Um grito por socorro
O ser humano, no mais profundo abismo da angústia, faz ouvir a sua voz | Foto: Pixabay

O Salmo 131 é um grito por socorro. O salmista está no mais profundo abismo da angústia, e dali faz ouvir a sua voz. Destacamos sete verdades solenes neste cântico de romagem:

Uma realidade dramática (v.1ª)

“Das profundezas…”.

O escritor sagrado está num poço profundo. Ele caiu ou foi lançado numa cova existencial. Não tem mais como descer. Já chegou às regiões abissais de sua dor e do seu desespero.

Vive a falência de seus recursos. Está no mais profundo abismo, nas profundezas da sua angústia.

Um clamor aflito (v.1b,2)

“… clamo a ti, Senhor. Escuta, Senhor, a minha voz; estejam alertas os teus ouvidos às minhas súplicas”.

O sofrimento nos matricula na escola da oração. Quando estamos aflitos, gritamos por socorro.

Foi isso que o salmista fez. Das profundezas clamou às alturas. Em sua fraqueza gritou pelo Onipotente. Tendo gritado ao redor e não encontrado nenhum socorro, roga, agora ao Senhor para ouvir sua voz e ter seus ouvidos inclinados às suas súplicas.

Oh, como é pungente o clamor do aflito! Como é urgente a causa daqueles que estão nas profundezas da sua agonia!

Uma constatação inequívoca (v.3)

“Se observares, Senhor, iniquidades, quem, Senhor, subsistirá?”

A dramática realidade vivida pelo salmista tinha a ver com as suas iniquidades. Nada nos faz sofrer mais do que o pecado.

O pecado é o maior atormentador dos homens. O pecado é o maior mal, pois nos priva do maior bem. O pecado é uma falácia. Promete prazer e paga com o sofrimento; promete liberdade e escraviza. Promete vida e mata. O pecado é pior do que a doença. É mais desastroso do que a própria morte. O pecado separa o homem de Deus no tempo e na eternidade.

O pecado sempre levará o pecador mais longe do que gostaria de ir, prendê-lo-á mais tempo do que gostaria de ficar e lhe custará um preço mais caro do que gostaria de pagar.

Oh, se Deus cobrasse de nós nossos pecados, sucumbiríamos!

Um perdão restaurador (v.4)

“Contigo, porém, está o perdão, para que te temam”.

Em vez de Deus cobrar nossa dívida, ele no-la perdoa. Em vez de nos condenar pelas nossas iniquidades, ele as cancela.

Com Deus está o perdão não para que abusemos da graça, mas para que o temamos. O perdão divino deve produzir em nós gratidão, reverência e temor.

Um desejo profundo (vv.5,6)

“Aguardo o Senhor, a minha alma o aguarda; eu espero na sua palavra. A minha alma anseia pelo Senhor mais do que os guardas pelo romper da manhã. Mais do que os guardas pelo romper da manhã”.

Aqueles que são perdoados por Deus e arrancados das profundezas, não só temem a Deus, mas anseiam por ele e esperam na sua palavra.

Aquele que viveu apartado dele e jogado no fundo do poço por causa de suas iniquidades, agora, perdoado, quer desfrutar da intimidade de Deus e por isso anseia por ele mais do que os guardas desejam o romper da manhã, para saírem do turno de seu trabalho e voltar ao aconchego do lar, onde desfrutará seu descanso reparador.

Um conselho sábio (v.7)

“Espere Israel no Senhor, pois no Senhor há misericórdia; nele, copiosa redenção”.

Aquele que recebe o perdão e a restauração de Deus não cala seus lábios. Ele quer repartir com outros a mensagem da misericórdia divina. Anuncia sem tardança a copiosa redenção oferecida pelo Senhor. Ele sai das profundezas do desespero para ser um semeador de esperança.

Uma verdade consoladora (v.8)

“É ele quem redime a Israel de todas as suas iniquidades”.

O povo de Deus só está de pé, em vez de estar nas profundezas, porque é o Senhor quem o redime; e não apenas de algumas iniquidades, mas de todas as suas iniquidades. Ele nos dá completo perdão e nele temos copiosa redenção!

# Publicado em 7 de novembro de 2019 | by Pr. Hernandes | em Pastorais
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Rev. Hernandes Dias LopesRev. Hernandes Dias Lopes
Natural de Nova Venécia-ES, casado com Udemilta Pimentel Lopes, pai de Mariana e Thiago. Bacharel em Teologia no Seminário Presbiteriano do Sul em Campinas-SP, e Doutor em Ministério pelo Reformed Theological Seminary, em Jackson, Mississippi, nos Estados Unidos. Foi pastor da Primeira Igreja Presbiteriana de Bragança Paulista no período de 1982 a 1984 e desde 1985 é o pastor titular da Primeira Igreja Presbiteriana de Vitória-IPB. Também é membro da Academia Evangélica de Letras do Brasil, diretor executivo da Luz para o Caminho e pastor colaborador da Igreja Presbiteriana de Pinheiros em SP. É conferencista e escritor, com mais de 130 livros publicados.

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