Paulo, um líder que sabia reconhecer os liderados!
Apóstolo Paulo escrevendo suas epístolas (1618-20) | Foto: Autor desconhecido.

É por demais necessário reconhecermos o quão importantes são aqueles que ofertam seu trabalho na Casa de Deus!

Silvio Vinicius Martins

No capítulo 16 de Romanos Paulo cita 26 pessoas por nome e dois cristãos anônimos. Percebemos que chega a expressar uma estima especial pelo menos a quatro pessoas, utilizando então as seguintes atribuições: “querido” para Epêneto (Rm 16.5), “dileto” para Amplíato (Rm 16.8), “amado” para Estáquis (Rm 16.9) e “estimada” para Pérside (Rm 16.12).

É visível que tal lista revela claramente o papel que os colaboradores citados no capítulo em apreço representaram no ministério de Paulo e no ministério das igrejas.

Bem sabemos que não temos muitos detalhes sobre a vida dos citados aqui. Mediante isto tentaremos acima de tudo extrair com a ajuda de Deus alguns ensinamentos sobre o reconhecimento no texto citado. Dentre eles citarei apenas Febe e o casal Priscila e Áquila pois o espaço não dará para vermos mais exemplos.

- Publicidade -

1 – FEBE

Febe, nossa irmã, a qual serve na igreja que está em Cencréia, para que a recebais no Senhor, como convém aos santos, e a ajudeis em qualquer coisa que de vós necessitar; porque tem hospedado a muitos, como também a mim mesmo”.

Interessante notar que Paulo RECONHECE que ela servia numa congregação que está em Cencreia que era um porto marítimo de Corinto sentido Ásia. Aqui vemos que os irmãos necessitam ter um local para congregar e não ser um “turista”. Frequentemente vemos novos obreiros pregadores que estão indo na “onda” de alguns pregadores vivendo (entenda como congregando) mais fora da sua igreja local onde se deveria criar raízes, produzir flores e frutos.

Todavia, é muito importante os obreiros entenderem e consequentemente aceitarem que a frequência aos cultos é de suma importância na sua vida cristã. De conformidade com o livro de Atos enxergamos exatamente a Igreja Primitiva assimilando esta essencialidade mesmo congregando nas casas quando nem se tinha templos cristãos na época.

Aqui deixo transcrito os seguintes textos bíblicos para referendar a argumentação:

a) Atos 3.46: “E, perseverando unânimes todos os dias no templo e partindo o pão em casa, comiam juntos com alegria e singeleza de coração”;

b) Atos 5.42: E todos os dias, no templo e nas casas, não cessavam de ensinar e de anunciar a Jesus Cristo”.

É fundamental o Obreiro não esquecer da argumentação de Hebreus 10.25: não deixando a nossa congregação, como é costume de alguns…”.

O que Paulo enfatiza além disso, no capítulo citado, é a importância de Febe para a igreja. É por demais necessário reconhecermos o quão importantes são aqueles que ofertam seu trabalho na Casa de Deus! Ela se mostrou uma hospedeira não somente de Paulo, mas de outros cristãos. Existem alguns textos que merecem apreciação, como:

a) Romanos 12.13: “…segui a hospitalidade”;

b) 1 Timóteo 5.10: “…se exercitou hospitalidade…”;

c) Tito 1.8: “Mas dado à hospitalidade…”;

d) Hebreus 13.2: “Não vos esqueçais da hospitalidade, porque por ela alguns, não o sabendo, hospedaram anjos”.

Observemos inclusive que está implícito também uma recomendação pela expressão “recebais no Senhor”. Da mesma forma então, compreende-se que as cartas de recomendação eram comuns e necessárias naquele tempo segundo nos está revelado em Atos 18.27 e 2 Coríntios 3.1.

Existem pelo menos três razões da carta de apresentação na época de Paulo, a saber:

Primeira razão – Havia um grande número de impostores fingindo-se de cristãos. Os mesmos exploravam a boa vontade dos crentes querendo abrigo e às vezes doações em dinheiro por narrar histórias fraudulentas com o objetivo de conquistar a simpatia do povo inocente. Então, contra os impostores as cartas de apresentação serviam de garantia.

Segunda razão – Por ter a necessidade da hospitalidade cristã favorecendo aos irmãos na fé. Tudo isto porque as hospedarias viverem cheias de prostitutas, de assaltantes e de elementos desagradáveis e perigosos.

Terceira razão – Porque a irmã Febe devia ter provavelmente necessidade de alguma ajuda específica.

2 – PISCILA E ÁQUILA

Priscila e a Áquila, meus cooperadores em Cristo Jesus, os quais pela minha vida expuseram as suas cabeças; o que não só eu lhes agradeço, mas também todas as igrejas dos gentios”.

Neste caso contemplamos Paulo RECONHECENDO que que Priscila e Áquila arriscaram suas vidas, pela vida dele, como líder. Isto certamente é uma citação ao machado do verdugo para executar alguém por decapitação. Aqui vale lembrar do que Jesus disse em João 10.11: “Eu sou o bom Pastor; o bom Pastor dá a sua vida pelas ovelhas”.

No caso em análise, foi o contrário que aconteceu! Devemos colocar a situação em duas vertentes, a saber:

a) Há momentos em que o obreiro “põe sua vida em risco” pela do seu líder maior e não tem nenhum reconhecimento por tal ação; e,

b) Há momentos em que o obreiro “põe sua vida em risco” pela do seu líder maior e tem certo reconhecimento por tal ação.

Mediante estas duas colocações, vale saber:

– É louvável continuar “pondo a cabeça a prêmio” quando não se tem reconhecimento?

– Será que colocar a “cabeça a prêmio” e não ter o devido reconhecimento eleva a autoestima?

– Será que colocar a “cabeça a prêmio” e não ter o devido reconhecimento motiva o colaborador?

– Será que colocar a “cabeça a prêmio” e não ter o devido reconhecimento expõe o obreiro auxiliar ao regozijo?

– Será que colocar a “cabeça a prêmio” e não ter o devido reconhecimento estimula o obreiro a continuar fazendo isto?

Aqui lembro do episódio de Davi, quando Absalão foi morto e o dia tornou-se de tristeza, pois, os servos do rei foram “expor a cabeça” pela vida do rei conforme vemos em 2 Samuel 18.33; e 19.1-8 que consequentemente dizem:

“Então o rei se perturbou, e subiu à sala que estava por cima da porta, e chorou; e andando, dizia assim: Meu filho Absalão, meu filho, meu filho, Absalão! Quem me dera que eu morrera por ti, Absalão, meu filho, meu filho! E DISSERAM a Joabe: Eis que o rei anda chorando, e lastima-se por Absalão. Então a vitória se tornou naquele mesmo dia em tristeza por todo o povo; porque naquele mesmo dia o povo ouvira dizer: Mui triste está o rei por causa de seu filho. E naquele mesmo dia o povo entrou às furtadelas na cidade, como o faz quando, envergonhado, foge da peleja. Estava, pois, o rei com o rosto coberto; e o rei gritava a alta voz: Meu filho Absalão, Absalão meu filho, meu filho! Então entrou Joabe na casa do rei, e disse: Hoje envergonhaste o rosto de todos os teus servos, que livraram hoje a tua vida, e a vida de teus filhos, e de tuas filhas, e a vida de tuas mulheres, e a vida de tuas concubinas; Amando tu aos teus inimigos, e odiando aos teus amigos. Porque hoje dás a entender que nada valem para contigo príncipes e servos; porque entendo hoje que se Absalão vivesse, e todos nós hoje fôssemos mortos, estarias bem contente. Levanta-te, pois, agora; sai, e fala conforme ao coração de teus servos; porque pelo SENHOR te juro que, se não saíres, nem um só homem ficará contigo esta noite; e maior mal te será isto do que todo o mal que tem vindo sobre ti desde a tua mocidade até agora. Então o rei se levantou, e se assentou à porta; e fizeram saber a todo o povo dizendo: Eis que o rei está assentado à porta. Então todo o povo veio apresentar-se diante do rei; porém Israel havia fugido cada um para a sua tenda”.

Que Deus nos ajude a não agir como Davi com aqueles que expõem suas cabeças pela nossa vida!

É de atestar também o espírito de gratidão de Paulo pela atitude ofertada pelo casal Priscila e Áquila ao mesmo. Basta lermos o texto sagrado em três traduções, como:

  1. a) A21“os quais arriscaram a própria vida por mim. Não só eu lhes agradeço isso…”;
  2. b) NBV“De fato, eles arriscaram suas próprias vidas por mim; e eu não sou o único a ser-lhes agradecido…”;
  3. c) NVT“Certa vez, eles arriscaram a vida por mim. Sou grato a eles…”.

As Escrituras Sagradas nos dizem em Colossenses 3.15: “… e sede agradecidos”.

Gratidão é algo que está saindo de moda da vida de vários líderes:

– Alguns não reconhecem o esforço feito pelos seus liderados!
– Alguns não reconhecem a defesa ofertada quando outros tentam lhe atacar!
– Alguns não reconhecem a obediência manifesta!
– Alguns não reconhecem a presteza em servir!
– Alguns não reconhecem o amor cristão praticado!

Que possamos lutar para reconhecer os nossos liderados com a ajuda de Deus!


DEIXE UM COMENTÁRIO
Siga Seara News no Twitter, no Facebook e Instagram
“O primeiro portal cristão no Estado do Espírito Santo”