Pastor Geremias Couto || “As igrejas em meio à pandemia do novo coronavírus”
Pastor Geremias Couto é jornalista, escritor e teólogo que tem atuação ministerial em áreas específicas. | Foto: Arte/Seara News

A maioria das igrejas em todo o mundo iniciou ou aprimorou o ministério online, considerando o “novo normal”.

A pandemia do Novo Coronavírus impôs a necessidade de distanciamento e isolamento social. À medida que a Covid-19 derruba e atropela os aspectos de vida das pessoas, as igrejas também vão se adaptando às restrições, de forma dinâmica, e encontrando maneiras de realizar os seus cultos, e atender seus membros.

Em uma questão de semanas, a maioria das igrejas em todo o mundo iniciou ou aprimorou o ministério online, considerando o “novo normal” para 2020, passando a transmitir as celebrações via internet, deixando temporariamente para o porvir, a realização dos cultos presenciais.

E, nesse clima de pandemia, as igrejas buscam encontrar ou aperfeiçoar a melhor forma de promover a evangelização no espaço do ambiente digital e também manter a comunhão dos fiéis.

As autoridades ainda não sabem definir se estamos caminhando para o final da pandemia no Brasil. Enquanto isso, considerando o atual momento, as igrejas continuam se adequando para encontrar ou aperfeiçoar a melhor forma de gestão, de liturgia, de evangelização, e principalmente manter a comunhão e permanência dos membros.

Para responder perguntas relacionadas ao tema, convidamos o pastor Geremias do Couto que tem atuação ministerial em áreas específicas. É escritor, teólogo e jornalista, envolvido nas áreas da educação cristã e evangelísticas; teve participação ativa nas cruzadas do saudoso missionário Bernhard Johnson; também coordenou o projeto Minha Esperança Brasil, realizado pela Associação Evangelística Billy Graham; dirigiu o Festival de Esperança, com Franklin Graham em 2010, e mantém os vínculos de parceria com o My Hope Project, da mesma organização.

Seara News – Quais os desafios para as igrejas nesse momento?

Pr. Geremias Couto – Há muitos desafios, entre eles compreender o momento em que estamos vivendo. Sem discutir as origens da pandemia e as suas consequências, ela é um fato que mexeu com a vida de todos os segmentos, inclusive as igrejas, que tiveram de adaptar-se à nova realidade. As que voltaram a ter cultos presenciais, precisam cumprir as normas preventivas para que possam reunir-se. Ainda assim, muitas continuaram a transmitir os seus cultos online, como continuam a fazer as que ainda não foram liberadas. Mas a verdade é que elas precisam repensar a sua liturgia, atualizar-se e não deixar desassistidos os seus membros, em todos os aspectos, o que considero o maior desafio.

A pandemia do novo coronavírus levou muitas igrejas adaptarem suas estruturas para o ambiente digital, quais os benefícios dessa mudança? Alguma área pode ser prejudicada?

Como se costuma dizer, crises geram oportunidades. Acredito que a pandemia tem permitido às igrejas a aprenderem a utilizar o ambiente digital, que difere radicalmente do ambiente presencial. Essa é uma das áreas pelas quais tenho lutado. O ambiente das redes virtuais amplia a presença da igreja na propagação do Evangelho, pois é um lugar onde não há fronteiras. Esse seria um dos benefícios. Tenho participado com regularidade de reuniões de trabalho online com líderes de todo o mundo que, em tempos normais, exigiria uma logística com um custo altíssimo, envolvendo deslocamento, alimentação e hospedagem, o que não ocorre no mundo virtual. Pode haver prejuízos? Sim. Como, por exemplo, a inconstância de quem assiste os cultos online, já que, longe de outros olhares, sente-se livre para ficar “beliscando” de “live” em “live” ou paralelamente ficar se ocupando de ver o que está acontecendo no mundo virtual. Isso fica muito no terreno do compromisso que a pessoa tem com Deus.

Muitas igrejas estão promovendo lives. Levar o dia a dia da igreja para o online garante a comunhão e permanência dos membros?

Sim e não. Primeiro, entendemos que a Igreja é o Corpo Místico de Cristo. Nesse sentido, o ambiente virtual permite a comunhão entre os irmãos, já que mesmo distantes uns dos outros, fisicamente, é a congregação se reunindo para a adoração. Por isso, acho mais adequado o uso de aplicativos que permitem essa interação do que simplesmente uma “live” por uma das grandes redes. Ali se pode ver quem está assistindo, vários irmãos e irmãs podem participar conduzindo a oração, a leitura da Palavra, compartilhando testemunhos, num ambiente mais intimista do que numa “live” nas redes mundiais. Em segundo lugar, embora acredite que o uso dessas ferramentas veio para ficar (imagine como elas podem ser úteis num ambiente de perseguição religiosa), o desafio é achar que as reuniões virtuais substituem as reuniões presenciais. À medida que a flexibilização avança, a igreja não pode prescindir de se reunir fisicamente, mesmo que tenha de adotar as medidas restritivas até que a pandemia passe. A reunião virtual não substitui a Assembleia Solene da congregação. No entanto, uma coisa a pandemia revelou: o “templismo” não é mais importante do que a igreja. Esta se reúne até debaixo de uma jabuticabeira. Uma terceira situação é aquela em que a pessoa descobre que há “live” onde predomina o entretenimento e outras em que predomina o Evangelho. Isso pode já estar gerando alguma espécie de rotatividade.

Como as igrejas podem realizar a missão de evangelizar nesse contexto pandêmico e de isolamento social?

Sigo a linha recomendada pelo Apóstolo Paulo: pregar a tempo e fora de tempo. Acho que nunca houve em qualquer outra época da história uma oportunidade tão singular de propagar o Evangelho ao redor do mundo como nestes tempos de predomínio das redes virtuais acentuado pela pandemia. Creio que mesmo depois de voltar aos cultos presenciais, a ferramenta não deve ser abandonada, mas cada igreja deve buscar encontrar o “tom certo”, a “linguagem própria das redes” para continuar a proclamar o Evangelho sem mistura – genuíno – mas levando em conta que o mundo virtual tem suas próprias características, diferente das reuniões presenciais.

Além de levar conforto, ânimo e coragem para continuar a vida dentro desse cenário, qual a importância da evangelização para a experiência de cada pessoa evangelizada?

A importância tem de ser valorada tanto pelo que representa para igreja quanto pelo que representa para as pessoas que estão sendo evangelizadas. Só há um meio de as pessoas virem a Cristo: a pregação do Evangelho. É o Espírito quem toma a Palavra pregada e a aplica no coração do pecador, convencendo-o do pecado, da justiça e do juízo. Assim, é relevante para a igreja, que cumpre o seu papel, e também é relevante para quem ouve, pois teve a oportunidade de conhecer a verdade desde que o Evangelho tenha sido pregado de modo claro, simples, objetivo e genuíno.

Qual a sua visão do retorno à normalidade das atividades das igrejas considerando o antes, o durante e o depois da pandemia?

A meu ver, sem esquecer os propósitos de Deus em todas as coisas, tudo dependerá da forma como a igreja através de sua liderança assistiu aos membros durante a pandemia. Que conforto levou? Como infundiu coragem nos irmãos? Como exerceu a generosidade em momentos emergenciais de alguns de seus membros? Tirando esses pontos, pode ser que muitos irmãos tenham descoberto igrejas que levam o Evangelho mais a sério do que nas igrejas em que estão. Outros encontraram igrejas onde o entretenimento predomina. Ou seja, acredito que haverá alguma espécie de rotatividade não de grande monta, mas de acomodação. Num primeiro momento, quando tudo se normalizar, os templos ficarão cheios, mas não creio que se possa dizer que se trate de um avivamento. Este, no entanto, poderá ocorrer à medida que a igreja, nesta nova fase, depois das consequências da pandemia, tenha um nível mais profundo de comprometimento com Deus.

Que lições podemos aprender com a pandemia da Covid-19?

Primeiro, que não temos o controle sobre a história, o tempo e as circunstâncias. Deus é soberano sobre todas as coisas. Segundo, que a pandemia é um retrato da condição deste mundo caído. Antes da Queda, tudo era perfeito. Após a Queda, surgiram espinhos, cardos, bactérias, vírus e tantas outras pestilências que adoecem o planeta. Terceiro, que, de alguma forma que eu não tenho como definir, Deus pode estar usando este mal para algum propósito além do nosso conhecimento. Quarto, enquanto Jesus não voltar ou não partirmos ao seu encontro, outras pandemias virão. Quinto, em quaisquer circunstâncias devemos descansar em Deus, pois “singramos as tempestades desta vida com os olhos no porto”, onde o Senhor nos aguardar para receber-nos como filhos amados de Deus.

Uma mensagem aos leitores diante da proximidade do retorno à vida normal.

Continuemos com os olhos fitos em Cristo. Ele é o “maquinista” do trem que nos leva em segurança até a estação final – a estação de desembarque.


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