Rebelião é um processo político-militar

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Rebelião

Por Robson Aguiar

Para compreendermos melhor o assunto, se faz necessário entendermos o que é rebelião. Segundo encontramos nos dicionários seculares rebelião é um processo político-militar em que um grupo de indivíduos decide não mais acatar ordens ou a autoridade de um poder constituído. Ainda pode-se atrelar ao termo rebelião a conspiração.

Mas, conforme constatamos na bíblia, a rebelião começou ainda na eternidade, quando um dos anjos de Deus de maior destaque, o qual era Querubim rebelou-se contra Deus.

Contudo antes de entrarmos em detalhes, aprendamos o que é um Querubim (do Hebraico כרוב – "keruv" ou do plural כרובים – keruvim) Pelos textos que se seguem, notamos como esse ser era importante no céu:

"Farás também dois querubins de ouro; de ouro batido os farás, nas duas extremidades do propiciatório. Farás um querubim na extremidade de uma parte, e o outro querubim na extremidade da outra parte; de uma só peça com o propiciatório, fareis os querubins nas duas extremidades dele. Os querubins estenderão as suas asas por cima, cobrindo com elas o propiciatório; as faces deles uma defronte da outra; as faces dos querubins estarão voltadas para o propiciatório. E porás o propiciatório em cima da arca, depois que houveres posto na arca o testemunho que eu te darei. E ali virei a ti, e falarei contigo de cima do propiciatório, do meio dos dois querubins (que estão sobre a arca do testemunho), tudo o que eu te ordenar para os filhos de Israel" (Êxodo 25.18-22).

"O SENHOR reina; tremam os povos. Ele está assentado entre os querubins; comova-se a terra" (Salmo 99.1).

Foram bordados querubins também nas cortinas e nos véus do Tabernáculo, bem como nas paredes do Templo (Êxodo 26.31 e II Crônicas 3.7).

Então vemos que ele não era um anjo qualquer, tinha certo destaque, apesar de aparentemente o Arcanjo, na hierarquia angelical estar acima dele e dos demais.

Mas, o que levou aquele Anjo a rebelar-se? A bíblia nos dá a razão da revolta lucifênica. Em primeiro lugar veio a soberba: “Já foi derrubada na sepultura a tua soberba com o som das tuas violas; os vermes debaixo de ti se estenderão, e os bichos te cobrirão”.

Isaias 14.11 – Iniqüidade: “Perfeito eras nos teus caminhos, desde o dia em que foste criado, até que se achou iniqüidade em ti”.

Ezequiel 28.15 – Exaltação: “Pela extensão da tua sabedoria no teu comércio aumentaste as tuas riquezas; e eleva-se o teu coração por causa das tuas riquezas”.

Ezequiel 28.5 – Porfia: “Subirei sobre as alturas das nuvens, e serei semelhante ao Altíssimo”.

Deus reprimiu com rigor a rebelião de satanás e seus anjos, de maneira que não houve sequer uma negociação. A punição foi imediata e exemplar. Deus não negociou com os rebelados. Enviou o seu principal guerreiro, Arcanjo Miguel, e repeliu do seu reino o conspirador.

No Estatuto divino, não havia espaço para que lúcifer apresentasse suas razões para tal rebelião. Quem sabe, se ele fosse se defender, não diria a Deus: “Eu não queria me rebelar, foi um mal entendido” ou “Isso é calúnia e difamação, eu jamais faria isso”. Só, que para o Deus que tudo sabe e tudo vê, não havia como enganá-lo. Logicamente, que no âmbito da igreja, uma denuncia de rebelião precisa ser investigada, pois somos humanos e podemos ser injustos em nossos juízos.

Então vemos que o assunto tem origem ainda na eternidade e com seres que tinham tudo para viverem em paz e harmonia. No entanto, por causa da soberba, iniqüidade, exaltação e porfia, resolveram sair do lugar da benção, achando que seriam bem sucedidos em sua revolta.

Mais na frente vemos mais um exemplo de rebelião e suas conseqüências:

"E Coré, filho de Jizar, filho de Coate, filho de Levi, tomou consigo a Datã e a Abirão, filhos de Eliabe, e a Om, filho de Pelete, filhos de Rúben.E levantaram-se perante Moisés com duzentos e cinqüenta homens dos filhos de Israel, príncipes da congregação, chamados à assembléia, homens de posição,E se congregaram contra Moisés e contra Arão, e lhes disseram: Basta-vos, pois que toda a congregação é santa, todos são santos, e o SENHOR está no meio deles; por que, pois, vos elevais sobre a congregação do SENHOR? Quando Moisés ouviu isso, caiu sobre o seu rosto (Nm 16.1-4).

O fim dessa história está no mesmo capítulo.

“E a terra abriu a sua boca, e os tragou com as suas casas, como também a todos os homens que pertenciam a Coré, e a todos os seus bens” (v. 32).

“E os que morreram daquela praga foram catorze mil e setecentos, fora os que morreram pela causa de Coré” (v.49).

Com Absalão, filho de Davi, não foi diferente. Apesar de ter sido perdoado pelo pai pelo mal que fez ao seu irmão. Na primeira oportunidade que teve, foi a porta do palácio, logo cedo e com ele 50 homens, para abordar aqueles que vinham ter com o Rei Davi, simplesmente para falar mal do pai, para mentir a seu respeito, para seduzir com abraços e falsos beijos e para fazer promessas de campanha para ser o novo monarca de Israel. Seu fim, também não foi diferente de Coré, conforme o texto sagrado (II Samuel 1.1-6; 18.14).

Bem, e hoje, o que leva tantos membros e obreiros a se rebelarem contra os seus superiores? Por que, a cada dia vemos esse problema ressurgir no seio da igreja?

Em particular, acho que os motivos continuam o mesmo, ou seja, soberba, iniqüidade, exaltação e porfia.

Os rebelados esquecem quem foi o vaso que Deus usou para lhes ajudar, quem lhes deu a mão, quem lhes consagrou, quem lhes confiou igrejas para pastorearem. Quando percebem que a igreja está crescendo, que as finanças estão aumentando, que o status social do obreiro está cada vez maior, então começam a tratar com indiferença seu líder, a criticá-lo por trás, e até a jogar a igreja contra aquele que ele deveria estar defendendo, como seu fiel representante. Tudo isso, com o intuito de juntar sua terça parte de membros para também rebelar-se.

Mas, também as igrejas têm seus estatutos, que estão atrelados aos estatutos da sua Convenção Estadual e Geral (no caso das Assembléias de Deus). E nestes Estatutos está previsto também o tratamento que deve ser dado aos que se rebelam contra a Igreja, representada no seu pastor. Exclusão é a sentença. Embora, que o acusado tenha direito a ampla defesa, se for constatada a rebelião ele será excluído do rol de convencionais, Uma vez excluído da convenção estadual a que pertence o ministro, será excluído também da Convenção Geral. Se ele quiser retornar ao quadro de ministros terá que se reconciliar com a igreja ofendida. No caso do diabo a punição foi eterna, mas, para os homens ainda se dá oportunidades.

Deus compara a rebelião ao pecado de feitiçaria, “Porque a rebelião é como o pecado de feitiçaria, e o porfiar é como iniqüidade e idolatria. Porquanto tu rejeitaste a palavra do SENHOR, ele também te rejeitou a ti, para que não sejas rei” (I Samuel 15.23).

Conclusão e conselho:

Se alguém não está satisfeito com a direção de sua igreja, melhor pedir carta de recomendação e procurar uma congregação segundo o seu coração, do que pecar rebelando-se. Quando for embora, não faça feito Coré e Absalão, não junte ninguém com você, pois caracterizará motim, rebelião. Vá sozinho, é mais ético. Ao chegar em outra igreja, não fale mal da sua antiga congregação, isso não é bíblico, não edifica, nem justificará sua ação. Simplesmente seja crente aonde você estiver. Então Deus será contigo e te abençoará.

Pr. Robson Aguiar

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