Proclamação Integral

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Por Josué Batista

“Percorria Jesus toda a Galiléia, ensinando nas sinagogas, pregando o evangelho do reino e curando toda a sorte de doenças e enfermidades entre o povo. E a sua fama correu por toda a Síria; trouxeram-lhe, então, todos os doentes, acometidos de várias enfermidades e tormentos: endemoninhados, lunáticos e paralíticos. E Ele os curou.” (Evangelho de Mateus 4:23-24).

Proclamação Integral

Hoje mais do que nunca se faz necessário cumprirmos o Ide do mestre, cumprindo assim nossa missão principal como Igreja de Jesus: Proclamar o Reino de Deus “a toda criatura”.

Em certa ‘dispe(se)nsação’, a Igreja esteve focada exclusivamente na salvação da alma humana. Suas mensagens estavam direcionadas para o além, ou seja, preparar o homem para morrer e ir para o céu. Falava-se mais fortemente ao Espírito humano. Ultimamente, nesta “dispe(se)nsação’, a mensagem da Igreja tem se direcionado à alma humana e seus sentimentos, dando lugar até mesmo a mensagens motivacionais e correlativas. Também é fato que, principalmente no meio pentecostal, as necessidades materiais, do corpo, também tem sido lembradas, seja através da teologia da prosperidade ou mesmo do marketing publicitário de milagres. Segundo Paulo, o apóstolo, “importa que o evangelho seja pregado”, ou seja, que a salvação em Cristo Jesus seja proclamada. Mas o Senhor Jesus mesmo, que é o maior interessado nisto, é quem tem muito a nos ensinar.

Jesus exerceu seu ministério na unção do Espírito Santo e com autoridade baseada na coerência da sua pregação e do seu ensino, pois seu ministério sendo integral e integrado aliava proclamação à ação, preocupando-se sempre em ministrar ao espírito (“endemoninhados”), à mente (“lunáticos”) e ao corpo dos homens (“paralíticos”).

O Mestre Jesus não despedia a multidão faminta, mas, por duas vezes, vendo sua necessidade, multiplicou o alimento material, os pães e os peixes.

Jesus amava as crianças e se alegrava na convivência social das pessoas, como nas Bodas, quando transformou a água em vinho. Ele condenava o pecado, amando o pecador, vencia as barreiras dos preconceitos, alimentando-se acercando a mesa com ricos e pobres, convivendo com colaboracionistas e nacionalistas. Procurando recuperar cada homem.

Ministrava a adúlteros e a samaritanos, procurando integrar o homem como um todo, independente das circunstâncias em que vive, com suas carências e limitações. Jesus, um homem de seu tempo, que entendia, amava, e cuidava de seu povo. Não foi Jesus o “meigo nazareno” ou o “pálido galileu”, mas um homem másculo, corajoso e destemido, diferente da imagem deturpada de poetas e pintores.

Ele foi duro com a elite religiosa e nacionalista dos fariseus. Àqueles legalistas, muito religiosos, julgadores do próximo, Ele os chamou de “hipócritas”, “cegos”, “serpentes”, “raça de víbora”, e o disse em discursos públicos (Mateus 23). É o Jesus que expulsa os cambistas do templo e derruba suas mesas. Não bajulou os políticos, mas foi incisivo com o rei: “Naquela mesma hora alguns fariseus vieram para dizer-lhe: Retira-te e vai-te daqui, porque Herodes quer matar-te. Ele, porém lhes respondeu: Ide dizer a essa raposa que hoje e amanhã expulso demônios e curo enfermos, e no terceiro dia terminarei” (Marcos 13.31-32). Mais uma vez vemos o Mestre dar solução espiritual (“expulso demônios”), solução material (“curo enfermos”) e solução eterna (“no terceiro dia terminarei” – referindo-se, profeticamente, à conclusão do seu ministério terreno e sua missão principal: morte expiatória seguida de sua ressurreição no terceiro dia).

Mesmo no término de seu ministério terreno, quando em Betânia Jesus é ungido por Maria, com um caríssimo bálsamo de nardo puro, prefigurando a unção de seu cadáver a ser embalsamado, Ele demonstra preocupação com as necessidades materiais presentes ao responder ao protesto de Judas: “Porque não se vendeu este perfume por trezentos denários, e não se deu aos pobres? …porque os pobres sempre tendes convosco, mas a mim nem sempre me tendes” (João 12.1-8). Esta expressão de Jesus tem sido muito usada, porém erroneamente, pelos politicamente conservadores e conformados, pois o que o Mestre está citando é a palavra do Antigo Testamento que diz: “Pois nunca deixará de haver pobres na terra: por isso eu te ordeno: Livremente abrirás a tua mão para o teu irmão, para o necessitado, para o pobre na terra” (Deuteronômio 15.11). Logo, o texto não é uma justificativa de uma ordem social injusta, um fatalismo diante da pobreza, mas uma constatação da existência da pobreza (a partir da realidade do pecado) e uma ordem para a caridade e a solidariedade. Porque os pobres existem é que somos instados a ajudá-los.

Porque as necessidades materiais existem é que somos enviados a dar-lhes solução. É mandamento do Senhor, e em que também há promessa: “O que se compadece do pobre empresta a Deus, que retribuirá o seu benefício” (Provérbios 17.19). Sigamos o Exemplo do Mestre!

Pr. Josué Batista
Pastor da Assembléia de Deus Eklesia
Presidente da ABM EKLESIA – Associação Beneficente Mundial

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