Superando o LUTO, para seguir a vida!
Tudo tem um tempo determinado. O luto também! (Foto: Reprodução)

A dor da perda é terrível, mas é transitória!

No Luto, vários sentimentos (como tristeza, raiva, saudade, frustração, impotência, solidão), se misturam em uma coisa só, que chega a doer fisicamente. E em meio a esse caos, vem a necessidade de reconstruir o mundo sem essa pessoa. Só quem já perdeu alguém próximo sabe a dor e a confusão emocional que é lidar com essa ausência. 

“Qualquer um de nós viveu, vive ou viverá luto algum dia. A dor da perda, por exemplo, de uma pessoa querida, de uma condição que gostamos muito (trabalho, posição social…) pode-nos parecer ‘insuportável’, de início. Perder uma pessoa de nosso vínculo por rompimento ou morte pode gerar um estado mental de tristeza, desânimo, falta de interesse pelo mundo, um enorme sofrimento. Isso é luto”, explica o Dr. Guilherme Gregório, psiquiatra da SPDM.

O luto não está exclusivamente ligado à morte, pode ser vivenciado também quando do fim de um relacionamento, numa situação de doença grave, a perda de um emprego, uma situação extrema ou, ainda, em casos de acidentes graves que resultam em alguma forma de incapacidade. São situações nas quais, no primeiro momento, parece, para a pessoa que sofre, como se fosse o “fim do mundo”

Esse estado de sofrimento extremo, na maior parte das vezes, não perdura no tempo. O Dr. Guilherme ensina que “A superação do luto ocorre gradativamente; vamos recuperando a energia, e o nosso Eu vai voltando a se organizar e se fortalecer”.

Luto ou depressão?

Cada pessoa lida de uma forma diferente com seus sentimentos, e cada um tem seu jeito de reagir ao luto. “Tentarmos nos enganar, driblar o luto, sermos ‘fortes’, fingir que não é nada não é o mais adequado; é melhor aprendermos com a dor da perda, buscarmos nossas estratégias de superação e consideramos que a maioria de nós passa pelo luto, sem necessidade de apoio de especialista”, esclarece o psiquiatra.

Há sim quem, aparentemente, não é afetado pelo impacto do luto, são pessoas que não choram no velório ou funeral, mostram-se fortes, resilientes, com retorno à vida cotidiana em pouco tempo. Dentre esses, porém, há um outro grupo que, depois de um tempo, passam a apresentar sintomas emocionais e físicos que podem evoluir para a depressão.

No luto, tanto os sintomas quanto à disposição da pessoa afetada são parecidos com o da depressão, com a diferença que o luto é transitório e, nele, não temos a autorrecriminação típica da depressão.

O Dr. Guilherme Gregório orienta: “Tanto a pessoa enlutada, que perdeu uma pessoa próxima, quanto seus familiares e amigos e profissionais da saúde devem estar atentos para os sinais, pois o luto pode se desenvolver para uma depressão, ou seja, de um transtorno que precisa de tratamento especializado”.

O luto após a morte de um ente querido é só uma fase?

Sim, o luto é determinado por 5 fases:

Fases do luto

Vários autores que trataram do tema, como Sigmund Freud, o pai da psicanálise, filósofos, médicos e escritores, mas foi a psiquiatra suíça Elizabeth Kübler-Ross, que, em seu livro de 1969, apontou os possíveis cinco estágios da morte, do luto, da perda:

1 – Negação e isolamento, quando temos a sensação de que aquela pessoa que perdemos pode entrar a qualquer momento pela porta. É um mecanismo de defesa, momento em que temos dificuldade em aceitar, acreditar que realmente aconteceu.

Nessa fase, são comuns frases como: “Isso não pode estar acontecendo!” A pessoa nega o problema, e tenta não ter contato com essa realidade que é a morte.

2 – Cólera ou raiva, quando a inconformidade dá lugar à revolta, a sentimentos como raiva e ressentimento, quase sempre projetados no ambiente externo, como se o mundo, os outros, Deus, fossem causadores do sofrimento. Nesse momento são comuns frases como: “Por que eu? Não é justo!”

O Senso de ter sido injustiçado toma conta da pessoa que acaba não se conformando com a morte de quem partiu; sendo muito difícil a assimilação de dar continuidade sem a presença daquela pessoa no cotidiano.

3 – Negociação, fase em que faríamos tudo que as coisas voltassem a ser como eram antes, sem perda, sem dor. Fazemos aqui um tipo de negociação, muitas vezes apenas interna, algumas vezes de cunho religiosa.

A pessoa começa a fazer promessas dizendo que será melhor a partir de então, que será melhor, será mais saudável, começa tentando criar dentro de si forças, mas não reconhece que precisa de ajuda muitas vezes.

4 – Depressão, o momento de tristeza profunda, desolação, desesperança, medo. Ocorre aqui um período de introspecção e necessidade de isolamento. O choro constante muitas vezes vem acompanhado de pensamentos como: “Nada mais vale à pena”, ou “Não consigo lidar com isso”.

Quando chega no estágio na depressão, a pessoa se isola, não quer conversar ou ter muitas pessoas por perto, acaba acreditando que não será capaz de vencer essa situação.

5 – Aceitação, quando o sofrimento não é tão debilitante, e aprendemos com a dor, nos preparamos para seguir em frente, para voltarmos às nossas atividades. A mente, mais clara, abre espaço para pensamentos como “tudo vai acabar bem”.

É o estágio que vai passando o desespero, a dor, a tristeza, a pessoa consegue enxergar a realidade como realmente é, acaba que se fortalece mediante as situações e fica pronto para enfrentar perdas ou morte.

Essas cinco fases fazem parte do luto, mas a duração e intensidade de cada fase variam. É que, além do jeito pessoal de cada um lidar com seus sentimentos, a morte não traz apenas a perda de uma pessoa querida, mas de todo o contexto, como suas funções dentro de uma casa, suas atividades, e isso influencia na adaptação do enlutado.

Cada um com seu tempo

No período do luto, é desaconselhável tomar qualquer decisão extraordinária. Mas é importante que haja espaço para cada um. É possível falar, ler, conversar, trocar experiências e, principalmente, não ter vergonha da dor. Ela não é exagerada, é do tamanho de cada pessoa! E é transitória! A sombra do luto pode ficar, mas a dor pode ser amenizada!

O psiquiatra Dr. Guilherme Gregório ensina que as pessoas próximas podem acolher, procurar compreender, mas, sem negar a condição do luto. Devem ser tolerantes, permanecendo ao lado, em condição de apoio ou disponibilidade à pessoa enlutada, permitindo que essa pessoa possa falar e se abrir e não se sentir sozinha.

Como vencer o luto?

O luto é muito difícil para quem passa por ele, é onde parece que muitas coisas não fazem mais sentido e a pessoa fica como se não tivesse sentimentos, ou motivos para continuar vivendo, como se não sentisse tristeza, nem alegria, uma espécie de anestesia na alma. Quando perdemos alguém seja os pais, familiares, amigos ou pessoas que amamos é muito doloroso, muitas vezes o choque com a notícia e a situação leva as pessoas que estão envolvidas, a terem diversas reações inesperadas.

Não necessariamente na mesma ordem, mas é bastante comum que quem perdeu alguém que ama passe por esses estágios, ou, pelo menos dois deles. Por isso, é importante ter ajuda para uma terapia, dialogar, fazer exercícios físicos e se alimentar bem também. A fé é um agente de fortalecimento para enfrentar o luto, ela faz toda a diferença e pode ser cura para as dores da alma.

A qualidade de vida e renascimento começam quando se deseja que ela comece, mediante a decisão de lutar, de vencer os resquícios da morte de alguém, entendendo que tudo passa como descrito em Eclesiastes 3.1. Portanto, é possível vencer o luto. Tudo tem um tempo determinado. O luto também!

Texto adaptado de SPDM

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