Uma questão de valores

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O que para algumas pessoas pode ser engraçado, para outras pode ser uma grande ofensa

Uma questão de valores

Por Robson Aguiar

Ainda era novato na polícia, quando recebi a seguinte instrução; nunca chame um matuto de cabra safado e nem bata na cara dele.

No Sertão pernambucano, como também em outros sertões do nordeste, até tempos atrás, um tapa na cara, tinha mais efeito do que uma surra, para os sertanejos.

Num lugar onde se cultiva a cultura do cabra macho, que não leva desaforo para casa, e que é ensinado pelos pais a não chegar em casa desmoralizado, levar um tapa na cara ou ser chamado de cabra safado era a pior das humilhações.

Não foram poucas as vezes que vi colegas chegando do sertão para se esconderem nos quartéis por que estavam ameaçados por algum matuto, isso porque não guardaram o conselho de respeitar o homem do sertão.

Era comum, prender um matuto que se envolvera em briga sem lhe dar um empurrão, bastava dizer para ele acompanhar até a delegacia e ele obedecia, mas, quando alguém, usava a emoção e batia no rosto do homem, pronto, podia se mudar da cidade, pois, enquanto o homem não se vingasse, não sossegava.

Trago esse fato corriqueiro do homem do campo, para voltar a falar do episódio terrorista de Paris.

O que para mim, pode ser engraçado, para outras pessoas pode ser uma grande ofensa. A questão envolve valores. Como enxergo a ofensa falada e como vejo a resposta da espada.

Mas, não é só entre os que moram no sertão nordestino que alguns valores são observados.

Na cultura dos judeus “blasfêmia” era motivo de morte, e foi acusando Jesus injustamente de blasfemar, que os judeus o mataram.

As constantes guerras no oriente criaram uma estranha cultura onde crianças se acostumaram a brincar sem se incomodarem com corpos nas ruas, e pela proximidade da morte, se tornou uma cena comum ver crianças manuseando armas como se adultos fossem.

Num país como Irã e outros onde a pena de morte é uma resposta aos que se levantam contra o Estado, imaginem, como enxergam as agressões escritas ou desenhadas pelos seus opositores?

Sim, o terrorismo não pode nos vencer, vamos nos unir para combatê-lo, mas, não podemos atirar de forma indiscriminada, sairmos por ai batendo na cara deles, temos que respeitar até mesmo os inimigos.

Vejo por ai, chargistas desenhando pombas da paz com canetas quebradas, Maomé, agora será publicado chorando e pedindo paz, mas, não foi sempre assim, as charges anteriores, que até então, a mídia tendenciosa não mostrou, traz um Maomé ridicularizado, sem contar charges de outras religiões, tudo publicado no Charlie Hebdo.

A tal liberdade que se pede na França e que já se pratica no Brasil, é a do direito de escarnecer, zombar e humilhar os contrários.

Pois, essa “liberdade” pode, e já está custando caro aos franceses. Ao que parece querem pagar pra ver, pois não pretendem parar com os insultos.

Finalizo, deixando para a reflexão do leitor, um texto da Bíblia da versão King James;

No entanto, nem mesmo o arcanjo Miguel, quando argumentava com o Diabo, e batalhava a respeito do corpo de Moisés, se atreveu a fazer qualquer acusação injuriosa contra o inimigo, limitando-se a declarar: “O Senhor te repreenda!” (Jd 1.9).

Robson Aguiar

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