Tijolos Sagrados: Notre-Dame para mim sempre teve um valor especial.
A emblemática Catedral de Notre-Dame em chamas… (Foto: Thierry Mallet)

Quando os “tijolos sagrados” estão sob ameaça, os esforços não são medidos para restaurar, reconstruir ou o que necessário for para manter a imponência da fé institucionalizada intacta.

Por Matheus Henrique

O Cristianismo sem Cristo valoriza os tijolos mais do que seres humanos…

Notre-Dame para mim sempre teve um valor especial. A emblemática catedral era o centro da minha animação preferida “O Corcunda de Notre Dame”. Portanto, receber a notícia desse incêndio doeu bastante em mim. Era como se parte de mim virasse cinzas naquele incêndio. O consolo que temos é que não há mortos e ninguém se feriu.

Tijolos Sagrados

Como imaginei, em um tempo recorde, uma arrecadação mundial viria a levantar valores mais do que suficientes para a reconstrução do monumento.

Há uma razão para isso. Depois que o imperador Teodósio I tornou o cristianismo a religião oficial do império, algo na narrativa cristã mudaria para sempre. As estruturas passaram a valer muito mais do que as pessoas.

O Cristianismo institucionalizado superestima estruturas, monumentos, símbolos, relíquias e toda sorte de construções humanas. É capaz de se comover quando uma delas sofre deterioração, é quebrada ou destruída. Quando os “tijolos sagrados” estão sob ameaça, os esforços não são medidos para restaurar, reconstruir ou o que necessário for para manter a imponência da fé institucionalizada intacta.

Vidas Dessacralizadas

Não foi diferente desta vez. Bilhões aparecem como em um passe de mágica. Para as vítimas de Beira em Moçambique que estão sem teto, sem emprego, roupas, água e comida? Não! Para a compra de remédios, curativos e equipamentos para o Jardim das Borboletas, ong que cuida de crianças vítimas de epidermólise bolhosa? Não! Para as organizações voluntárias dos Médicos Sem Fronteiras que atendem pessoas feridas que estão no meio de uma guerra na qual não pediram para estar? Para a Nigéria onde uma escola desabou sobre a cabeça de crianças e isso sequer foi noticiado? Também não! Concluindo, para onde vão esses bilhões de arrecadação? Para o ego do Cristianismo sem Cristo, que valoriza mais os tijolos do que seres humanos.

Quem leu os Evangelhos, ao menos uma vez, sabe o que aquele que andou de aldeia em aldeia aliviando os fardos das pessoas faria com esse dinheiro. Tenho formação em História e lamento profundamente os prejuízos do ocorrido. Entanto, lamento mais ainda que o Cristianismo institucionalizado está divorciado do que Cristo pregou a milênios. Deixaram de amar o próximo, para amar as estruturas como a si mesmos. São capazes de mover céus e terra quando o assunto é preservar os símbolos, porém a conversa e sensibilidade são diferentes, quando se trata de pessoas.

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