Morre Bhumibol, rei da Tailândia, aos 88 anos
Bhumibol AdulyadeJ, rei da Tailândia (Sukree Sukplang/Reuters)

Bhumibol era o decano dos chefes de Estado do mundo, morreu após 70 anos no trono

O rei da Tailândia, Bhumibol Adulyadej, morreu nesta quinta-feira (13), aos 88 anos, em um hospital de Bangkok onde estava internado há mais de um ano, depois de seu estado de saúde se agravar nos últimos dias, conforme informou a Casa Real em comunicado, no qual se detalha que o monarca morreu às 15h52 (horário local, 5h52 em Brasília) no Hospital Siriraj da capital tailandesa.

Abre-se agora um período de luto de um ano pelo soberano que ocupou o trono durante sete décadas. As bandeiras tremularão a meio mastro durante um mês em todos os edifícios oficiais e escolas, em sinal de luto por um soberano considerado uma figura unificadora e símbolo da independência da Tailândia, um país que em oito décadas teve 19 Constituições, 19 golpes de Estado e uma miríade de primeiros-ministros civis e militares.

Enquanto todos os canais de televisão entravam no ar ao vivo para anunciar o falecimento, quase mil pessoas se reuniam no lado de fora do hospital para chorar a morte do único rei que a maioria dos tailandeses conheceu. O monarca, presente em retratos por todo o país, é considerado quase um semideus, protegido por leis draconianas de lesa-majestade que proíbem a mínima insinuação de crítica. Por conta disso, o estado de saúde de Bhumibol tornou-se um assunto muito sensível no país devido à essas leis de lesada altivez.

Bhumibol, nasceu nos EUA e foi criado na Suíça, mas chegou ao trono da Tailândia em 1946, depois da morte do seu irmão mais velho, Ananda, o Rama VIII, baleado misteriosamente dentro do seu quarto no palácio real de Bangkok. Não foi coroado imediatamente: retornou à Europa para continuar seus estudos, mesmo antes de transcorridos os 100 dias de luto oficial. E a cerimônia de entronização só aconteceria em 1950, quando ele já estava casado com Sirikit, a quem conhecera quando o pai dela era embaixador tailandês na França, e com quem teve quatro filhos.

Passou os primeiros anos no trono à sombra de líderes militares fortes – o absolutismo havia sido abolido em 1932, e desde então a monarquia atravessava uma etapa de decadência –, mas seu papel começou a adquirir um novo protagonismo a partir de 1957, quando o general Sarit Dhanarajata assumiu o poder. O trono oferecia legitimidade ao militar, e o primeiro-ministro protegia o papel do monarca. Recuperavam-se então formalismos abandonados um quarto de século antes, e que hoje em dia são parte integral do protocolo, como a prática de se prostrar perante o soberano numa audiência.

Com a morte de Bhumibol, a britânica Elizabeth II, de 90 anos, torna-se a decana entre os monarcas mundiais.

Com informações de Veja e El Pais

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