Quando crimes são praticados atrás da máscara da religião
Imagem meramente ilustrativa | Reprodução Internet

Em estado de depravação total o ser humano está sujeito a toda sorte de vilezas morais

Rev. Hernandes Dias Lopes

A imprensa brasileira estampou nos últimos dias de agosto de 2020 dois personagens do universo evangélico brasileiro, com projeção na política nacional, denunciados como protagonistas de supostos crimes que chocaram o país. Temos consciência que o ser humano, em estado de depravação total, está sujeito a toda sorte de vilezas morais e não raro imiscui-se em práticas reprováveis. A denúncia de supostos crimes de corrupção e assassinato, entretanto, não foi praticada por pessoas avessas à religião, mas por líderes religiosos que granjearam certa notoriedade no cenário nacional. Esses escândalos ocorridos ensejam-nos três alertas:

A malignidade do pecado

O pecado é muito sutil. Ele aninha-se primeiro no coração. No começo parece um fiapo podre, mas depois torna-se correntes grossas. No começo é apenas um filete d’água, depois vira um oceano. Um abismo vai chamando outro abismo. O pecado vai tomando conta da mente, das emoções e vai, também, determinando o comportamento. O pecado é maligníssimo. É o pior de todos os males. É pior do que a própria morte. O pecado afasta o ser humano de Deus, rompe sua comunhão com o próximo e destrói a vida por dentro. A ganância torna os homens amantes do dinheiro e por amor ao dinheiro, a raiz de todos os males, homens que se diziam honestos, envolvem-se com esquemas de corrupção, assaltam os cofres públicos, buscam enriquecimento ilícito e maculam a honra do evangelho. Pessoas que outrora acenavam ser protagonistas de caridade, passam a amar o poder, a gostar dos holofotes e para alcançar seus interesses, dispõem-se, inclusive, a eliminar qualquer pessoa que se interponha em seu caminho, ainda que seja alguém da própria família. Oh, acautelemo-nos da malignidade do pecado!

A insaciabilidade da cobiça

A cobiça é a mãe de muitos outros pecados. Nesse ventre maldito são gestados desejos perversos. Ali se aninham víboras peçonhentas que picam como basilisco. Aqueles que não se contentam com o que têm, vivem insatisfeitos e jamais se fartam. São sempre ávidos por terem mais, por querem mais e, para alcançar esses anseios egoístas, fecham os olhos à sensatez, tapam os ouvidos à voz da justiça e avançam, açodadamente, contra a vida, a honra, os bens, o nome e a família do próximo. Para consumar seus propósitos nefastos, fazem aliança com comparsas da mesma laia, e assim, na mesma medida que conservam as máscaras da religiosidade, como ratazanas esfaimadas, mordem sem piedade os parcos recursos que deveriam assistir os necessitados e afastam de seu caminho, com requinte de crueldade, qualquer pessoa que possa contrariar seus escusos e inconfessos interesses.

A inevitabilidade das consequências

Toda causa tem um efeito. Todo crime tem uma consequência. O engano do pecado, porém, torna a pessoa cega e seus praticantes destituídos de racionalidade. O transgressor imagina que não será apanhado na prática de seus desvios. O pecado, porém, vai cobrar de seus súditos um preço mais caro do que gostariam de pagar, vai levá-los mais longe do que gostariam de ir e vai retê-los mais tempo do que gostariam de ficar. O pecado produz vergonha e opróbrio. O dinheiro roubado torna-se combustível para a destruição daquele que o surrupiou. O sangue derramado torna-se uma voz a ressoar nos ouvidos de Deus, clamando justiça. A verdade dos fatos é que o crime não compensa. Ele destrói tanto aquele contra quem é praticado como aquele que o pratica. O crime, porém, é mais perverso e mais escandaloso quando praticado em secreto por aqueles que o condenam em público. O crime é mais trágico em seus efeitos quando é manejado pelas mãos daqueles que se dizem cristãos, pois ao praticarem o que condenam, abrem caminho para que o nome de Deus seja blasfemado entre os descrentes.

Que Deus tenha misericórdia de nós, livrando-nos de tropeços e escândalos. Que Deus tenha misericórdia de sua igreja, para que ela não seja levedada pelo fermento da hipocrisia. Que Deus tenha misericórdia da nossa nação, para que nessa terra jamais prospere a injustiça e a violência. Que Deus nos livre, sobretudo, daqueles crimes que vêm acobertados pelo manto da religião.

Rev. Hernandes Dias LopesRev. Hernandes Dias Lopes
Natural de Nova Venécia-ES, casado com Udemilta Pimentel Lopes, pai de Mariana e Thiago. Bacharel em Teologia no Seminário Presbiteriano do Sul em Campinas-SP, e Doutor em Ministério pelo Reformed Theological Seminary, em Jackson, Mississippi, nos Estados Unidos. Foi pastor da Primeira Igreja Presbiteriana de Bragança Paulista no período de 1982 a 1984 e desde 1985 é o pastor titular da Primeira Igreja Presbiteriana de Vitória. Também é membro da Academia Evangélica de Letras do Brasil, diretor executivo da Luz para o Caminho e pastor colaborador da Igreja Presbiteriana de Pinheiros em SP. É conferencista e escritor, com 150 livros publicados.

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