Porque Deus não nos livra de algumas tragédias?

Porque Deus não nos livra de algumas tragédias?

2019 começou sendo um ano calamitoso!

Peço sua gentileza para antes de prosseguir, ler esse texto bíblico de Lucas 13:1-9 (clique no link).

Só os acontecimentos mais recentes:

  • Desastre em Brumadinho (mês passado) onde mais de 160 pessoas morreram e tantos outros ainda permanecem desaparecidos (já morreram e seus corpos ainda nem sequer foram encontrados);
  • Chuvas no Rio de Janeiro (semana passada) mais 6 mortos;
  • Troca de tiros entre policiais e bandidos em periferia do RJ (fim de semana) mais de 12 mortos;
  • Incêndio no C.T do Flamengo (semana passada) mais 10 mortos (a maioria eram adolescentes e jovens que estavam começando a realizar seus sonhos – tinham uma vida toda pela frente);
  • Ex-cantora gospel assassinada em Guarapari;
  • Um inocente presbítero de uma AD em Cariacica assassinado indo para o trabalho;

A lista não para e o ano de 2019 está só começando – que Deus nos livre e nos guarde!

Acidentes de trânsito e aéreos, latrocínios, explosões, doenças incuráveis, vírus, desastres naturais tudo acontecendo com quem é crente e com quem não é. Gente morrendo todo dia de forma abrupta e inimaginável.

Na desventura, todos são iguais e encontram-se numa mesma posição – a de mortais que são e serão envoltos pelas teias da morte que apanha de forma súbita, violenta e funesta (não há, infelizmente para a maioria das pessoas envolvidas num desastre algum tipo de livramento, escape ou algo sobrenatural que os salve).

Podemos retrucar: mas alguém sobreviveu, já é um milagre? Não estou eliminando o irrecusável livramento – estou dizendo que nem todo mundo vai experimentar uma salvação da morte física. A verdade é que gente continuará sendo apanhada por um sinistro súbito, cruel com quem vitimiza e impiedoso com quem deixa sofrendo (familiares e amigos) todos os dias.

Mas, porque Deus não salva os homens de algumas de suas dolorosas tragédias? Discussões à parte, Deus salva e livra gente e a gente todo dia!

Faz-se necessário afirmar que Deus não é o culpado pelas catástrofes humanas.

19 de setembro de 1981 entre 200 a 300 pessoas morreram num grave acidente fluvial ocorrido com o navio Sobral Santos em Óbidos, Pará. Segundo a versão mais aceita, o que causou o naufrágio foi o deslocamento de cargas composta por caixas de cervejas e refrigerantes, ocasião que passageiros desembarcavam em Óbidos e outros passageiros se dirigiam até a lateral do navio, com esse deslocamento para a lateral, o Sobral afundou rapidamente nas águas barrentas do grande Rio Amazonas. A maioria dos passageiros morreram prensados por grades de cerveja, refrigerantes e fardos de farinha. Resumindo: havia superlotação no Navio e mais uma vez – Deus não pode ser responsabilizado!

Em 29 de setembro de 2006, 154 pessoas morreram num dos piores acidentes aéreos do Brasil. O Jato Legacy-600 pilotado por americanos – atingiu a parte inferior de um Boeing 737 da Gol que caiu em plena floresta amazônica. Após investigações da FAB constatou-se que foram os pilotos do Legacy a desligar instrumentos de navegação e que um controlador de voo brasileiro ignorou normas de segurança – daí o desastre nos ares aconteceu. A falha não foi de Deus!

Na tragédia em Brumadinho, já circula nos noticiários que há provas de que a mineradora responsável pela represa de rejeitos – sabia do elevado risco que a mesma representava e o assumiu irresponsavelmente (pagou pra ver) e com isso, permitiu literalmente que vidas preciosas fossem levadas pela lama colossal de sua própria ganância. Mais uma vez: não foi Deus o culpado!

A maioria de nossas tragédias poderiam ser evitadas se procedimentos, manutenções e responsabilidades – fossem devidamente seguidos, feitas e levadas a sério – Deus não pode ser culpado por nossa imprudência e lambaceira inconsequência.

Mas, e Deus, não os poderia livrar? Sim, poderia! Mas como na cruz Ele também não livrou seu filho da morte (Mt 27.46), sua Soberania prevalece – e quem sou eu ou você para dizermos o contrário (e olha que eu nem não sou calvinista). A fim de corroborar com o que eu expus neste parágrafo, leia Romanos 11.21-22.

Deus não é mal, não é indiferente e muito menos um psicopata que sente prazer no sofrimento de meros mortais. Ele não tem prazer na morte dos ímpios (Ez 33.11). E a morte existe porque pecou o nosso pai Adão (Rm 5.12) e não por um capricho Divino. Na verdade, Deus pelo seu amor traçou um plano em que no fim – a morte será vencida (1 Co 15.54) e assim, o Senhor enxugará de nossos olhos toda a lágrima (Ap 21.4).

O texto do início desta reflexão (Lc 13.1-8) remete a fatos da existência humana:

1) Tragédias das mais variadas e horríveis podem acontecer com qualquer ser humano em qualquer hora e lugar. Vejamos o relato textual:

a) Os galileus foram assassinados na hora do culto (eles estavam oferecendo sacrifícios a Deus no templo quando os soldados de Pilatos os mataram). O ocorrido remetia a lembranças horríveis – sangue dos ofertantes misturado e escorrendo com o sangue dos animais sacrificados.

b) Acidentalmente 18 pessoas morreram pelo impacto e soterramento dos escombros advindos da queda da torre de Siloé. Essa é uma tragédia citada diretamente por Jesus e é significativo observar como Ele tratou do caso.

2) Nenhuma vítima de qualquer tragédia pode ser considerada maior pecadora, apenas por experimentar um infortúnio. Jesus não explicou a razão pela qual as desgraças acontecem – Ele apenas ratificou que acontecem e pronto. Portanto, segundo Jesus – flagelos não acontecem por que as vítimas são mais pecadoras que as pessoas que continuam vivas – isso é importante frisar.

3) A condição do ser humano vivo é extremamente perigosa conforme o texto. A mesma possibilidade de morte natural ou acidental continua pra quem está respirando.

Jesus prossegue e relata que pesa sobre os vivos a expectação de um inesperado fatal – mas transcende que além disso, existe uma condenação eterna para todos nós se não houver arrependimento.

4) Os que sobreviveram a uma calamidade e nós que estamos vivos – estamos tendo literalmente uma grande chance (a adubação da figueira). São as misericórdias do Senhor que nos livram da morte todos os dias (Lm 3:22; 1 Sm 20d); é a Sua benignidade que nos salva mesmo sem sabermos (Sl 91.3-7); mas Ele, apesar de longânimo também é justo (1 Pe 3.20).

5) De modo inexplicado em qualquer teologia – Deus em algum momento de nossa vida, busca frutos em nossa existência – e, quando não os acha – permite o corte da “figueira”. Não é possível determinar tempo e situação para tal – mas, fato é que todos morreremos (se Jesus não voltar para seu povo) e aí é onde chega o ponto alto do texto em questão.

6) A condição escatológica dos seres humanos não está explícita nesta fala de Jesus – mas, fica subtendido que se o Salvador fala de arrependimento – ele objetiva o efeito do mesmo – mudar a direção da vida – reapontá-la para a presença de Deus – e usufruir de Sua graciosa salvação.

Diante disso, posso dizer que Deus nos dá vida para a vivermos bem enquanto aqui estivermos (Ec 3.13); mas, sobretudo, para nesta vida nos voltarmos para Ele enquanto estamos vivos (Hb 9.27).

Já que estamos vivos – precisamos nos arrepender e voltarmos para Deus. A única certeza que temos é que estamos vivos agora – e por garantia é preciso estar seguro do perdão e da salvação de Deus no dia de hoje (2 Co 6.2; Tg 4.13-15).

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