Por que fugir, se você pode confiar em Deus?
Homem escondido | Foto: Free-Photos / Pixabay

Em um cenário cinzento, aqueles que só olham às circunstâncias tenebrosas dizem que o melhor a fazer é fugir e esconder.

Pr. Hernandes Dias Lopes
“Foge, como pássaro…” (Sl 11.1).

O Salmo 11 foi escrito por Davi, quando Saul o perseguia por todos os lados. O rei estava louco, mas estava no trono e tinha o poder nas mãos. Ele não se submetia a ninguém e se julgava acima da lei. Alimentado por mentiras, oprimia e matava. Os covardes diziam para Davi fugir como um pássaro (Sl 11.1). Diziam para ele que o inimigo já estava com a flecha apontada para seu coração e não havia como escapar (Sl 11.2). Os fundamentos estavam destruídos (Sl 11.3). Os valores morais estavam arrasados desde o fundamento. Não havia a quem recorrer. Todo o Estado estava aparelhado para o mal. A justiça era inexistente. Nesse cenário cinzento, aqueles que só olhavam para as circunstâncias tenebrosas disseram a Davi para fugir e se esconder. Mas, a pergunta é: Por que fugir, se você pode confiar em Deus? Quais as razões que Davi tinha para confiar em Deus?

Deus é soberano

Em primeiro lugar, Davi compreende que Deus está no trono (Sl 11.4). Os homens, por mais poderosos e truculentos, não estão no controle da história. Eles ascendem ao poder e apeiam do poder. Deus levanta reis e destrona reis; levanta reinos e abate reinos. Seu trono é eterno e seu poder é irresistível. Ninguém pode desafiar sua soberania e prevalecer. O Deus soberano está atento ao que acontece na terra. Seus olhos sondam os filhos dos homens. Aqueles que maquinam o mal e o colocam em prática podem escapar do escrutínio dos homens, mas jamais podem se esconder daquele que tudo sabe, tudo vê e a todos sonda.

Deus prova o justo e o ímpio

Em segundo lugar, Davi compreende que Deus põe à prova tanto o justo como o ímpio (Sl 11.5). O justo é provado para ser aprovado. Ele é provado como o ouro lançado no cadinho. Só as escórias são consumidas. O fogo do ourives torna o ouro mais puro, mais nobre, mais caro, mais belo. Assim é a prova do justo. Porém, o ímpio é como a escória consumida pelo fogo. A alma de Deus abomina aquele que ama a violência. Como reto juiz ele galardoa o bem e pune o mal; ama a justiça e abomina a violência. Recompensa a benevolência e castiga a opressão.

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Deus não faz vistas grossas

Em terceiro lugar, Davi compreende que os perversos podem escapar dos tribunais da terra, mas não do juízo de Deus (Sl 11.6). Deus não é um ser bonachão que faz vistas grossas ao pecado. Ele exerceu seu juízo no dilúvio, na torre de Babel, na destruição de Sodoma e Gomorra, nas dez pragas do Egito, na queda de Jerusalém, da Babilônia, de Nínive bem como dos poderosos impérios do passado. Ele fará chover sobre os perversos brasas de fogo e enxofre. O vento abrasador será a parte do cálice dos perversos. Aqueles que permanecerem nos seus pecados, com dura cerviz, terão que arrostar a ira do Deus Todo-poderoso no grande Dia do Juízo.

Justiça e Recompensa

Em quarto lugar, Davi compreende que os justos receberão a maior de todas as recompensas (Sl 11.7). Porque o Senhor é justo e ama a justiça, ele não inocentará o culpado nem culpará o inocente. Nos tronos da terra, a injustiça veste-se engalanada. Juízes vestem togas manchadas de corrupção. Tribunais conspícuos tornam-se o próprio braço da violência. Porém, no tribunal de Deus a justiça assenta-se no trono e a retidão governa todos os seus julgamentos. Enquanto o ímpio sofrerá uma saraivada de fogo e enxofre, os retos contemplarão a face de Deus (Ap 22.4). De todas as alegrias do céu e de todas as bem-aventuranças por vir, nenhuma pode comparar-se a esta: contemplarmos a face do nosso glorioso Redentor. O apóstolo João traduziu essa verdade, assim: “Amados, agora, somos filhos de Deus, e ainda não se manifestou o que haveremos de ser. Sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque haveremos de vê-lo como ele é” (1Jo3.2).

Conclusão

Em face dessas verdades supramencionadas, quando os covardes lhe aconselharem a fugir do inimigo, acuado pelo medo, responda: “Eu não preciso fugir, eu posso confiar no Deus Todo-poderoso”.

Rev. Hernandes Dias LopesRev. Hernandes Dias Lopes
Natural de Nova Venécia-ES, casado com Udemilta Pimentel Lopes, pai de Mariana e Thiago. Bacharel em Teologia no Seminário Presbiteriano do Sul em Campinas-SP, e Doutor em Ministério pelo Reformed Theological Seminary, em Jackson, Mississippi, nos Estados Unidos. Foi pastor da Primeira Igreja Presbiteriana de Bragança Paulista no período de 1982 a 1984 e desde 1985 é o pastor titular da Primeira Igreja Presbiteriana de Vitória. Também é membro da Academia Evangélica de Letras do Brasil, diretor executivo da Luz para o Caminho e pastor colaborador da Igreja Presbiteriana de Pinheiros em SP. É conferencista e escritor, com 150 livros publicados.

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