Por que fazeis tais coisas?

Não é fácil ser e manter um padrão de bom Obreiro. Por descuido, muitos enveredaram por caminhos dúbios e enegrecidos pela insensatez.

Silvio Martins

Desejo expor um breve comentário tendo como âncora o maravilhoso texto bíblico de 1 Samuel 2.23 que traz uma forte indagação direcionada ao clã ministerial na atualidade, a saber: “Por que fazeis tais coisas?…”

Tentarei trazer uma reflexão aplicativa com a ajuda de Deus para que tenhamos um melhor desempenho no ministério nos ofertado pelo Senhor da Seara tendo assim um constante cuidado para não termos um ministério censurado como diz 2 Coríntios 6.3: “Não dando nós escândalo em coisa alguma, para que o nosso ministério não seja censurado”.

- Publicidade -

Esta indagação é uma declaração de um velho Sumo Sacerdote voltada a seus liderados (embora fossem filhos) ao ter conhecimento do procedimento inaceitável e recheado de falta de exemplo para os demais sacerdotes e extensivo ao povo em geral. Não precisamos ter pressa no que queremos abordar aqui, mas iremos com calma para absorvermos o que será exposto.

A declaração de Eli ajusta-se a vida de muitos superiores ao saberem da procedência irregular de seus liderados. E isto faz com que fiquem preocupados tanto com o subordinado quanto com o povo que está sob sua liderança. Às vezes, quem sabe chega a convidá-los para uma conversa e em tom semelhante e forte perguntam: “Por que fazeis tais coisas?”. É claramente necessário pedirmos a Deus que, pela sua infinita misericórdia, nos ajude a ser bons Obreiros que glorifiquem o Seu Nome, segundo vemos em Mateus 5.16 que diz: “Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus.

Todavia, a verdade deve sempre ser dita: Não é fácil ser e manter um padrão de bom Obreiro. Sabe por quê?

– Porque ele precisa servir com uma boa consciência (2 Tm 1.3);
– participar e sofrer das aflições do Evangelho (2 Tm 1.8; 2.3);
– entender que foi constituído pregador (2 Tm 1.11);
– conservar o modelo das sãs palavras (2 Tm 1.13);
– não se embaraçar com negócios desta vida (2 Tm 2.4);
– sofrer por amor aos escolhidos  (2 Tm 2.10);
– procurar se apresentar a Deus como Obreiro aprovado (2 Tm 2.15);
-evitar falatórios  profanos (2 Tm 2.16);
– não  contender (2 Tm 2.24),
– seguir o exemplo de bons líderes (2 Tm 3.10);
– ser consciente de que padecerá perseguições por ter uma vida de devoção a Cristo (2 Tm 3.12);
– permanecer no que aprendeu (2 Tm 3.14); e,
– ter a Palavra de Deus em punho para pregar, redarguir, repreender e exortar (2 Tm 4.2), dentre outras.

Consequentemente, notifico que ser um bom Obreiro não tem nada a ver com aceitação de suborno, de bajulação, de passar a mão na cabeça de ninguém para não perder rendimentos, vivendo assim entre aparências de um pensamento que está sendo um bom Obreiro, enquanto aos olhos divinos é uma negatividade tais procedências.

No tocante ao suborno (presente) trago à luz algumas observações bíblicas, a saber:

a) O Senhor recomenda não aceitar suborno por causar transtornos (Ex 23.8: “Também suborno não tomarás; porque o suborno cega os que têm vista, e perverte as palavras dos justos”);

b) quem aceita suborno não tem boa qualificação diante de Deus (Dt 27.25: “Maldito aquele que aceitar suborno para ferir uma pessoa inocente. E todo o povo dirá: Amém”);

c) não esqueçamos que há corrupção no suborno (Ec 7.7: “Verdadeiramente que a opressão faria endoidecer até ao sábio, e o suborno corrompe o coração”).

Se alguém tem em mente o famoso ditado que diz: “Filho de peixe, peixinho é”, continua redondamente num constante engano pois o profeta Samuel era um líder correto, mas infelizmente seus filhos escolheram o caminho errado como declarado está nos seguintes textos bíblicos: 1 Samuel 8.3: “Porém seus filhos não andaram pelos caminhos dele, antes se inclinaram à avareza, e aceitaram suborno, e perverteram o direito” e 1 Samuel 12.3: “Eis-me aqui; testificai contra mim perante o SENHOR, e perante o seu ungido, a quem o boi tomei, a quem o jumento tomei, e a quem defraudei, a quem tenho oprimido, e de cuja mão tenho recebido suborno e com ele encobri os meus olhos, e vo-lo restituirei”.

Ora, ser chamado por Deus para o Santo Ministério da Palavra constitui-se uma grande honra como podemos contemplar em Hebreus 5.4 que enfatiza: “Ninguém assume essa posição de honra por si só. Ele deve ser chamado por Deus, como aconteceu com Arão” – NVT. No entanto no percurso da caminhada cristã surgiram pessoas que não foram chamadas por Deus e estas até os dias hodiernos ofertam dores inigualáveis ao Santo Evangelho. Outros, que por descuido enveredaram por caminhos dúbios e enegrecidos pela insensatez. Estes esqueceram de perseverarem fiéis e leais à Palavra de Deus que norteia a vida do Ministro do Evangelho em todas as esferas da vida.

Diante disto, ainda vemos o Sumo Sacerdote dizer: “…fazeis transgredir o povo do Senhor”, 1 Sm 2.24. É lastimável no meio ministerial existirem aqueles que contribuem para levar o rebanho de Deus a transgredir contra o Senhor. Olhando algumas traduções vemos esta expressão assim:

a) “…estais fazendo transgredir o povo de Jeová”, TB;

b) “…Vocês estão levando o povo do Senhor a transgredir”, NAA.

O que será que se passa na mente de um líder em tentar lograr êxito conduzindo o povo a fazer o que não agrada a Deus? Acima de tudo o líder deve ter mente conduzir em retidão o povo de Deus pela Palavra de maneira que não violem limites passados por Deus.

Outrossim, ainda contemplamos o Sumo Sacerdote Eli proferir contra seus liderados Hofni e Fineias: “…Pois ouço de todo este povo os vossos malefícios…”. Para aumentar nosso entendimento no texto citado de Segundo Samuel 2.23 apresento algumas traduções, como:

a) NAA: “…Pois de todo este povo ouço constantemente falar das coisas más que vocês fazem;

b) A21: “…Tenho ouvido de todo este povo sobre o vosso mau procedimento;

c) NBV: “…De todo povo tenho ouvido o mal que vocês têm praticado;

d) NVI: “…não é bom o que escuto se espalhando no meio do povo do SENHOR; e) TB: “De todo este povo eu ouço falar dos vossos maus atos.

Dando uma olhada na biografia deles chegaremos a alguns atos inapropriados praticados pelos supracitados sacerdotes (1 Sm 2.13-15,22) e indubitavelmente por causa dos adjetivos revelatórios do caráter deles conforme vemos em Segundo Samuel 2.12 em algumas traduções:

a) “Os filhos de Eli eram ímpios…”, A21;

b) “Os filhos de Eli eram homens perversos, NVT;

c) “Os filhos de Eli eram homens malignos, NAA;

d) “Os filhos de Eli eram homens maus, NBV; e,

e) “Os filhos de Eli não prestavam, NTLH.

É importante termos a consciência de como estamos procedendo diante de Deus e também diante dos homens de maneira que não seja esquecido ou tido como desdém o testemunho dos de fora (1 Ts 4.12; 1 Tm 3.7). A nossa procedência deve ser louvável e que de maneira nenhuma traga vergonha para o Evangelho e nem escandalize aos membros do Corpo de Cristo (Rm 14.13; 1 Co 10.32). Será que aqueles cometedores dos malefícios, ou mau procedimento, ou maus atos chegam a pensar seriamente que a má fama deles vai se espalhando por todo o lugar onde chega? Se sim, deveriam ser converter.

Nossa procedência deve ser posta como um dos pontos a ser sempre preservada a ponto de ter-se uma imagem positiva principalmente diante do povo sob a nossa liderança. Jesus certa vez indagou em Mateus 16.13-16: “E, chegando Jesus às partes de Cesareia de Filipe, interrogou os seus discípulos, dizendo: Quem dizem os homens ser o Filho do homem? E eles disseram: Uns, João o Batista; outros, Elias; e outros, Jeremias, ou um dos profetas. Disse-lhes ele: E vós, quem dizeis que eu sou? E Simão Pedro, respondendo, disse: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo”.

A liderança do tempo do profeta Miqueias não estava nem aí acerca de seus procedimentos ou malefícios realizados. Observe o tom forte usado no capítulo 3 e versículo 11 de Miqueias: “Os seus chefes dão as sentenças por suborno, e os seus sacerdotes ensinam por interesse, e os seus profetas adivinham por dinheiro; e ainda se encostam ao SENHOR, dizendo: Não está o SENHOR no meio de nós? Nenhum mal nos sobrevirá”.

Bem, mas não estou esquecido da indagação que traz o tema deste artigo: “Por que fazeis tais coisas?”

A motivação deste texto em mente provocou um questionamento sobre atos errados vivenciados por alguns que militam na casa de Deus como líderes. Aqui pontuarei apenas dois males que considero grosseiros por terem como base a mentira e o engano. Com estes atos incoerentes estarei terminando minha reflexão.

Então, vamos pontuar o primeiro ato errado administrado por alguns líderes, a saber: mascarar a renda do Campo de trabalho passando a ideia para quem vai ou primeiramente para seu superior uma realidade falsa. Quem chega no Campo defronta-se tragicamente com a mentira e o engano financeiro. Isto chega a colocar em xeque a idoneidade de quem chega. Agora fazem isto na intenção de galgar Campos melhores. Deus está vendo e julgará tal ato! Andemos honestamente por mais que vejamos os tais melhorando. O segundo ato errado é “aumentar” o número dos membros da igreja. Entretanto como os tais fazem estas coisas só Deus e eles o sabem.

Ter um ministério censurado pela mentira e o engano não é bom e nem louvável. Não sei o que você vai escolher! Deixarei apenas algumas citações bíblicas para nossa edificação:

a) O Senhor abomina e odeia (Sl 119.163: Abomino e odeio a mentira; mas amo a tua lei”. Aí penso: como mentir na renda e no número de membros?;

b) Se você é justo a odiará também (Pv 13.5: “O justo odeia a palavra de mentira, mas o ímpio faz vergonha e se confunde”);

c) quem mente agrada a seu pai (Jo 8.44: “Vós tendes por pai ao diabo, e quereis satisfazer os desejos de vosso pai. Ele foi homicida desde o princípio, e não se firmou na verdade, porque não há verdade nele. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso, e pai da mentira”);

d) ela deve ser deixada (Ef 4.25: “Por isso deixai a mentira, e falai a verdade cada um com o seu próximo; porque somos membros uns dos outros”); e,

e) não se pode esquecer o lugar do mentiroso (Ap 22.15: Ficarão de fora os cães e os feiticeiros, e os que se prostituem, e os homicidas, e os idólatras, e qualquer que ama e comete a mentira).

Acerca do engano, o líder deve guardar-se para não falar (Sl 34.13: Guarda a tua língua do mal, e os teus lábios de falarem o engano); quem assim o faz não permanecerá na casa de Deus (Sl 101.7: “O que usa de engano não ficará dentro da minha casa…”); os enganadores usam a astucia para enganar com fraudes (Ef 4.14: “Para que não sejamos mais meninos inconstantes, levados em roda por todo o vento de doutrina, pelo engano dos homens que com astúcia enganam fraudulosamente;  tem que deixar todo engano (1 Pe 2.1: DEIXANDO, pois, toda a malícia, e todo o engano, e fingimentos, e invejas, e todas as murmurações”); precisa refreiar sua língua (1 Pe 3.10: “Porque quem quer amar a vida, e ver os dias bons, refreie a sua língua do mal, e os seus lábios não falem engano”); não ser levado pelo engano de Balaão (Jd 1.11: “Ai deles! Porque entraram pelo caminho de Caim, e foram levados pelo engano do prêmio de Balaão, e pereceram na contradição de Coré”); guardar-se para não ser contaminado e descair da firmeza (2 Pe 3.17: “Vós, portanto, amados, sabendo isto de antemão, guardai-vos de que, pelo engano dos homens abomináveis, sejais juntamente arrebatados, e descaiais da vossa firmeza).

Que a boa mão de Deus nos guie na verdade e na justiça para glória do Seu nome!


DEIXE UM COMENTÁRIO 
Siga Seara News no Twitter, no Facebook e Instagram
“O primeiro portal cristão no Estado do Espírito Santo”