Um rápido olhar sobre o catolicismo dos tempos de Bento XVI

0
26

Um rápido olhar sobre o catolicismo dos tempos de Bento XVI

Escrito por Anamaria Modesto

A imprensa mundial noticiou em 11/02, algo extraordinário na recente história da igreja católica, a renúncia de Bento XVI ao cargo supremo do catolicismo. A partir de 28 de Fevereiro, o vaticano entra em um período sede vacante, aguardando o conclave e o nome do novo pontífice.

A igreja católica vive um período de decadência no ocidente, perdeu seu poder político e perde a cada dia seu poder religioso, o protestantismo e o ateísmo são os calcanhares de Aquiles desta religião. A secularização da sociedade deste os tempos do iluminismo e o avanço do protestantismo são duas razões básicas para a queda do catolicismo como religião mater.

Uma igreja conservadora em tempos de modernidade líquida, esse é o impasse atual, mesmo com o concílio Vaticano II, questões como divórcio, homossexualismo, camisinha, ainda são Tabus. João Paulo II foi o papa mais próximo do povo, apesar de que as palavras de Marx ainda ecoarem em nossos ouvidos, a religião no velho continente já não é mais tanto ópio para o povo como dantes, nem mesmo o protestantismo, companheiro do velho capitalismo se firmou por aquelas bandas, também está em declínio.

A decadência do catolicismo se deve hoje ao crescimento da renovação carismática que inflamou os jovens e do neopentecostalismo fenômeno de duas décadas na América do Sul e também as questões de pedofilia nos EUA e Europa. Bento pouco fez nesse quesito, foi um papa distante dos seus e por fim distante das Américas, espaço que sempre tinha atenção no papado anterior.

João Paulo presenciou o crescimento do protestantismo no fim da década de 70 e 80, mas agiu com um pouco mais de pulso com o assunto, Bento se fechou. Enquanto as metanóias ocorreram na sociedade ocidental no século XX, mudando valores e costumes, a igreja se prendeu ao séc. XVI.

Um dos meus professores dizia que a transformação das mentes ocorre de forma mais demorada do que aquela feita com armas e políticas, me pergunto quanto tempo a Santa Sé irá perder enquanto não se ajustar aos rumos líquidos da sociedade do novo século.

Enquanto o protestantismo e a renovação carismática estão aliados ao capitalismo que a cada dia vai fazendo novos adeptos e gerando novos paradigmas no mundo, assim como a ciência provoca a secularização de grande parte do ocidente, como estará a religião neste novo século, pode-se declarar a possibilidade de que o comércio da fé se renda ao ecumenismo ou finde a religião cristã como se conhece hoje?

Certezas não tenho, só dúvidas. Vamos construir juntos uma coletânea de ideias sobre o assunto e assim montar nosso próprio entendimento? Se o conhecimento é construído, ponha sua pedrinha nesta construção, deixe seu comentário abaixo e até nosso próximo texto.

AnamariaModestoVieiraAnamaria Modesto Vieira
Mestranda, Socióloga, Professora, Cristã

Seus blogs: Mente Social e Notas de Rodapé

ESCREVA UM COMENTÁRIO

Escreva seu comentário!
Por favor, digite seu nome