Pastor Victor Belotto: Uma história de fé, esperança e amor por almas
Entrevista | Pastor Victor Belotto: Uma história de fé, esperança e amor por almas

Momentos marcantes da história do pastor Victor Belotto evidenciam o cuidado e a proteção de Deus com sua vida, sua família e missões.

Por Edson Rodrigues / Hora Final

O pastor Víctor Belotto, paraguaio, casado com a irmã Miriam, e pai de quatro filhos, é missionário atuante do Departamento de Missões das Assembleias de Deus do Vale do Rio Doce e Outros – DEMADVARDO no Paraguai. Em entrevista à Revista Hora Final, o pastor narra sua experiência de conversão a Cristo e de como tem sido conduzido por Deus, desde então.

O pastor e missionário Victor Belotto vem realizando um expressivo trabalho em prol da obra missionária em Caaguazu. Além do pastorado local, é líder regional do Setor Caaguazu que engloba mais duas congregações e um ponto de pregação, além de manter um programa de rádio chamado Voz da Salvação que opera numa emissora não cristã e numa emissora evangélica.

Momentos marcantes da história do pastor Victor Belotto evidenciam o cuidado e a proteção de Deus com sua vida, sua família e a obra missionária. São relatos comoventes e edificantes. Confira!

Como foi sua infância e juventude?

Não me lembro ao certo quando me levaram à Igreja Católica e me batizaram. Mas, o fato é que, cresci sem conhecer a Deus. Tive uma infância muito sofrida, marcada pela violência. Meu pai era alcoólatra e maltratava muito a minha mãe e os meus irmãos menores, e com isso eu tomava a responsabilidade de proteger minha mãe e meus irmãos. Em nossa família, eu sou o segundo filho.

Desde muito cedo, com pouca idade, comecei a trabalhar. Fui maltratado no trabalho, e por isso me tornei colérico, com ira e revolta no coração o tempo todo. Só havia ódio no meu coração contra meu pai, por qualquer coisa, por ele ser um alcoólatra e por toda aquela situação. Desse modo, eu tomei a decisão de trabalhar e fiz de tudo para separar minha mãe do meu pai, e foi assim que tudo começou.

Depois, ainda sem conhecer a Deus, embora soubesse da sua existência, nunca havia falado com Ele. A necessidade, porém, me impeliu e me obrigou a falar com Deus, ainda que eu não soubesse que essa era a verdadeira oração. Assim, eu falei com Ele, e disse: “Deus, ajuda-me! Me ajuda a tirar minha mãe da roça e desse sofrimento”. A partir daí o trabalho começou. Deus foi me abrindo portas de trabalho. Comecei a trabalhar e pude ganhar dinheiro, muito dinheiro! Eu tinha, então, 19 anos.

Quando estava com 23 anos, era proprietário do maior supermercado em San Lorenzo. Trabalhava muito, quase não dormia. Assim ganhei muito dinheiro. Comprei um terreno e construí a casa para a minha mãe e para os meus irmãos, com a ajuda deles. Depois disso, começou uma briga entre mim e meu pai, um desacordo total com ele. Acabei saindo de casa e daí em diante caí no vício do álcool, de modo que já estando perdido no vício, trabalhava, mas também bebia muito.

Como aconteceu a sua conversão ao Evangelho?

Haviam crentes que compravam em meu supermercado, pregavam para mim. Falavam sempre: “Jesus te ama!” Me entregavam literatura, folhetos bíblicos, mas, eu não queria saber de nada.

Tendo passado alguns anos, um dia eu me desesperei. Daí, chegou um irmão e eu lhe pedi: “Por favor, vamos à igreja hoje!” E ele me disse: “Hoje não temos culto, vamos amanhã”. Eu repliquei: “Não, vamos hoje! Hoje eu tenho que ir à igreja, pois amanhã eu não sei o que pode me acontecer”. Esse irmão, então, procurou e encontrou uma forma, e nós fomos a uma campanha evangelística, e nessa campanha eu aceitei a Jesus em meu coração.

Naquele momento, eu senti que deveria perdoar meu pai, e consegui liberar perdão. Aquele peso que sentia, nunca mais senti. Isto se deu numa sexta-feira, e no sábado, eu já estava participando do primeiro culto de jovens na igreja com o pastor Adiel Arcanjo e com todos os irmãos.

O pastor Rosalio, foi o irmão que me levou a essa campanha organizada por um missionário que havia chegado do Brasil. Essa foi a minha única participação nessa igreja, pois, a partir do segundo dia de culto, passei a congregar em Capiatá com o pastor Adiel. Conheci, então, sua família!

Como era sua relação com a igreja no começo de sua conversão?

Eu sempre digo aos irmãos que a igreja para mim é o melhor lugar, pois quando eu estava na igreja não queria mais sair. Não queria que o culto terminasse.

Comecei participando da Escola Dominical e dos estudos bíblicos nas terças-feiras com o pastor Adiel, ensinando. Não perdia nenhuma terça-feira e nenhuma Escola Dominical, que acontecia aos domingos, às 16 horas, e eu estava sempre entre os primeiros a chegar.

Houve problemas com a família em decorrência da conversão ao Evangelho?

Assim que comecei a participar efetivamente das atividades da igreja, passei a ter problemas com a minha família. Meus irmãos não concordavam, dizendo que eu havia mudado de religião, e comecei a enfrentar rejeição por parte dos meus familiares. Eles não entendiam o que estava acontecendo comigo.

Eu havia sido, imediatamente, liberto das bebidas alcoólicas, de modo que, desde o dia da minha conversão, nunca mais ingeri uma gota de álcool sequer, até hoje, para glória de Deus!

Pastor Victor Belotto: Uma história de fé, esperança e amor por almas
Entrevista | Pastor Victor Belotto: Uma história de fé, esperança e amor por almas (Foto: Hora Final)
Como surgiu a igreja em Guayaki Kua?

Sendo frequente aos cultos, e agora mais acostumado com o pastor Adiel, entre oito e quinze dias de convertido, me dirigi a ele e disse: “Pastor Adiel, tem um lugar ali em Caaguazu. Esse lugar se chama Guayaki Kua, é o lugar onde nasci. Neste lugar não há igreja evangélica. Vamos lá pregar a Palavra?”

Como resposta, ele me disse: “Irmão Víctor, vamos orar, vamos orar primeiro e esperar a direção de Deus”. E de fato esperamos. Eu ainda era novo convertido, mas orava sempre por este propósito pedindo a Deus.

Sete anos depois da minha conversão, esse desejo se cumpriu. Assim, fui com o pastor Adiel, sua esposa, irmã Aparecida e mais 12 irmãos da igreja de Capiatá. Meu irmão Hector Belotto, já convertido, nessa época, também foi conosco.

Fomos evangelizar! Nesse primeiro culto que fizemos lá em Guayaki Kua reuniram-se mais de 150 pessoas. Penso que tenha chegado a 200 pessoas. Não me lembro bem, mas foi um dia de glória e de maravilhas, porque nesse dia cerca de 150 pessoas se decidiram por Cristo. Claro que desses alguns voltaram atrás, mas, hoje há ali uma igreja com membros batizados e participando da Santa Ceia.

Tivemos muita dificuldade para chegar naquele lugar, primeiro porque a igreja em Capiatá não dispunha de recursos financeiros e, portanto, não tínhamos dinheiro em caixa. Mas, graças a Deus, trabalhamos e conseguimos recursos. Tenho até um lindo testemunho desse tempo. Era dia de ir a Guayaki Kua e eu não tinha dinheiro nem para o combustível, e nem para a alimentação dos irmãos que iriam comigo. Minha esposa, Miriam estava economizando para comprarmos móveis para a nossa cozinha. Eu pedi a ela aquela quantia emprestada e com isso abastecemos; compramos carne e macarrão e levamos para nossa viagem. Foi a partir desse tempo que nunca mais parei de fazer a obra.

Minha esposa chorou, pois queria muito comprar, naquela época os móveis para a cozinha. Falei então com ela: “Não te preocupes. Deus vai restituir a nós. Ali há muita gente mais necessitada. Necessitam de salvação, perdão dos seus pecados. Me empresta o dinheiro”. E assim foi…

Começamos a trabalhar, e aconteceu que nunca compramos um só móvel de cozinha, Deus nos deu tudo: casa e móveis de cozinha em Caaguazu. Deus restituiu tudo!

Para fazer nossa mudança para Caaguazu, eu vendi dois terrenos, ambos com escritura registrada. Terrenos ao lado da casa do meu sogro, em Capiatá. Vendi naquele tempo como oferta de oportunidade por cerca de R$ 15 mil e pensei que assim compraria uma casa em Caaguazu, mas não deu nem mesmo para um lote. Gastei todo o valor acertando contas e dívidas, moramos em casas alugadas, mas Deus proveu tudo e agora, minha esposa tem a sua casa com seus móveis de cozinha! Quando me casei, ainda tinha o supermercado, mas eu me sentia mui quebrantado em meu coração.

Quando aconteceu um maior engajamento na obra de Deus?

Não queria mais o trabalho com o supermercado, queria mais tempo para estar nos cultos e atender às congregações com o pastor Adiel. Então, eu não queria mais e pedi a Deus: “Senhor, dá-me outro trabalho, que me possibilite ter tempo para estar na igreja e trabalhar na tua obra”.

Eu já sentia esse quebrantamento, ganhava dinheiro, mas eu não gostava. As portas se fecharam, a economia estava mal e eu nada! O supermercado, minha caminhonete, meu carro, terreno e até a padaria que eu tinha dentro do supermercado, que era uma das mais modernas, perdi tudo!

Fui morar na casa do meu sogro por muito tempo, mas ainda assim eu não deixei de trabalhar na obra de Deus. Quando era solicitado pelo pastor, eu nunca dizia: “não posso!” Em todo momento, sempre que o pastor Adiel precisava de mim e me ligava, eu deixava meu serviço para atender, sem problemas. Foi assim também no período do pastor Ataíde. Quando precisava, lá eu estava.

Quando veio o pastor Elias para ficar aqui, as vezes ele precisava ir à Roque Gonzales. Eu não via problemas, viajávamos à noite e regressávamos na madrugada seguinte, e pela manhã ia para o trabalho. Não era impedimento para mim!  Meu trabalho nunca me impediu de estar e de trabalhar na obra de Deus.

Deus foi mudando meu trabalho. Ele me tirou tudo: o supermercado, tudo que eu ganhei quando estava no mundo. Deus tirou tudo! Agora, o que temos… a casa, a sorveteria, foi depois de um compromisso sério com Deus. Eu conto assim, mas não estou dando detalhes de como tudo sucedeu. Muitas coisas aconteceram. Satanás muitas vezes quis entrar no meu caminho para que eu não avançasse. Foram acidentes de trânsito e muitas outras coisas que sucederam.

Um momento que considera marcante em sua vida.

De tudo o que já passei, alguns momentos marcaram a minha vida. Antes de aceitar a Cristo, minha vida era de muita solidão e tristeza e a única coisa que, de fato, queria era morrer. Mesmo depois de crente parecia que ainda estava faltando alguma coisa.

Estava dirigindo meu carro, indo para Assunção. No trajeto, eu ouvia um louvor de adoração. E assim, dirigindo, falei com Deus: “Senhor, parece que há um vazio em meu ser, há um vazio Senhor. Me falta alguma coisa”. Então eu me lembrei que o que mais me fazia falta era o abraço do meu pai. Ele era uma pessoa fria e distante, e eu falei com Deus: “Senhor, eu sinto saudades de meu papai, queria sentir seu abraço”. Quando eu falei assim, não pude suportar a presença de Deus. Senti um abraço, como um abraço que me apoiava sobre as minhas costas. Senti esse calor da presença de Deus como se ele em pessoa estivesse ali me abraçando.

Foi uma experiência que me marcou, e que tirou essa ansiedade e vazio que havia na minha vida, isso terminou!

Entre as muitas ocorrências no ministério, o que mais lhe chamou atenção?

Se hoje estou trabalhando na obra de Deus é porque homens de vida íntegra ajudaram-me a permanecer firme e a avançar. Apesar de ter havido tormentas no ministério, e dificuldades, aqueles ensinamentos simples, porém, cheios de poder, muita autoridade da parte de Deus, me auxiliaram a continuar firme e prosseguir na obra de Deus.

Pastor Victor Belotto: Uma história de fé, esperança e amor por almas
Entrevista | Pastor Victor Belotto: Uma história de fé, esperança e amor por almas (Foto: Hora Final)

Há muitos momentos marcantes em minha vida e nem consigo lembrar de todos. Um momento para lembrar, estando na obra de Deus em Calle Dez com pastor Ataíde, quando regressávamos, eu queria levar limões para minha casa, e cheguei em uma casa para pedir limões. Saiu um ancião, e eu disse em seguida: “Amigo, podes dar-me alguns limões para levar à minha casa?” Ao que ele me respondeu: “Entre! Chega para cá”.

Então, estendi minha mão a ele e respondi: “Deus te abençoe”. Ele começou a chorar. E, eu disse a ele: “Sou pregador da Palavra de Deus, e ali no carro tem um pastor comigo e trabalhamos juntos na obra de Deus. Oramos pelas pessoas”. Ele me disse em seguida: “Eu quero oração!” E contou que todas as noites, já por muito tempo, ele sentia que chegava um espírito, e esse demônio entrava na casa dele, e o deixava paralisado e um mau cheiro muito forte tomava conta do ambiente.

Era terrível um odor de enxofre, e os cachorros uivavam como se estivessem pedindo socorro diante dessa presença maligna. A casa ficava completamente cheia de demônios. Então, chamei o pastor Ataíde que orou juntamente comigo, em favor daquele ancião que até hoje nunca mais foi atacado por demônios. Está livre!

Entrevista publicada na Revista Hora Final, Edição nº 2
(Revista Hora Final, editada pela Seara News Editorial para Departamento de Missões das Assembleias de Deus do Vale do Rio Doce e Outros – Demadvardo)

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