Produção do bombom Serenata de Amor pode sair da Garoto

 

Segundo colunista, intenção da Nestlé é solucionar entrave com o Cade. Com isso, a multinacional abriria mão de marcas importantes

Para resolver de vez o impasse com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) sobre a fusão com a Garoto, que se arrasta desde 2002, a Nestlé trabalha com uma possibilidade polêmica, pelo menos para os capixabas. Vender uma das marcas mais famosas da fábrica sediada em Vila Velha: o Serenata de Amor, bombom carro-chefe da empresa. A informação é do colunista de O Globo, Lauro Jardim.

A intenção da Nestlé para solucionar o entrave com o Cade é abrir mão da liderança de mercado, passando a ser a vice-líder. Para isso, a Nestlé teria que abrir mão de marcas importantes.

Hoje, Nestlé (20%) e Garoto (23%) somadas são donas de 43% de participação, de acordo com dados da Euromonitor. A Mondelez (Kraft) vem em seguida, com 31%.

Produção do bombom Serenata de Amor pode sair da Garoto“O bombom Serenata de Amor pode sair da linha de produção da Garoto para ser produzido por outra marca”

 

Negociações

Em maio, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) anunciou que reabriu negociações com a Nestlé para tratar da fusão da empresa com a Garoto.

Em 2004, o conselho vetou a compra da Garoto pela Nestlé, anunciada dois anos antes, sob o argumento de que prejudicava a concorrência no mercado doméstico de chocolates. Desde então, a Nestlé vem recorrendo à Justiça contra a decisão

O Cade informou que recebeu da Nestlé Brasil uma “proposta de solução” para o impasse, em que “a empresa se compromete a assumir um conjunto de obrigações estruturais e comportamentais, incluindo preocupações sociais”. Entretanto, os termos da proposta da Nestlé são mantidos sob sigilo.

Com a retomada das negociações, Cade e Nestlé pediram a suspensão da ação judicial que discute o caso, em tramitação no Tribunal Regional Federal da 1ª Região, “até decisão definitiva do conselho”.

“Tendo em vista o histórico de mais de 14 anos desse caso, o estágio do processo judicial e a existência de um novo marco legal do antitruste no Brasil, o Cade, após uma avaliação inicial fundamentada por pareceres técnicos, considerou pertinente analisar a referida proposta”, informou o conselho, em nota.

Mudanças no mercado

Para propor a retomada das negociações com o Cade, e tentar uma solução não judicial para a disputa, a Nestlé alega que as alterações ocorridas no mercado brasileiro de chocolates desde 2004, ano em que o conselho decidiu vetar a fusão, foram muito profundas. Por isso, diz a empresa, a decisão final da Justiça sobre o caso dificilmente teria “eficácia ou utilidade necessárias para atender ao interesse”.

O Cade, por sua vez, acatou o pedido da empresa e reabriu as negociações com base em um artigo de seu regimento interno que prevê que o conselho poderá reapreciar um veto seu a uma fusão, a pedido, desde que seja apresentado “fato ou documento novo” capaz de alterar a decisão.

O parágrafo único do artigo estabelece que, nestes casos, serão considerados somente fatos ou documentos “pré-existentes, dos quais as partes só vieram a ter conhecimento depois da data do julgamento, ou de que antes dela estavam impedidas de fazer uso, comprovadamente”.

Fonte: Gazeta Online

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