Rio de Janeiro sedia Encontro de Pessoas com Deficiência Visual

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Evento acontece em 23 de outubro, no Instituto Benjamin Constant, com o tema “Afetos e Vínculos Familiares”.

Rio de Janeiro sedia Encontro de Pessoas com Deficiência Visual

No dia 23 de outubro, o Instituto Benjamin Constant sediará mais um Encontro de Pessoas com Deficiência Visual do Rio de Janeiro (RJ), realizado pela Sociedade Bíblica do Brasil (SBB). Com o tema “Afetos e Vínculos Familiares”, o evento visa contribuir para o desenvolvimento social e espiritual, resgate de valores e fortalecimento dos laços familiares.

“Um dos benefícios que as pessoas com deficiência visual alcançaram com esta iniciativa foi a autonomia no acesso à Bíblia, permitindo maior inclusão na sociedade e emancipação”, avalia o secretário de Comunicação e Ação Social da SBB, Erní Seibert. Por meio do programa A Bíblia para Pessoas com Deficiência Visual, a SBB distribui gratuitamente a Bíblia Sagrada em braile a mais de 2,5 mil pessoas cadastradas.

O encontro no Rio de Janeiro oferecerá uma programação cultural e interativa, focada na disseminação das Sagradas Escrituras. Entre os destaques, está a palestra “A importância dos vínculos familiares”, a cargo de Erní Seibert, secretário de Comunicação e Ação Social da SBB. Haverá também exibição do vídeo José do Egito, com audiodescrição, e apresentações musicais com o Grupo Moringas Sonoras e do pianista Severino Ramos Campelo, ambos do Instituto Benjamin Constant.

Confira a programação completa:

13h30 – Cadastramento

14h15 – Abertura e boas-vindas, com apresentação do vídeo Bíblia em Braile, com audiodescrição

14h30 – Apresentação musical – Grupo Moringas Sonoras, do Instituto Benjamin Constant

15h00 – Palestra – “A importância dos vínculos familiares” – Erní Walter Seibert

15h40 – Vídeo – José do Egito, com audiodescrição

16h10 – Apresentação musical – Pianista Severino Ramos Campelo, do Instituto Benjamin Constant

16h20 – Entrega de kits e sorteios

16h30 – Encerramento

A SBB e a Bíblia em Braile

A Sociedade Bíblica do Brasil é uma entidade beneficente de assistência social, de finalidade filantrópica, educativa, cultural e de saúde. Sua finalidade é traduzir, produzir e distribuir a Bíblia Sagrada, um verdadeiro manual para a vida, que promove o desenvolvimento espiritual, cultural e social do ser humano, provocando, assim, a transformação daquele que com ela entra em contato. Para cumprir a missão de distribuir, de forma relevante, a Bíblia a todas as pessoas, desenvolve programas de assistência social e espiritual em todo o País. Fundada em 1948, construiu sua trajetória com base na missão de “promover a difusão da Bíblia e sua mensagem como instrumento de transformação e desenvolvimento integral do ser humano”.

Composta por 38 volumes, a Bíblia completa em braile é produzida pela SBB, na Imprensa Braile, integrada à Gráfica da Bíblia – localizada na Sede Nacional da entidade, também no município de Barueri. Com texto bíblico na Nova Tradução na Linguagem de Hoje, uma tradução que adota estrutura gramatical e linguagem mais próximas da falada pelo brasileiro, foi idealizada com o objetivo de ser mais acessível à maioria das pessoas com deficiência visual, alfabetizadas em braile.

Os volumes da Bíblia em Braile são fornecidos gratuitamente pela SBB aos deficientes visuais cadastrados no programa A Bíblia para Pessoas com Deficiência Visual. Os inscritos no programa recebem um volume da publicação a cada trimestre. Ao ampliar a oferta de literatura bíblica em formato adequado para esse público, o programa tem contribuído no processo de inclusão social, desenvolvimento cultural, amparo espiritual e na reabilitação das pessoas com deficiência visual. No site www.sbb.org.br, há uma seção para o cadastramento. Informações podem ser obtidas também pelos telefones 0800-727-8888 e (11) 3474-5733.

Devido ao alto custo da publicação, para alcançar a totalidade desta população a SBB tem empreendido grande esforço no sentido de que a Bíblia em Braile esteja disponível em todas as bibliotecas públicas do País. A Bíblia em Braile completa custa R$ 1.400,00 (encadernação espiral) ou R$ 2.800,00 (com capa dura).

Depoimentos de deficientes visuais

“Antes não tinha interesse pela Bíblia. Mas, quando comecei a ler aquele livro em braile, a mensagem de Deus entrou em mim e pude encontrar o caminho certo. Em pouco tempo, as coisas mudaram para melhor. Eu era uma pessoa triste e com tendência suicida, pois perdi a visão aos 18 anos. Mas isso virou passado. Hoje tenho alegria de viver, auto-estima, confiança e uma vida inteira pela frente. E a raiz de toda essa transformação foi a Bíblia” (Elias Gomes de Oliveira, 32 anos, morador beneficiado de Mogi das Cruzes – SP).

“Receber a Bíblia em braile é a realização de um sonho que me impulsionou a aprender a ler desde que eu era criança. O meu interesse pela leitura da Bíblia é tanto que quando eu tinha 12 anos sonhava que estava lendo as passagens mais célebres do Antigo e do Novo Testamentos” (Alessandro S. Santana – Ferraz de Vasconcelos-SP).

“Fiquei muito contente por ter recebido a Bíblia em braile. Antes de me comunicar com a Sociedade Bíblica do Brasil, me sentia só, sem utilidade para nada. Agora me sinto útil” (Cristina Lau da Costa – Sertania-PE).

“É com imensa satisfação que lhes agradeço a realização de um dos maiores sonhos da minha vida, que é ler a Bíblia Sagrada” (Genilvânia de Moura – Paripueira-AL).

“A cada volume da Bíblia em braile que recebo sinto mais e mais a presença de Deus. Esta palavra é um alimento que contém todas as vitaminas necessárias para o corpo, a alma e o espírito. A Bíblia é como um mapa, que alguém usa para encontrar um lugar desejado. Ela nos indica o caminho, nos ilumina, nos guia e nos informa como podemos encontrar a solução para vencer as dificuldades do dia-a-dia. Todo dia leio um pouco. Isso me faz feliz, pois antes eu não tinha esse pão” (Clair Sérgio Figueiredo – Guarapuava-PR).

O deficiente visual no Brasil

Segundo estimativa da Organização Mundial de Saúde, 1% da população do Brasil é formada por deficientes visuais, ou seja, 1,7 milhão de pessoas. No entanto, dados do Censo demográfico do ano 2000 apontam para números diferentes. De acordo com o estudo realizado pelo IBGE, há 11,8 milhões de brasileiros com deficiência visual, dos quais cerca de 160 mil possuem incapacidade total de enxergar.

O deficiente visual enfrenta inúmeros obstáculos em seu processo de inclusão na sociedade, sendo para eles ainda mais difícil o acesso à informação, educação, cultura e ao mercado de trabalho. Entre os fatores de exclusão social do deficiente visual, destaca-se a reduzida oferta de literatura em braile, que é o sistema de escrita e leitura que se adéqua às suas necessidades.

O método braile

Conhecida também com a “escrita a branco”, o braile há mais de 150 anos se constituiu na linguagem para ler e escrever utilizada pelas pessoas com deficiência visual em todo o mundo. Criado em 1825 pelo francês Louis Braille – que na época tinha pouco mais de 15 anos – o método foi apresentado por ele quatro anos depois. Nascido na pequena aldeia francesa de Coupvray, em 1809, Braille tem uma história inspiradora e admirável: um acidente tornou-o aos três anos de idade incapaz de enxergar. Logo se adaptou à nova realidade e, para acompanhar as aulas e fixar as matérias, o menino decorava e recitava as lições.

Em 1819, aos dez anos, ávido por conhecimento, consegue uma bolsa de estudos e ingressa no Instituto para Jovens Cegos de Paris. Lá começa a aprender a ler por meio da impressão de textos em papel, que permitia dar relevo às letras. Embora possibilitasse a leitura, na hora de escrever o método tornava-se impróprio. Diante das dificuldades o jovem passou a pesquisar novos sistemas e se interessou por um criado pelo capitão Charles Barbier de La Serre, também baseado em relevo, conhecido como “escrita noturna”, usada para transmissão e leitura de mensagens secretas militares, durante a noite. A partir daí, Louis Braille foi aperfeiçoando o método e, em 1829 publicou o primeiro manual detalhando o seu próprio sistema de leitura, conhecido mundialmente como “Método Braille”. Em 1852, Louis Braille morre deixando um importantíssimo legado.

O Alfabeto Braille

O braile é um sistema que combina seis pontos. Conforme sua disposição no papel, eles representam determinado símbolo ou letra. Como os pontos ficam em alto relevo, é possível, através do tato, ler o que está escrito. Os pontos são dispostos num “retângulo”, conhecido por “Cela Braille”. Do seu lado esquerdo ficam, um abaixo do outro, os pontos 1, 2 e 3; e no direito, ficam os pontos 4, 5 e 6:

alfabeto-braile2

A diferente disposição desses seis pontos permite a formação de 63 combinações ou símbolos braile:

alfabeto-braile1

O braile é empregado por extenso ou de forma abreviada, adotando-se códigos especiais de abreviaturas para cada língua ou grupo linguístico. É aplicado à estenografia, à música e às notações científicas em geral, através do aproveitamento das 63 combinações. Além disso, uma de suas principais vantagens é possibilitar que o deficiente visual escreva com mais facilidade, com o auxílio da reglete e do punção.

Encontro de Pessoas com Deficiência Visual do Rio de Janeiro (RJ)

Data: 23 de outubro de 2014

Horário: 13h30

Local: Instituto Benjamin Constant

Av. Pasteur, 350/368 – Urca

Rio de Janeiro – RJ

Inscrições: 0800 -727 -8888

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Com informações do CPAD News e da SBB

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