi usada por Jesus na sua tentação no deserto, devemos também usá-la na luta contra as forças do mal (Mt 4.4,7,10).

Conclusão

O diabo e seus asseclas ameaçam e intimidam as pessoas com o propósito de destruí-las. Eles atacam com muita fúria no dia mau, pois agem com vários tipos de métodos. Estudam cada pessoa para saber melhor como atacá-las. Exemplo, Sansão, Davi, Pedro foram alvejados porque o diabo variou seus métodos.

Através do uso da armadura de Deus e com o Espírito Santo em nosso interior, nós cristãos, temos a palavra de Deus para ser usadas nas tentações. Quando o tentador, quer nos fazer o mal, temos poder para expulsá-lo através da palavra de Deus e do nome de Jesus (Mt 4.3,4; I Ts 3.5).

Bibliografia
– Epístolas Paulinas – Myer Pearlman – CPAD

– Champlin – Novo Testamento Interpretado – Vol.4 – Hagnos
– O Novo Comentário Bíblico N.T. Earl D. Radmacher, Ronald B. Allen e H
– Comentário do Novo Testamento – Aplicação Pessoal – Vol.2 – CPAD
– Léxico do Novo Testamento – Grego/Português – F. Wilbur Gingrich – Vida Nova
– Novo Testamento Interlinear Analitico Grego-Português – Cultura Cristã
– Léxico analítico grego do Novo Testamento – William D. Mounce – Vida Nova
– Comentário Efésios – Hernandes Dias Lopes – Hagnos

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