Pastor Carlos Bacoccina: O Conselheiro Bíblico e seus dilemas

Aplicando os princípios do aconselhamento bíblico à própria vida

Entrevista || Pastor Carlos Bacoccina: O Conselheiro Bíblico e seus dilemas
Carlos Bacoccina, pastor da Igreja Batista Regular em Jd. Tremembé, São Paulo, SP. | Foto: Arte Seara News

Entrevistado no programa Conselho Bíblico desta sexta-feira (24), às 11 horas, na Rádio Seara News, o pastor Carlos Bacoccina respondeu questões sobre o tema: “O Conselheiro Bíblico e seus dilemas” – com ênfase à aplicação dos princípios do aconselhamento bíblico à própria vida.

Carlos Bacoccina é pastor da Igreja Batista Regular em Jd. Tremembé, São Paulo, (SP); Doutorando em Ministério pelo Dallas Theological Seminary, Mestre em Ciências da Religião pela Universidade Metodista de São Paulo, Bacharel em Teologia pelo Seminário Batista Logos, convalidação em Teologia pela Faculdade Kurios (CE). Professor do Seminário Batista Logos e da Associação Brasileira de Conselheiros Bíblicos – ABCB. Capelão e educador do Colégio Betel Brasileiro. Fundador e Conselheiro da Clínica de Aconselhamento e Discipulado – CAD.

Confira a entrevista!

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Seara News – Por que uma defesa tão firme da suficiência das Escrituras?

Carlos Bacoccina – Naturalmente, hoje em dia existe muitas vozes que apontam para inúmeras direções. O que provoca uma concorrência sobre quem tem a verdadeira direção (que aponta pra Cristo). Assim, muitas filosofias seculares reivindicam o posto de “o melhor caminho” para um viver propositivo (propósito de vida).
Porém, essas filosofias seculares são limitadas a observação e experiencia humana, ou seja, seu referencial é aquilo que o homem pode experimentar e entender.
Já as Escrituras, tem como referencial o CRIADOR, nosso Deus, que aponta para um sentido de vida além do que a limitação humana pode deduzir e concluir. Em outras palavras, somente Deus pode nos apresentar qual o melhor caminho para o homem nessa vida.
Sendo assim, a Bíblia como revelação inspirado de Deus, nos aponta o caminho eterno. Logo, a suficiência das Escrituras é óbvia e lógica, por se tratar de um direcionamento que supera o limitado e terreno.
Somente as Escrituras pode direcionar o homem ao relacionamento com Deus, nenhum outro livro, filosofia ou ciência tem essa capacidade (ou mesmo intenção).
“Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção e para a instrução na justiça, para que o homem de Deus seja apto e plenamente preparado para toda boa obra” (2 Timóteo 3:16,17).

Em quais situações da vida, a suficiência das Escrituras não é determinante?

Um grande erro que alguns cometem é confundir o propósito das Escrituras com aquilo que não é seu propósito, ou seja, a Bíblia não lhe diz como arrumar uma peça quebrada do seu carro, ou como imobilizar uma perna quebrada; para isso, temos os mecânicos e os ortopedistas. A Bíblia não tem como propósito direto aconselhar sobre inúmeras áreas do dia a dia, mas a Bíblia aponta princípios que levam o homem a glorificar (representar a Deus) em todas as áreas da vida.
Por isso, o crente maduro sabe discernir sobre quais são os princípios do Senhor nas diversas decisões que precisam ser tomadas no dia a dia, em coisas comuns e triviais.

O conselheiro bíblico se preocupa muito com os dilemas dos outros, e quanto aos seus dilemas?

Acredito que este tipo de comportamento não é exclusivo do conselheiro bíblico, mas de todo ser humano. Gostamos de ter as respostas para vida alheia, mas nem sempre aplicamos as mesmas respostas para nossa vida.
Nesse ponto, todo conselheiro também é um aconselhado, pois como miserável pecador, precisa da orientação do Senhor contida nas Escrituras.
“Por que você repara no cisco que está no olho do seu irmão, e não se dá conta da viga que está em seu próprio olho? Como você pode dizer ao seu irmão: ‘Deixe-me tirar o cisco do seu olho’, quando há uma viga no seu? Hipócrita, tire primeiro a viga do seu olho, e então você verá claramente para tirar o cisco do olho do seu irmão” (Mateus 7:3-5).

Como tratar o coração da família?

O relacionamento familiar é o mais próximo da autenticidade. No lar revelamos quem realmente somos. Por isso, o apostolo Paulo normatizou que àqueles que desejam cuidar da igreja de Cristo (pastores) devem primeiro cuidar (pastorear) bem seu lar.
“Ele deve governar bem sua própria família, tendo os filhos sujeitos a eles, com toda a dignidade. Pois, se alguém não sabe governar sua própria família, como poderá cuidar da igreja de Deus?” (1 Timóteo 3:4,5).
Sendo assim, todo conselheiro deve estar atendo a sua família (seus medos, tentações, dons, vida piedosa, etc). E respondendo à pergunta inicial, “como tratar o coração da família?”, pastoreando sua família. Devocionais, discipulado, tempo juntos (estudo, lazer, tarefas), motivos de oração compartilhados. Resumindo, ser alguém presente e relevante na vida da sua família.

Por que é mais fácil obedecer a Deus do que confiar Nele?

Primeiro, precisamos eliminar uma falácia. Obedecer a Deus não é mais fácil. Pois a vontade de Deus para nossa vida é que sejamos santos (seguir o exemplo de Cristo), e isso nunca é executado 100%, logo não é fácil. O que geralmente acontece são artimanhas pecaminosas para que o homem acredite estar obedecendo a Deus.
Em outras palavras, tendemos a obedecer naquilo que gostamos e não é tão custoso; obedecemos naquilo que é custoso, mas rende algum tipo de lucro (elogios, honra, justiça própria, etc); obedecemos quando a punição é maior que o prazer de não fazer.
Outro ponto para uma consciência de que quem obedece ao Senhor é a “ignorância” a respeito da vontade de Deus para sua vida, ou seja, quanto menos sei sobre o que Deus espera de mim, mais acredito está fazendo o suficiente para Deus. Portanto, obedecer a Deus é algo extremamente difícil.
Já se considerarmos qual é mais difícil: obedecer ou confiar em Deus, acredito que ambos seguem a mesma dificuldade.
Pois o confiar também está ligado ao quanto olha para Deus. Acredito que todo cristão confia em Deus, já que entregou a sua vida para Ele. Nenhum cristão dúvida do caráter de Deus, ninguém duvida que Deus cumprirá suas promessas. Porém, o entendimento equivocado do propósito de Deus para as nossas vidas faz com que muitos (inconscientemente) questione os planos de Deus. Pois confiar em Deus é crer que sua promessa e seu plano não serão mudados, e não exatamente, que todas as coisas acontecerão para o bem-estar da pessoa.

Quando situações inesperadas ou até mesmo assustadoras surgem, às vezes nos sentimos confusos e frustrados. Como é usar os pressupostos do aconselhamento bíblico nesse momento?

Quando a nossa compreensão de mundo é formada pela premissa que:
– este mundo é o fim em si mesmo;
– tenho o direito de ser feliz (bem-estar);
– que a dor e sofrimento não têm propósito, é apenas algo casual;
– o bem de Deus para minha vida é somente na esfera física.
Quando essas premissas são as diretrizes de vida, e surgem situações assustadoras, o medo e frustração são os passos seguintes.
Por isso, os pressupostos teológicos nos trazem um norte, ou seja, os princípios de Deus para essa vida devem apontar para qual a vontade de Deus naquela situação.
Toda e qualquer situação é sempre uma oportunidade de adorar ao Senhor, e crescer em intimidade com Ele.
Meus irmãos, considerem motivo de grande alegria o fato de passarem por diversas provações, pois vocês sabem que a prova da sua fé produz perseverança. E a perseverança deve ter ação completa, a fim de que vocês sejam maduros e íntegros, sem lhes faltar coisa alguma.
“Se algum de vocês tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá livremente, de boa vontade; e lhe será concedida” (Tiago 1:2-5).

Não é difícil duvidar do cuidado de Deus por nós ou de Seu controle sobre nossas vidas diante de situações extremamente adversas. Como agir nesses casos?

Mais uma vez minha resposta está alicerçada no entendimento sobre este mundo e o plano de Deus para ele. Plano em que estou incluso.
Porém, quando a dor e sofrimento chega até nós, ainda que com uma boa base bíblia, e confiança no Senhor, e como seres humanos limitados e pecadores, sentimos o golpe. Em outras palavras, não duvidamos de Deus, mas ficamos descontentes com o plano de Deus para nossa vida.
Nesses casos precisamos pregar o evangelho para nós mesmos. Trazer a mente os conceitos bíblicos que possam nos estabilizar e nos direcionar para adoração ao Senhor.

É difícil suportar a adversidade e uma dificuldade ainda maior em compreendê-la. Como o aconselhamento bíblico foi importante para o irmão enquanto estava internado?

Quando estive internado a minha preocupação não foi se morreria ou não, mas como ficariam as pessoas que amo sem a minha presença.
Obviamente, sabendo sobre os conceitos bíblicos nossa mente fica mais tranquila, e lhe fornece um caminho de esperança e serviço ao próximo.
Assim, lembrar de alguns conselhos que ministrei para outros também serviu de remédio na situação.

Por que Deus permite isso? Essa pergunta passou pela sua cabeça?

Sim, porém de outra forma. O que Deus está querendo me ensinar? O que preciso aprender nessa situação.
A conclusão de que somos frágeis e totalmente dependentes de Deus foi algo que perdurou muito em minha mente.
A fragilidade humana é inquestionável, o sentido de impotência é um excelente professor sobre a condição humana. A humildade em reconhecer sua impotência talvez seja o maior ensinamento aprendido nessa situação.

Como foi administrar a distância da família?

Graças a Deus foi bem tranquilo. Pois a minha esposa e o meu filho estavam comigo o tempo todo. Assim, não foi algo tão distante.
Talvez os familiares e a igreja tenha sido algo mais difícil. Pois teve um momento em que não conseguia me comunicar com eles.

Como foi ouvir a notícia: “Você está de alta”.

Foi maravilhoso! A notícia de que você está curado (ainda bem debilitado) é sempre muito festiva e confortadora. no dia da alta, o que mais desejava era sentir o gostinho da minha casa com os meus. E, no caminho do hospital para casa, o desejo de agradecer a Deus pelo retorno.

Conselheiro bíblico também passa por adversidades. O que o irmão gostaria de dizer para nossos ouvintes e leitores?

Primeiro, que conselheiro bíblico é como qualquer outra pessoa. Sofre, entristece, chora, peca como todos, logo, ele também precisa ouvir a Palavra que traz esperança, direcionamento e a vontade de Deus para aquela situação.
Porém, o que mais me chamou atenção nessa situação e quero compartilhar com os nossos ouvintes é: DEUS ESTÁ SEMPRE CUIDANDO DE TUDO, ISSO INCLUÍ EU E VOCÊ.
Podemos e devemos pensar como Deus é soberano, e que nada pode fugir do seu Plano perfeito.
“Sabemos que Deus age em todas as coisas para o bem daqueles que o amam, dos que foram chamados de acordo com o seu propósito. Pois aqueles que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos” (Romanos 8:28,29 NVI).

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