Pastor Everaldo Pereira, foi preso na Operação Tris in Idem da PF
Pastor Everaldo Dias Pereira Presidente do Partido PSC foi preso na manhã desta sexta-feira (28), em operação Placebo da Policia Federal, no Rio de Janeiro. O STJ afastou do cargo o Governador Wilson Witzel, por irregularidades na Secretaria de Saúde no estado. | Foto: Adriano Ishibashi/Framephoto/Estadão Conteúdo

O presidente nacional do PSC Everaldo Pereira, foi preso na manhã desta sexta-feira (28) na ‘Operação Tris in Idem’ (Natureza jurídica, Lei de Contravenções Penais, crime doloso ou culposo, consequência da reincidência, repetição do mesmo) a qual também, determinou o afastamento Wilson Witzel (PSC-RJ) do cargo de governador.

Everaldo Pereira é pastor na Igreja Assembleia de Deus do Ministério Madureira no Rio de Janeiro, empresário e político brasileiro. Recentemente, foi citado na delação premiada do ex-secretário de saúde, Edmar Santos, por conta de sua influência no Palácio Guanabara. O ex-secretário foi preso por corrupção. Segundo a delação, era o pastor Everaldo quem mandava na saúde.

Atuação da PF

Policiais federais e uma procuradora chegaram por volta de 6h da manhã ao apartamento do político, no bairro do Recreio dos Bandeirantes, na Zona Oeste do Rio. Em um carro da PF, e efetuaram a prisão de Everaldo Pereira, por volta das 7h45, e às 8h25, ele chegou na sede da Polícia Federal no Rio, na Praça Mauá.

De acordo com a homologação feita pelo ministro Benedito Gonçalves, as declarações prestadas por Edmar “indicam que um dia antes da deflagração da Operação Placebo o Governador repassou R$ 15 mil em espécie ao Pastor Everaldo, o qual mostrou a quantia a Edmar, com receio, em tese, de que a Polícia Federal encontrasse os valores na realização das buscas.”

Trata-se de provável tentativa de esconder valores supostamente ilícitos, angariados em espécie (prática usual utilizada por grupos criminosos para evitar o rastreamento do dinheiro).”

Organização criminosa

De acordo com documento que acompanha as diligências autorizadas pelo ministro, Everaldo Pereira seria líder de um dos grupos que compõem uma “sofisticada organização criminosa” que tem “o objetivo comum de desviar recursos públicos e realizar a lavagem de capitais, dentre outros crimes”.

Segundo documento, Everaldo comanda o segundo braço da organização “como se proprietário fosse, alguns setores da Administração Pública do Estado do Rio de Janeiro, principalmente sobre as contratações e orçamentos da Cedae, Detran e da pasta da saúde do Estado do Rio de Janeiro”.

Também integram o grupo do pastor Hugo Amaral Cavalcante Barroso, operador financeiro, responsável por “efetuar contatos com agentes públicos e empresários, indica as empresas e organizações sociais que devem ser contratadas pela secretaria de Saúde do Rio de Janeiro“; e Edson Torres, que segundo Edmar Santos, é o dono de fato de empresas contratadas pelo Estado e foi o responsável por indica-lo ao cargo de Secretário de Estado da Saúde do Rio de Janeiro para que pudesse exercer influência sobre a pasta.

Também, os filhos do pastor Everaldo, Laércio e Filipe Pereira, integram o grupo. Os dois tiveram a prisão decretada. Um relatório de inteligência financeira revelou que o pastor Everaldo realizou a compra de um imóvel no valor de R$ 2.050.000,00, usando valor em espécie para pagar parte do imóvel adquirido.

Além disso, detectou que a empresa EDP Corretora de Seguros, que tem o pastor e seus filhos como sócios, “realizou dezenas de depósitos em espécie, em valor fracionado, de modo a dissimular o total da movimentação, em atividade típica de lavagem de capitais”.

A defesa

Em nota, a defesa de Everaldo Pereira, afirmou que o pastor sempre esteve à disposição de todas as autoridades e reitera a sua confiança na Justiça. Também foi informado por meio de nota, que o PSC informou que o ex-senador e ex-deputado Marcondes Gadelha, vice-presidente nacional da legenda, assume provisoriamente o cargo de presidente. O calendário eleitoral do partido segue sem alteração.

O PSC informa ainda que confia na Justiça e no amplo direito à defesa de todos os cidadãos e que o pastor, assim como o governador Wilson Witzel, sempre estiveram à disposição das autoridades. O pastor seria ouvido por uma comissão da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) que investiga gastos públicos durante a pandemia do coronavírus.


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