Somos cristãos nominais ou reais?
As aparências enganam (Foto: Reprodução)

Ser cristão por concordância de pensamento não reflete nada do cristianismo real de desapegos, renúncias e repúdios aos pecados deste cosmos de regalos e extravagâncias.

Por Silvio Santo da Costa

Entendo que para cristãos nominais, Deus não é mais o centro, o soberano, o primeiro, o absoluto em suas inquietas e descontentes almas. Desprezam o propósito de Deus para suas vidas e carregam um fardo na forma de uma “espécie de karma”.

“Se dissermos que temos comunhão com ele, e andarmos em trevas, mentimos, e não praticamos a verdade” (1 Jo 1.6).

Os tempos são trabalhosos (2 Tm 3.1), os homens insatisfeitos com tudo e a vida moderna altamente materialista. Em meio as agitações do presente século encontra-se o um cristianismo mascarado e envolto por roupagens e adereços de um cronos (tempo) capitalista, consumista e indiferente (Lc 16.13). Deus não é mais o centro, o soberano, o primeiro, o absoluto em nossa inquieta e descontente alma. Desprezamos o propósito de Deus para nossas vidas e carregamos um fardo na forma de uma “espécie de karma” que consiste em estudos, profissão, dinheiro e sucesso (Ec 2.22; 12.12; Ag 1.6); aspirações impregnadas em todo ser humano vivente nesta era da informação e da velocidade.

A rapidez das realizações prometidas pelos arautos deste século, nos fizeram discípulos do instantâneo – muito longe dos primitivos crentes que viveram uma vida devota ao Cristo Salvador para realçarem o relacionamento duradouro que tiveram com Ele (Gl 2.20; 6.17). O espiritual tornou-se num desencargo de consciência através da filiação a alguma igreja evangélica, infelizmente para muitos de nós (Is 29.13). A Bíblia agora é um livro não mais de leitura e padrão de vida, mas de consultas esporádicas para aclarar as decisões que promovem nossas vontades.

Nas nuances desta crise de essência cristã outra verdade aterradora é que a oração pessoal perdeu uma característica importante, a da comunhão com Deus (Fp 4.6). Recorremos ao Senhor mais para pedir a favor de interesses próprios que na maioria das vezes estão muito distantes do Reino dos Céus (Tg 4.3; Mt 6.33). Nossa petição não é por que desejamos estreitar nossa vivência com o Pai amado, mas porque só um milagre pode nos livrar das enrascadas que entramos e neste particular a razão se perde em meio a alguma inquietação que não é fé e sim desespero.

Há um nominalismo mesmo para quem frequenta a igreja regularmente, pois ser cristão por concordância de pensamento não reflete nada do cristianismo real de desapegos, renúncias e repúdios aos pecados deste cosmos de regalos e extravagâncias. Existe um ceticismo mesmo para quem proclama uma fé evangélica protocolada por credos doutrinários, pois não viver em razão do Reino de Deus e a sua Justiça é a maior das descrenças, incredulidades e descabimentos de um religioso cristão. No fim deste pensamento concluo que existem os nominais pelo sentido imediato do termo – individuo que se proclama partidário somente por nome; mas o nominal que frequentando uma igreja, sendo membro de uma congregação ainda está fora da eclésia de Jesus (1 Pe 2.9).

Que o Espírito de Deus restaure nossa espiritualidade, esclareça nossas prioridades e estabeleça o verdadeiro Senhorio de Deus sobre nós.

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