Vigília contra fechamento de igrejas e prisão de 3 mil cristãos na Eritréia
O protesto, que acontece todo mês de maio por 16 anos (Foto: Reprodução)

Vigília anual contra o fechamento de igrejas prisão de mais três mil cristãos na Eritréia pode enfrentar oposição

Há preocupações de que uma vigília anual de protesto, lembrando o fechamento de igrejas e destacando uma campanha contínua de prisões contra cristãos, marcada para hoje, 23 de maio, às 15h30, em frente da Embaixada da Eritreia em Londres seja enfrente um contraprotesto, pela primeira vez.

Em maio de 2002, o governo da Eritréia efetivamente proibiu práticas religiosas não afiliadas às denominações católicas, evangélicas luteranas e ortodoxas cristãs ou islamismo sunita, e lançou uma campanha de detenções que continua até hoje, e que no seu auge viu cerca de 3.000 cristãos presos.

Protestos

O protesto em forma de vigília, que acontece todo mês de maio por 16 anos, é organizado conjuntamente pela CSW, Igreja Ortodoxa da Eritréia no Reino Unido, Church in Chains, preocupada com os Direitos Humanos e Liberdade na Eritreia, para marcar o aniversário desta proibição e demonstrar solidariedade com os eritreus que foram presos por causa de sua fé.

Este ano há preocupações de que a vigília em protesto seja recebido com um contraprotesto organizado por um grupo pró-governo que buscou e recebeu permissão no último minuto para realizar um protesto de um dia, ostensivamente para marcar o Dia da Independência da Eritréia. Na realidade, o dia da independência da Eritréia é em 24 de maio, dando origem a preocupações sobre as motivações reais de seus organizadores e participantes.

Apesar dos recentes acontecimentos aparentemente positivos, incluindo a assinatura de um acordo de paz com a Etiópia em setembro de 2018, a situação dos direitos humanos na Eritreia continua a ser altamente preocupante.

Prisões

Relatórios surgiram da prisão de 141 cristãos, incluindo 14 menores, em suas casas em Maitemenai, Asmara, em 10 de maio ou por volta desse dia. Os cristãos teriam sido transportados para centros de detenção separados de acordo com seu gênero.

Num outro indicador de que a situação dos direitos humanos na Eritreia permanece inalterada, Abune Antonios, o legítimo Patriarca da Igreja Ortodoxa da Eritréia (EOC), continua sob prisão domiciliar. Em um vídeo contrabandeado da Eritréia no mês passado, o Patriarca detalhou as circunstâncias em torno de sua remoção em violação da lei canônica, descrevendo como os símbolos e vestes cerimoniais foram tirados dele e como ele foi colocado em prisão domiciliar por 13 anos, sem o devido processo. Ele também discutiu sua aparição pública em julho de 2017, afirmando que foi convidado pelos sacerdotes a orar em público, mas novamente sem o devido processo. O Patriarca conclui dizendo que todos esses eventos esvaziaram Igreja Ortodoxa da Eritréia (EOC) e o deixaram privado de liderança espiritual.

No dia 29 de abril, os quatro bispos católicos da Eritréia emitiram uma carta pastoral pedindo “mudanças decisivas e históricas” através da criação de um plano abrangente de verdade e reconciliação. Os bispos também pediram “o estabelecimento de uma comissão nacional encarregada da campanha pela verdade e reconciliação, cuja principal tarefa deveria ser a remoção dos fatores de tensão e a promoção do diálogo e do compromisso entre todos os interessados”. Os bispos descreveram o plano, como um meio, entre outras coisas, de abrir uma nova era e lançar “os fundamentos de um sistema estatal constitucional”.

Posição da CSW

O presidente-executivo da CSW, Mervyn Thomas, disse: “As recentes detenções de cristãos em Asmara são um dos muitos sinais de que o povo da Eritreia continua a enfrentar as violações mais graves dos direitos humanos diariamente. O protesto de hoje visa chamar a atenção para a sua situação em curso e para pedir à comunidade internacional que tome medidas decisivas. A CSW não será intimidada pelo governo da Eritreia ou por qualquer contraprotesto e continuará a se levantar e falar até que todos os prisioneiros de consciência sejam livres e os direitos de todos os cidadãos da Eritreia sejam plenamente respeitados”.

Com informações de CSW – Christian Solidarity Worldwide
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