Sex-Shop Gospel: uma necessidade para casais evangélicos?

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Sex-Shop Gospel

O polêmico Sex-Shop Gospel chega para apimentar a relação de casais evangélicos. Quais as consequências desse tipo de “comércio” para a vida da igreja?

Por Paulo Pontes | Seara News

Lojas de produtos eróticos para evangélicos abriram suas portas no Brasil e levantaram debate entre cristãos. Segundo os proprietários, as lojas propõem um serviço apropriado aos casais cristãos com discrição, sem imagens de nudez, e dizem não vender produtos homossexuais. Esses Sex-Shops, ao mesmo tempo em que se mostram com o objetivo de animar a relação entre os casais cristãos dividem as opiniões no meio evangélico.

Por conta do surgimento, nos últimos meses, no Brasil, de lojas de produtos eróticos para evangélicos, buscamos a opinião de pastores, líderes, casais evangélicos, e até de psicólogos cristãos terapeutas familiares sobre o assunto, objetivando esclarecer dúvidas à luz das Escrituras Sagradas, e ainda, mostrar quais as consequências desse tipo de “comércio” para a vida da igreja. Mas o estranho é que quase todas as pessoas procuradas recusaram-se a falar sobre o assunto.

Dos três que deram seus depoimentos, dois não falaram abertamente sobre o tema abordado.

Um pastor que foi entrevistado e que não quis ter o nome exposto, é líder de uma próspera Igreja, da denominação da Assembleia de Deus, em um dos bairros da capital capixaba. Ele não se posicionou totalmente contra, mas explicou que a maioria dos casais que atende em seu gabinete pastoral apresenta problemas relacionados ao ato conjugal, e, com base na experiência de aconselhamento a casais que “a maioria dos problemas entre casais evangélicos começa na cama”, afirmou o pastor, que destacou a importância da orientação e aconselhamento a casais, e da realização de eventos específicos como “Encontros de Casais”, com a aplicação de dinâmicas e brincadeiras, além de estudos e palestras ministrados com o objetivo de moldar no coração dos casais participantes o padrão de relacionamento entre os cônjuges, de forma que alcance a toda família. É como um divisor de águas no casamento, com orações e confrontos que geram conforto e promovem a cura do relacionamento.

Outro líder religioso, que também preferiu o anonimato, atuante na região metropolitana da Grande Vitória, lembrou que a Igreja Católica procura cuidar para que os noivos se preparem adequadamente para o matrimônio, e que através da Pastoral da Família organiza um curso de noivos, que procura esclarecer e aprofundar o verdadeiro sentido do casamento, levando aos noivos os principais temas da vida conjugal e familiar, refletindo sobre os desafios que envolvem a união do casal, que não deve abandonar a formação doutrinal, e nem a oração perseverante.

o pastor Leandro Ferrazoni, de Ourinhos, SP, disse que o cristão vive uma vida pautada na Palavra de Deus, e não pelos sentimentos, não é enganador, nem aproveitador, porque é dirigido pelo Espírito Santo, que só veio sobre sua vida depois de uma entrega total, renúncia de tudo. O casal cristão coloca Deus como primeiro lugar, vive pela fé, sacrifica suas vontades para agradar a Deus. E isso não significa que não desfruta de uma vida sexual sadia. Em sua opinião entende que é descabido associar o Evangelho, a vida cristã com uma loja de sex-shop, dizendo que é “sex-shop gospel”. Essa conduta como foi dita pelo próprio inventor, imitada de lojas norte americanas. E faz um alerta: “Esse tipo de conduta, de pensamento, e de artimanhas afastou a glória de Deus de muitas igrejas americanas, e agora está chegando aos crentes das Igrejas brasileiras”.

O pastor Vacilius Lima, da Iec em São Paulo, professor e escritor, formado em letras, pedagogia, mestre em teologia, e especialista em encontro de casais, solicitado a opinar sobre o assunto, respondeu com a publicação de um artigo específico em seu blog “Vivências e Pensamentos”: Pediram-me para eu opinar. Mas, acho que antes de falarmos de um lugar precisamos nos precaver de alguns perigos: O costume do casal por objetos pode alienar a relação e torná-la dependente do fetiche. A psicanálise define fetichismo como o desvio do prazer sexual para partes específicas do corpo, objetos e lugares.

É a excitação só se for com aquela fantasia, aqueles brinquedinhos ou simplesmente naquela situação. A pessoa é diminuída frente aos acessórios. O prazer não é o ser, mas o ter. É uma corrupção da essência do amor cuja proposta é se dar e não se obter.

A dependência de acessórios tende a levar a outros desvios como o infantilismo. Aquela necessidade excitante de ser tratado como bebê. Só se atinge o prazer máximo se houver chupetas e fraldas na relação.

Penso que essa alienação pode ser uma porta para a pedofilia. E mesmo que incorra nisso a relação apequena a possibilidade de um ser emancipado, livre, que se entrega.

A busca por acessórios pode criar um ambiente propício à masturbação. Por que depender de alguém para o prazer se é possível desfrutá-lo com coisas? Ainda que essas coisas sejam apenas fantasias imaginárias – aquele que se prende a essa prática se compromete profundamente consigo mesmo. Tende ser uma pessoa egoísta porque se acostumou a criar situações para si mesmo.

Então não pode nada? O casal é livre no consenso mútuo. Ambos devem se descobrir. Esse descobrimento contínuo – a vida toda está num processo – produz liberdade. Liberdade é não se prender a situações, lugares e acessórios.

Liberdade é a descoberta de "um só corpo". "Um só corpo" é a unidade espiritual "cinestesiada" no corpo que já não existe independente do outro. É a relação emancipada, aberta a descobertas, não dependente de coisas ainda que as prove.

O livro de Cantares de Salomão nos dá dicas. A celebração do amor acontece em todo lugar, no desfrute da vida toda ao redor: "Como são belas as suas faces entre os brincos, e o seu pescoço com os colares de joias." (1.10) "…o meu nardo espalhou a sua fragrância. O meu amado é para mim como uma pequenina bolsa de mirra que passa a noite entre os meus seios." (1.13) "…o seu fruto é doce ao meu paladar." (2.3) "A figueira produz os primeiros frutos; as vinhas florescem e espalham sua fragrância. Levante-se, venha, minha querida; minha bela, venha comigo." (2.13) "Você é toda linda, minha querida; em você não há defeito algum." (4.7) "Quão deliciosas são as suas carícias… Suas carícias são mais agradáveis que o vinho, e a fragrância do seu perfume supera de qualquer especiaria!" (4.10) "Que o meu amado entre em seu jardim e saboreie os seus deliciosos frutos." (4.16) "…ele é mui desejável." (5.10-16) "Vamos cedo para as vinhas para ver se as videiras brotaram, se as suas flores se abriram e se as romãs estão em flor; ali eu lhe darei o meu amor." (7.12)

O que dizer frente à Bíblia? Que o casal pode tudo o que quiser desde que se respeite e se ame a medida em que teme ao Senhor. Em havendo um casal assim é necessário ter um lugar gospel?

Qual a diferença entre um sex-shop comum e um gospel? Eu não sei. Será que haveria fantasia de pastores famosos? Rsss. Será que haveria produtos escritos: "Venha a mim. Não te lançarei fora?" Será que os atendentes cumprimentam: "Paz e prazer irmão!" Será que tem fantasia de pastor e ministra de louvor? A entrada só seria possível com a carteirinha de membro? Jovens não casados seriam proibidos de entrar? Eles receberiam uma pulseirinha: "Podemos tudo, só amanhã" e voltariam com a certidão de casamento?

Há necessidade? Não seria mais prudente usar outros meios? Hoje há produtos que podem ser encomendados pela internet e até por revistas de perfume.

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