Vencendo a tristeza pela terapia da Palavra de Deus
Jovem falando e segurando uma Bíblia | Foto: Freepik

O remédio para essa tristeza não é encontrado nas terapias humanas nem nos rituais religiosos

Hernandes Dias Lopes

O SALMO 119 é o maior Salmo da Bíblia. Seu foco principal é a excelência da Palavra de Deus como conteúdo de nossa fé, como fonte de nosso consolo e como remédio para nossos males. Neste Salmo, o cantor sacro abre sua alma e fala de suas tristezas e como triunfar sobre elas.

1 – As lágrimas da alma podem ser estancadas pelo fortalecimento da Palavra de Deus.

“A minha alma, de tristeza, verte lágrimas; fortalece-me segundo a tua Palavra” (Sl 119.28). Há momentos em que as torrentes de lágrimas que brotam de nossa alma são mais copiosas do que as torrentes que vertem dos nossos olhos. A tristeza não apenas abate o rosto, mas também entristece a alma. O remédio para essa tristeza não é encontrado nas terapias humanas nem nos rituais religiosos, mas no fortalecimento procedente da palavra de Deus.

2 – As angústias do crente são curadas pela vivificação da Palavra de Deus.

O que me consola na minha angústia é isto: que a tua palavra me vivifica” (Sl 119.50). O salmista não tem receio de admitir sua angústia. Ele está amassado por sentimentos avassaladores, atordoado por circunstâncias medonhas e atribulado por uma angústia esmagadora. Onde encontrar consolo? Para onde correr nessa hora? O autor sacro encontrou consolo e vivificação na palavra de Deus.

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3 – A angústia faz perecer, mas a palavra de Deus traz prazer.

“Não fosse a tua lei ter sido o meu prazer, há muito já teria eu perecido na minha angústia” (Sl 119.92). A angústia que nos assola, por vezes, é tão cruel que pensamos que não vamos aguentar. É como um tsunami que nos engole sem que consigamos reagir às ondas gigantescas. Onde encontrar prazer, quando a vida parece só mostrar sua carranca para nós? Onde encontrar um porto seguro para encorar nossa alma assolada pelos vendavais da vida? Onde beber as delícias da alegria, quando tudo o que sorvemos na vida é o cálice amargo da dor? O salmista, com entusiasmo, confessa que se não fora a lei de Deus ter sido o seu prazer, ele teria sucumbido há muito tempo à sua angústia. Ó que poder terapêutico tem a palavra de Deus! Ó que consolo bendito ela traz à alma aflita!

4 – A aflição superlativa deve levar-nos a uma súplica urgente.

“Estou aflitíssimo; vivifica-me, Senhor, segundo a tua palavra” (Sl 119.107). O salmista é um homem de Deus, mas não tem imunidade especial. Ele anda com Deus, mas não é poupado das dores naturais dos mortais. Ele não esteve muito aflito no passado remoto nem estará aflitíssimo num futuro distante. Ele está aflitíssimo agora. Enquanto escreve, seu coração está apertado pela dor, sua alma está gemendo de aflição e seus olhos são fontes de onde escorrem lágrimas amargas. Sua súplica é urgente. Mas ele não recorre a homens, mas ao Senhor da aliança. Não busca os recursos da terra, mas invoca a vivificação que emana do céu. O reavivamento que anseia é rogado ao Senhor e procede do Senhor. A fonte desse reavivamento é a palavra de Deus. A restauração é segundo a palavra de Deus e não segundo a diretrizes humanas.

5 – A aflição escraviza, mas a lei de Deus traz esperança.

“Atenta para a minha aflição e livra-me, pois não me esqueço da tua lei”. (Sl 119.153). O salmista, inobstante não se esquecer da lei de Deus, está aflito. A vida cristã não é uma estufa espiritual nem uma bolha que nos esconde das aflições deste mundo. O povo de Deus está sujeito às vicissitudes comuns dos mortais. Eles bebem, também, as porções amargas da providência carrancuda. Nessas horas, devemos clamar ao Senhor para observar nossa aflição e ainda pedir a ele livramento de nossas dores. O argumento usado pelo salmista para estadear seu pleito diante de Deus é que ele não se esquecia da lei do Senhor. Nas suas aflições, não ergueu seus punhos contra Deus como fez a mulher de Jó nem virou as costas para Deus como fez a mulher de Ló. Ao contrário, reavivou ainda mais sua memória para guardar a palavra de Deus. Ó que Deus nos ajude a ter a mesma experiência do salmista: “Grande paz têm os que amam a tua lei; para eles não há tropeço” (Sl 119.165).

Rev. Hernandes Dias LopesRev. Hernandes Dias Lopes
Natural de Nova Venécia-ES, casado com Udemilta Pimentel Lopes, pai de Mariana e Thiago. Bacharel em Teologia no Seminário Presbiteriano do Sul em Campinas-SP, e Doutor em Ministério pelo Reformed Theological Seminary, em Jackson, Mississippi, nos Estados Unidos. Foi pastor da Primeira Igreja Presbiteriana de Bragança Paulista no período de 1982 a 1984 e desde 1985 é o pastor titular da Primeira Igreja Presbiteriana de Vitória. Também é membro da Academia Evangélica de Letras do Brasil, diretor executivo da Luz para o Caminho e pastor colaborador da Igreja Presbiteriana de Pinheiros em SP. É conferencista e escritor, com mais de 150 livros publicados.

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