Reflexões, desafios e propostas para a igreja brasileira no século 21
By Thoranin Nokyoo | Shutterstock

A restauração da Igreja não passa por reinvenção de métodos e busca por estratégias

Texto bíblico base: 2 samuel 1.3,4,11,12,17-19

O presente esboço de sermão está estruturado de forma bem simples. Basicamente, ele apresenta sete grandes desafios para a Igreja no século 21 e sete propostas a esses desafios.

Trata-se também de um esboço de sermão temático, que encontra no texto bíblico supracitado uma base para o seu desenvolvimento.

1. A graça e o perdão em lugar da vingança

Davi não comemora a morte de seu algoz, que tanto o perseguiu. Longe disso, ele lamenta profundamente sua tragédia.

Convivemos com cristãos que se regozijam com a queda alheia e usam falhas pontuais de outros servos de Deus esquecendo-se de toda a contribuição que deram para o Reino.

É necessário baixar as armas, deixar cair as pedras e oferecer o perdão e a graça de Deus que curam e restauram.

2. O reconhecimento a despeito das falhas pessoais

Infelizmente, Davi é sempre lembrado por seu pecado de adultério, mas a Bíblia nos revela ou nos descreve um Davi para muito além de uma falha moral grave.

Davi também é o homem que lamenta a morte daquele que tanto lhe perseguiu, procurando matá-lo e fazer-lhe mal.

A despeito disso tudo, Davi honra a memória de Saul!

3. Humanização em lugar de fórmulas prontas

Davi demonstrou grande humanidade ao sentir profundamente a morte de Saul e de seu amigo Jônatas, com quem havia compartilhado dificuldades em tempos passados.

Como cristãos, compete a nós, hoje, lamentar pelos que caem, não vibrar com sua queda. Muitas questões que envolvem a vida são complexas e precisam ser cuidadosamente olhadas.

Infelizmente, a Igreja tem convivido com fórmulas prontas. Vemos essas fórmulas prontas expressas em frases como “Divórcio é pecado”, “Quem não dizima é ladrão”, “Você vai vencer sempre”, que são fórmulas que não consideram contextos e circunstâncias que envolvem as pessoas.

4. Equilíbrio em lugar de ativismo ministerial

É possível trabalhar para Deus e não ser seu amigo. É possível trabalhar para Deus e até mesmo não desfrutar de comunhão com Ele.

Excesso de atividades ministeriais não é, necessariamente, sinônimo de saúde espiritual.

Deve-se pensar no futuro, na possibilidade de conciliar ministério e vida profissional, objetivando construir alguma estabilidade para si e para a família.

Infelizmente, há muitos cristãos sinceros que passam dificuldades porque não se planejaram para o futuro, tendo dedicado toda sua vida ao ministério.

5. Apologética do amor em lugar da apologética que vence o debate

Tornou-se comum o debate, a autoafirmação religiosa e teológica e o ato de sobrepor ortodoxia às pessoas.

É preciso cultivar uma apologética do diálogo, da graça, que não ataca e desrespeita outras tradições, mas que simplesmente apresenta Jesus e as doutrinas da fé cristã histórica, entendendo que quem convence o pecador é o Espírito Santo.

6. O esvaziamento da pregação pentecostal

Convivemos com sermões insípidos e totalmente desconexos da vida real das pessoas.

Infelizmente, nossos púlpitos encheram-se de sermões carregados de emocionalismo barato, de chavões e frases prontas, não refletidas e que não provocam reflexão.

A pregação evangélica precisa ter como paradigma o Senhor Jesus Cristo, que falava para a vida e a partir da vida.

7. Ética mais que a estética

O movimento evangélico não fugiu à tendência da Pós-modernidade no sentido de valorizar mais a estética que a ética.

O Cristianismo, contudo, deve preocupar-se mais com o conteúdo do que com o exterior.

Exterior visualmente agradável que não é resultado de um coração transformado é só um personagem procurando agradar os telespectadores.

Conclusão

Mais que simplesmente realçar problemas e criticar pessoas, precisamos propor saídas à luz do Evangelho de Cristo.

Se volvermos nossos olhos para a pureza do Evangelho de Cristo certamente superaremos muitos desses desafios que hoje se consolidam diante de nós.

Nos evangelhos (Mateus, Marcos, Lucas e João) temos descrita a vida do Senhor Jesus, que continua sendo nosso Paradigma e o cabeça da Igreja, a quem devemos seguir e amar.

A restauração da Igreja não passa por reinvenção de métodos e busca por estratégias, mas sim, pelo simples seguimento do Nazareno.


DEIXE UM COMENTÁRIO
Siga Seara News no Twitter, no Facebook e Instagram
“O primeiro portal cristão no Estado do Espírito Santo”
.
Seara News 25 anos

1 COMENTÁRIO

  1. Excelentes palavras, desafios imensos que nós, como igreja, precisamos combater veemente ensinando e educando nossos obreiros e auxiliares (principalmente os mais novos) nos cultos doutrinários, EBD e em seminários a nível de campo. A mudança está em nós primeiramente.

ESCREVA UM COMENTÁRIO

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui