Palavras com poder de abençoar ou amaldiçoar!
Palavras podem ser revestidas de um “peso” enorme ou com grande poder de impacto | Foto: Reprodução

Deus nos concedeu a liberdade de escolher as palavras que podemos proferir: Palavras de bênçãos ou Palavras de maldição!

Por Eduardo Veronese da Silva

O texto que ora nos propomos a escrever, visa discorrer sobre a amplitude da significação das palavras, como também acerca da importância dos resultados que cada uma delas podem produzir em seus ouvintes (ou leitores).

É sabido por muitos de nós, que quando verbalizamos certas palavras e, dependendo do lugar e do momento em que são ditas, elas podem sair de nossas bocas com muita consistência e fortes vibrações. Dito de outra forma, podem sair revestidas de um “peso” enorme ou com grande poder de impacto, principalmente para quem forem direcionadas (e demais ouvintes).  

Nesse sentido, duma mesma pessoa ou duma mesma boca, podem sair palavras afáveis, de consolo, de encorajamento, de afirmação, com o verdadeiro propósito de melhorar a autoestima de outrem: “Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, mas só a que for boa para promover a edificação, para que dê graça aos que a ouvem” (cf. Efésios 4:29).

No entanto, ao mesmo tempo ou logo em seguida, desta mesma boca pode sair palavras desagradáveis, como de confronto, calúnia, difamação ou injúria, de admoestação (repreensão) ou de exortação (advertência) ou palavras “mal-ditas”, com a intenção de ofender ou menosprezar o outro (sublinhamos). Davi, num dos Salmos de sua autoria, relata ao Senhor, sua queixa sobre a maldade de seus inimigos, lançando sobre Deus a carga pesada que estava sobre os seus ombros, pelas palavras que estavam sendo ditas e direcionadas a sua pessoa:  

Salmo 55:21. A sua boca era mais macia do que a manteiga, mas no seu coração, guerra; as suas palavras eram mais brandas do que o azeite; todavia, eram espadas nuas.

Na verdade, de suas bocas saiam coisas agradáveis aos seus ouvidos, enquanto que nos seus corações (mente e pensamento), maquinavam fazer-me o mal. Quanto a expressão usada por nós como “mal-ditas”, podemos fazer uma dupla interpretação: primeiro, são palavras que tencionam amaldiçoar alguém ou uma outra pessoa (especifica e direcionada). Na linguagem popular “espraguejar” alguém, isto é, jogar uma praga ou desejar o mal. E isso pode ocorrer, mesmo que a pessoa não esteja por perto. Numa simples e rasa interpretação, pode-se dizer que são palavras ditas num mal momento (ruim ou inapropriado). Foram pronunciadas no lugar e no momento errado.

Tiago 3:6-10. A língua também é um fogo; como mundo de iniquidade, a língua está posta entre os nossos membros, e contamina todo o corpo, e inflama o curso da natureza, e é inflamada pelo inferno. (…); está cheia de peçonha mortal (substância venenosa). Com ela bendizemos a Deus e Pai, e com ela amaldiçoamos os homens, feitos à semelhança de Deus: de uma mesma boca procede bênção e maldição. Meus irmãos, não convém que isto se faça assim (acréscimo nosso).

Elas podem ainda, ter sido direcionadas para a pessoa errada. Noutras palavras, pessoas que não tem nada a ver com a situação, acabam recebendo toda a carga e peso impregnado naquela fala. E isso não é tão difícil de acontecer em nossos dias. Para nosso exemplo; quando ocorre um desentendimento de grandes proporções entre casais; infelizmente, o marido e/ou a esposa, costumam descarregar toda a sua “raiva” de seu cônjuge, em cima de seus filhos (ou enteados etc.). E não são poucos os casos, ao ponto de até se chegar a maus tratos e agressões físicas.  

É bem provável que você já tenha escutado alguém falar assim: “Maldita foi a hora que abri a minha boca”. A pessoa que diz isso, sabe que poderá vir alguns problemas e complicações futuras acerca dessa sua fala. E o que são as palavras? Qual a sua significação? O escritor Silveira Bueno (2007), as define como sendo a faculdade de expressão da voz ou, ainda, o som articulado com certa significação.

Deste conceito, entre outras coisas, percebemos que cada palavra verbalizada por nós, sairá de nossa boca com um certo significado e que, nem sempre, receberá a mesma interpretação de todos os seus ouvintes. Vale lembrar ainda, que dependendo do olhar de quem a emite, a tonalidade de sua voz, os gestos realizados enquanto fala; além de se considerar o local e as circunstâncias que estão envolvidas (e as pessoas), esta fala pode ter um desdobramento terrível como resultado final.

Costumo dizer em palestras, sala de aula com alunos ou pessoas próximas, de que às vezes uma palavra “maldita”, como já dissemos anteriormente, pode abrir uma ferida mais profunda do que uma agressão física. Em geral, dependendo da violência física sofrida (p.ex., lesões corporais leves), trata-se com compressas de gelo e/ou quente e com medicações de cunho analgésicas e anti-inflamatórias. E, em alguns dias, a região lesionada estará perfeita novamente.

Em geral, com as feridas causadas por palavras verbalizadas, não é tão fácil assim o seu tratamento. Elas, quando ditas e revestidas de “maldade”, com a intenção de ferir e machucar o ouvinte (de forma dolosa), costumam penetrar no mais profundo de nossa alma (entranhas, coração e sentimentos). Lembrem-se de uma coisa: as palavras têm poder: “Porque a palavra de Deus é viva, e eficaz, e mais penetrante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até à divisão da alma, e do espírito, e das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração” (cf. Hebreus 4:12).

A palavra de Deus, conforme o texto de Hebreus, tem este grande poder de penetração, mas o seu propósito e aplicação para todo o ser humano, volta-se para que ocorra uma mudança e transformação do “velho homem”, fazendo renascer um novo ser vivente, uma nova vida! E bem melhor do que o ser anterior. Costumo dizer a sós com Deus: “Ó Senhor! Que eu possa ser hoje, melhor do que fui ontem. E amanhã; melhor do que serei hoje”. O apóstolo Paulo, antes; Saulo de Tarso, fez um registro importante acerca desta mudança e transformação humana.

2 Coríntios 5:6-10,17. Pelo que estamos sempre de bom ânimo, sabendo que, enquanto estamos no corpo, vivemos ausentes do Senhor. (…). Mas temos a confiança e desejamos, antes, deixar este corpo (ocorrer a transformação), para habitar com o Senhor. Pelo que muito desejamos também ser-lhe agradáveis, quer presentes, quer ausentes. Porque todos devemos comparecer ante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o que tiver feito por meio do corpo, ou bem ou mal. (…). Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é: as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo (nosso acréscimo).

Para tanto, não podemos deixar e nem esquecer, de que as palavras malditas por homens comuns como nós (e mulheres), podem penetrar profundamente naqueles que as ouvem ou são direcionadas, principalmente naqueles que não possuem maturidade e equilíbrio emocional para saber filtrá-las: “Mas ponham à prova todas as coisas, mas fique somente com o que é bom” (cf. 1 Tessalonicenses 5:21). Logo, podemos inferir, que existem pessoas que suportam mais ouvir algumas “coisas” do que outras.

Neste contexto, aproprio-me de um sábio ensinamento de meu Pai – Adonel (in memorian), que dizia assim: “Ouça com um de seus ouvidos, deixando sair pelo outro, do outro lado”. O que ele queria me ensinar com isso? Aquilo que eu viesse a ouvir, se fosse coisa desagradável e ruim, entrava por um lado, mas sairia pelo outro no mesmo instante. E a que fosse boa e proveitosa, ficaria retida na memória, podendo descer para o coração.  

1 – Obras ou Acontecimentos Através da Palavra

Veremos neste tópico, algumas das mais diversas realizações que foram criadas por meio da Palavra. Nós, como Cristãos e filhos de Deus, acreditamos cabalmente de que tudo o que está escrito nas Sagradas Escrituras (a Bíblia), são verdadeiras e que aconteceram da forma com a qual foram inscritas (entalhadas e gravadas). Portanto, tudo o que o nosso Deus e Senhor, criou, teve início a partir da Palavra:   

1.1 – O Criacionismo: logo no primeiro livro de nossas Bíblias, o Gênesis “bereshith” – no princípio, podemos observar que todas as primeiras criações de Deus, se encontram neste Manuscrito Sagrado: o primeiro homem, o casamento, a primeira família, o homicídio, o pecado, os instrumentos musicais, e assim por diante. O interessante sobre as criaturas feitas por Ele, é que antes mesmo de iniciá-las, pronunciava as Palavras e, logo em seguida, elas surgiam: “No princípio, criou Deus os céus e a terra. E a terra era sem forma e vazia; e havia trevas sobre a face do abismo; e o Espírito de Deus se movia sobre a face das águas. E disse Deus: Haja luz. E houve luz (grifamos: Gênesis 1:1-3).

1.1.1 – Os Seres Viventes: o mesmo se deu como as demais coisas ou criaturas que foram sendo criadas por Deus; isto é, precedia antes a Sua verbalização: “E disse Deus: Haja uma expansão no meio das águas, e haja separação entre águas e águas. E fez Deus a expansão e fez separação entre as águas que estavam debaixo da expansão e as águas que estavam sobre a expansão. E assim foi” (grifamos: Gênesis 1:6-7).

1.1.2 – O Ser Humano: dando continuidade ao criacionismo, veio a “ideia” de se criar o primeiro homem na face da terra. E ela não ocorreu de forma diferente das criações anteriores, pois o Senhor usou de Sua palavra para fazê-lo: “E fez Deus as bestas-feras da terra conforme a sua espécie, e o gado conforme a sua espécie, e todo o réptil da terra conforme a sua espécie. E viu Deus que era bom. E Deus disse: Façamos o homem nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo réptil que se move sobre a terra” (grifamos: Gênesis 1:25-27). Poderíamos continuar e deter mais tempo sobre este tópico, escrevendo outras tantas coisas que foram feitas por Deus, usando como instrumento de criação a Sua própria Palavra. Esta não é a proposta deste texto, por isso, vamos prosseguir e detalhar mais acontecimentos que foram e continuam sendo importantes conhecer e, ao mesmo tempo, sabermos o poder existente nas palavras ditas em nosso cotidiano.

Antes de prosseguirmos, quero abrir um parêntese neste ponto, já que abordamos acerca da criação do ser humano, para escrever algumas palavras aos homens (e mulheres), principalmente para aqueles que são casados e tem filhos: Muito cuidado com as palavras que são direcionadas a seus filhos e também a seu cônjuge (até aquelas que não são ditas), pois elas tanto podem produzir ótimos resultados (bênçãos) como péssimas consequências (maldições).

Salmo 50:7,19-22. Ouve, povo meu, e eu falarei; ó Israel, e eu, Deus, o teu Deus, protestarei contra ti (…). Soltas a tua boca para o mal e a tua língua compõe o engano (falsidade, veneno). Assentas-te a falar contra teu irmão (ou qualquer um); falas mal contra o filho de tua mãe (ou seus filhos). Estas coisas tens feito, e eu me calei; pensavas que era como tu; mas eu te arguirei, e, em sua ordem, tudo porei diante dos teus olhos. Ouvi, pois, isto, vós que vos esqueceis de Deus; para que vos não faça em pedaços (o mate), sem haver quem vos livre (acréscimo nosso).

Uma das ordenanças da parte de Deus para os filhos em relação aos pais, volta-se para questão de honrá-los e, se assim o fizerem, tem a promessa d’Ele de que viverão longos dias na terra: “Honra a teu pai e a tua mãe, que é o primeiro mandamento com promessa, para que te vá bem, e vivas muito tempo sobre a terra”, (cf. Efésios 6:2-3 e Êxodo 20:12). Neste mesmo texto e capítulo da Epístola aos Efésios (NT), Deus também apresenta uma ordenança aos pais no relacionamento cotidiano com seus filhos: “E vós, pais, não provoqueis a ira a vossos filhos, mas criai-os na doutrina e admoestação do Senhor”, (Efésios 6:4).

Portanto, procurem amar os vossos filhos (e cônjuge), proferindo palavras afáveis, cativantes e estimuladoras e, mesmo na hora da adverti-los, procure fazê-lo com palavras firmes, mas em amor: “A resposta branda desvia o furor (a raiva), mas a palavra dura suscita a ira (o ódio)”, (Provérbios 15:1).

Além das palavras ditas, procure demonstrar o seu amor e cuidado com eles, através de gestos e atitudes, por exemplo; separando um tempo de qualidade para estarem juntos (não necessita ser muito tempo ou dias), desde que seja reservado especialmente para estar com eles. Aproveitando ao máximo esse momento. Vale lembrar de outra coisa muito importante: de repente você é um pai (ou mãe) que nunca proferiu palavras “mal-ditas” aos seus filhos (ou cônjuge), parabéns! No entanto, pode ser também, que não tenha por costume fazer-lhe um elogio ou direcionar uma palavra de estimulo e encorajamento. Saiba duma coisa: a ausência desses gestos e destas palavras, para muitos ouvidos (e pessoas), fazem muita falta e uma tremenda diferença!  

2 – O Poder da Palavra no Antigo Testamento (AT)

O uso e emprego do termo atributo inserido aqui, volta-se para as questões relacionadas aos aspectos divinos ou que apresentam resultados positivos. Portanto, todos eles fazem parte do grande “rol” dos principais atributos de Deus, entre eles:

2.1 – Proteção e Sustento: depois da criação do primeiro ser humano na face da terra (cf. Gênesis 1:26) e de tantas outras coisas, Jeová passou a escolher e chamar alguns desses homens, para desempenhar uma missão específica ordenada por Ele. Dentre eles, chamou Moisés, que teve como encargo, ir até Faraó e libertar os Hebreus, da escravidão egípcia.

Êxodo 3:2-6. E apareceu-lhe o Anjo do SENHOR em uma chama de fogo, no meio de uma sarça; e olhou, e eis que a sarça ardia no fogo, e a sarça não se consumia. E Moisés disse: Agora me virarei para lá e verei esta grande visão, porque a sarça se não queima. E, vendo o SENHOR que se virava para lá a ver, bradou Deus (disse em voz alta) a ele do meio da sarça e disse: Moisés! Moisés! E ele disse: Eis-me aqui. E disse Deus: Não te chegues para cá; tira os teus sapatos de teus pés; porque o lugar em que tu estás é terra santa. Disse mais: Eu sou o Deus de teu pai, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó. E Moisés encobriu o seu rosto, porque temeu olhar para Deus (grifamos).

Em todas as vezes que Deus escolheu e chamou certos homens para O servir, isto é, conduzir a Sua obra na terra, garantiu-lhes proteção e sustento. Como podemos comprovar do que foi feito por Ele, enquanto o seu povo peregrinava no deserto a caminho da Terra Prometida: “E o SENHOR ia adiante deles, de dia numa coluna de nuvem, para os guiar pelo caminho, e de noite numa coluna de fogo, para os alumiar, para que caminhassem de dia e de noite. Nunca tirou de diante da face do povo a coluna de nuvem, de dia, nem a coluna de fogo, de noite”, (cf. Êxodo 13:21-22).

2.2 – Livramentos: além de ter sido usada para a proteção e provisão alimentícia dos hebreus no deserto, Jeová promoveu várias coisas por meio de Sua Palavra, durante os quarenta anos da peregrinação deste imenso povo, entre elas, o grande livramento do exército de Faraó, rei do Egito: “Porque o SENHOR endureceu o coração de Faraó, rei do Egito, para que perseguisse os filhos de Israel; porém os filhos de Israel saíram com alta mão. E os egípcios perseguiram-nos, todos os cavalos e carros de Faraó, e os seus cavaleiros, e o seu exército e alcançaram-nos acampados junto ao mar, perto de Pi-Hairote, diante de Baal-Zefom”, (Êxodo 14:8-9).

O povo hebreu, quando viu os cavalos, carros e os cavaleiros do rei do Egito, logo atrás deles, ficaram temerosos e começaram a pressionar seu Líder, Moisés, usando novamente palavras de murmuração: “E disseram a Moisés: Não havia sepulcros no Egito, para nos tirares de lá, para que morramos neste deserto? Por que nos fizeste isto, que nos tens tirado do Egito?” (v.11). Não sabiam eles, que Deus era com Moisés! E o mais importante de tudo isso, é que Moisés tinha a certeza disso:

Êxodo 14:12-13. Moisés, porém, disse ao povo: Não temais; estai quietos e vede o livramento do SENHOR, que hoje vos fará; porque aos egípcios, que hoje vistes, nunca mais vereis para sempre. O SENHOR pelejará por vós, e vos calareis.

Quero dizer a você leitor (e para mim), que esse mesmo Deus que escolheu e chamou Moisés e tantos homens mortais, para conduzir uma missão específica de Seu plano para a humanidade na terra, continua a chamar “homens” como eu e você. E se realmente fomos escolhidos e chamados, temos que ter a certeza igual tinha Moisés, de que Ele estará conosco, pois é Ele quem “Pelejará Conosco e por Nós”.

2.3 – Unção e Consagração: em vários livros contidos no AT, encontramos narrativas acerca do atributo de promover a unção e consagração de certos homens, para exercerem funções e ofícios específicos a serviço de Jeová: “O espírito do Senhor DEUS está sobre mim; porque o SENHOR me ungiu, para pregar (anunciar com palavras) as boas novas aos mansos; enviou-me a restaurar os contritos de coração, a proclamar liberdade aos cativos, e a abertura de prisão aos presos; a apregoar o ano aceitável do Senhor e o dia da vingança do nosso Deus; a consolar todos os tristes”, (cf. Isaías 61:1-2).

Para que esses homens escolhidos e chamados por Deus, pudessem fazer a obra determinada por Jeová, conforme descrita neste texto Bíblico, eles iriam precisar usar o tempo todo (e por muito tempo) o recurso da oralidade, haja vista que recebiam a Mensagem Revelada diretamente do Altíssimo e teriam que repassá-la ao povo.   

3 – O Poder da Palavra no Novo Testamento (NT)

Vimos alguns dos atributos divinos que foram usados por Deus, através de Sua palavra que foram direcionadas para o povo do Antigo Testamento (AT). Agora, dando sequência acerca do tema, mas com sua ênfase focada em fatos e acontecimentos relacionados a civilização que viveu no tempo do Novo Testamento (NT). Se observarmos todos os 66 (sessenta e seis) livros da Bíblia, iremos constatar que homens de diversas culturas, ofícios e regiões, foram escolhidos e chamados por Deus para serem seus Arautos e Profetas.

Em outras palavras, quando eles convocavam o povo para se reunirem, pois tinham alguma coisa de importância para dizer-lhes; sabiam que não era ideia ou criação de suas cabeças. Por isso, costumavam iniciar sua fala, com as seguintes palavras: “Assim diz o Senhor (…)”. Na verdade, era o próprio Jeová falando com seu povo, usando o som articulado pela boca desses homens (sua voz e sua palavra).

Tiago 5:9-11. Irmãos, não vos queixeis uns contra os outros, para que não sejais condenados. Eis que o juiz está à porta. Meus irmãos, tomai por exemplo de aflição e paciência os profetas que falaram em nome do Senhor. Eis que temos por bem-aventurados os que sofreram. Ouvistes qual foi a paciência de Jó e vistes o fim que o Senhor lhe deu; porque o Senhor é muito misericordioso e piedoso.

Depois do início do ministério terreno de Jesus, muitos desses homens tiveram o privilégio e a honra de estarem em Sua companhia, pelo menos pelo período de três anos. E mesmo estando ladeados com Ele e testemunhando acerca de muitos de seus feitos e milagres, nem com/por isso, todos eles acreditavam nas Palavras ditas por Jesus. O pior ainda, que nem mesmo os seus irmãos, os filhos de José com Maria, acreditavam naquilo que Ele falava: “Disseram-lhe, pois, seus irmãos: Sai daqui e vai para a Judéia, para que também os teus discípulos vejam as obras que fazes. Porque não há ninguém que procure ser conhecido que faça coisa alguma em oculto. Se fazes essas coisas, manifesta-te ao mundo. Porque nem mesmo seus irmãos criam nele” (grifamos).

Vê-se no texto, que seus irmãos O estavam mandando ir embora para outra cidade, pois alegavam que “se realmente” fizesse as coisas que dizia fazer, Ele deveria torná-las públicas e não as ocultar. Além das pessoas de sua própria casa não acreditarem n’Ele, tinha também o seu próprio povo, os judeus, inclusive queriam matá-LO: “E, depois disso, Jesus andava pela Galiléia e já não queria andar pela Judéia, pois os judeus procuravam matá-lo. E estava próxima a festa dos judeus chamada Festa dos Tabernáculos”, (cf. João 7:1-5). Sendo assim, Jesus partiu com os seus discípulos para a região da Galileia. Mas nem por isso, interrompeu a missão que lhe foi confiada por seu Pai Celestial. Assim, continuou usando de seus atributos, principalmente através de Sua Palavra; entre eles:

3.1 – O Ensino e as Instruções: no Antigo Testamento, os Profetas e Porta-Vozes do Senhor Jeová, usaram de suas vozes – as Palavras, para advertirem o povo hebreu: “Ninguém subsistirá diante de vós; o SENHOR, vosso Deus, porá sobre toda a terra que pisardes o vosso terror e o vosso temor, como já vos tem dito (Ele, o Senhor, tem falado). Eis que hoje eu ponho diante de vós a bênção e a maldição: a bênção, quando ouvirdes os mandamentos do SENHOR, vosso Deus, que hoje vos mando; porém a maldição, se não ouvirdes os mandamentos do SENHOR, vosso Deus, e vos desviardes do caminho que hoje vos ordeno, para seguirdes outros deuses que não conhecestes”, (cf. Deuteronômio 11:25-28).

Com o advento da vinda do Messias – Jesus Cristo, conforme declarado verbalmente pelos Profetas do passado: “Portanto, o mesmo Senhor vos dará um sinal: eis que uma virgem conceberá, e dará à luz um filho, e será o seu nome Emanuel” (cf. Isaías 7:14 e 9:6), houve a implantação duma Nova Aliança ou Novo Testamento. No entanto, o Senhor continuou a fazer uso de sua Palavra, entre as mais variadas formas, para dar continuidade ao seu plano para o ser humano. Muitas vezes, usou da pessoa de certos homens para anuncia-las ao povo; mas agora, o Deus-Pai, passou a usar as palavras ditas por Seu próprio Filho.

3.1.1 – A Justificação: antes, o povo estava subjugado a Lei Mosaica (o Pentateuco e/ou os Dez Mandamentos), cujo Legislador era o próprio Jeová: “E deu a Moisés (quando acabou de falar com ele no monte Sinai) as duas tábuas do Testemunho, tábuas de pedra, escritas pelo dedo de Deus” (Êxodo 31:18).

E, a este mesmo Moisés, determinou que a divulgasse entre o seu povo. Aqueles que a descumprissem ou a violasse, seriam sentenciados a realização de holocaustos e sacrifícios, principalmente com a morte de animais ou de aves (carne e sangue).

Agora, com o derramamento do “Sangue do Cordeiro”, o sangue da Nova Aliança e de um Único sacrifício apresentado a Deus em que, o Cordeiro imolado foi o seu próprio Filho, Jesus Cristo. Portanto, não é mais por imposição de lei escrita pelo homem que somos subjugados, como no Pacto do passado (AT). A lei teve a sua importância e necessidade para aquela época e para aquele povo, tendo em vista que ela “serviu como Aio[1]”. Agora, em nosso tempo, fomos alcançados e vivemos no tempo da “Graça”, podendo ser traduzida como um favor da parte de Deus, concedida a Todos aqueles que creem de que Ele é o TODO-PODEROSO.

Romanos 3:19-24. Ora, nós sabemos que tudo o que a lei diz aos que estão debaixo da lei o diz, para que toda boca esteja fechada e todo o mundo seja condenável diante de Deus. Por isso, nenhuma carne será justificada diante dele pelas obras da lei, porque pela lei vem o conhecimento do pecado. (…). Mas, agora, se manifestou, sem a lei, a justiça de Deus, tendo o testemunho da Lei e dos Profetas, isto é, a justiça de Deus pela fé em Jesus Cristo para todos e sobre todos os que creem; porque não há diferença. Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus, sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus.

Não podemos esquecer, de que nenhum ser humano na face da terra, pode valer-se deste atributo divino chamada por “Graça”, achando-se merecer por acreditar que é bom ou justo. Os méritos são exclusivamente de Deus que nos amou primeiro e quem no-la concede: “Nisto se manifestou o amor de Deus para conosco: que Deus enviou seu Filho unigênito ao mundo, para que por ele vivamos. Nisto está o amor, não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou a nós, e enviou seu Filho para propiciação pelos nossos pecados” (1 João 4:9,10).   

3.1.2 – A Santificação: a partir de nossa justificação em Cristo Jesus, por ter quitado a nossa dívida e nos ter absolvido da condenação e da morte, quando voluntariamente SE deu para ser crucificado, possibilitou-nos ingressar no processo da santificação. Atributo divino que leva o cristão (ou novo convertido) a tornar-se santo ou consagrado ao Senhor (separado do mundo). A partir de então, devemos buscar diariamente envolver-se totalmente com tudo o que diz respeito a Deus e a sua Palavra.

Romanos 8:1-6. Portanto, agora, nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o espírito. Porque a lei do Espírito de vida, em Cristo Jesus, me livrou da lei do pecado e da morte. Porquanto, o que era impossível à lei (da Antiga Aliança), visto como estava enferma pela carne, Deus, enviando o seu Filho em semelhança da carne do pecado (Encarnou ou se fez Homem), pelo pecado condenou o pecado na carne, para que a justiça da lei se cumprisse em nós (instituiu a Nova Aliança), que não andamos segundo a carne, mas segundo o Espírito. Porque os que são segundo a carne inclinam-se para as coisas da carne; mas os que são segundo o Espírito, para as coisas do Espírito. Porque a inclinação da carne é morte; mas a inclinação do Espírito é vida e paz.

Com a vinda de Jesus Cristo à terra, deu-se início o cumprimento de muitas profecias que foram anunciadas por seus mensageiros do AT. Agora, as ordenanças e leis divinas deveriam ser gravadas não em Tábuas de Pedra (o Decálogo), mas sim, nos corações de seus ouvintes e seguidores: “Mas este, havendo oferecido um único sacrifício pelos pecados, está assentado para sempre à destra de Deus, (…). Porque, com uma só oblação (oferta à Deus), aperfeiçoou para sempre os que são santificados (…): Este é o concerto que farei com eles depois daqueles dias, diz o Senhor: Porei as minhas leis em seu coração e as escreverei em seus entendimentos”, e acrescenta: “E jamais me lembrarei de seus pecados e de suas iniquidades” (cf. Hebreus 10:12-17).

3.1.3 – A Fé: temos que pensar e agir diferentemente da atitude tomada por Tomé, um dos doze discípulos de Cristo que, após ter sido informado por seus companheiros de que Ele havia ressuscitado, disse: “Eu só acredito se ver com os meus próprios olhos (mãos perfuradas) e tocar em sua ferida na costela” (cf. João 20:23-27). Desta incredulidade de Tomé, nasceu a expressão; “ver para crer”.

Portanto, se somos verdadeiramente Cristãos, temos que ter a postura e a seguinte opinião: “Nós cremos em Cristo, pelo que ouvimos de sua Palavra, sem a necessidade de ter que VÊ-LO ou de TOCAR-LHE” fisicamente para acreditarmos. Dito de outra forma: Primeiramente, nós ouvimos e/ou lemos acerca de Sua palavra; e cremos. Depois disso, temos a esperança de que um dia O veremos e estaremos com Ele: “Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam e a prova das coisas que se não veem” (cf. Hebreus 11:1).

3.1.4 – A Salvação Eterna:  Basicamente, de tudo que foi apresentado até agora, podemos dizer que a Lei da Nova Aliança é e está centrada na pessoa de Jesus Cristo. E a essência desta nova Lei que está em vigor, vem revestida de tantos atributos divinos, mas gostaríamos de destacar alguns: a Caridade (Amor), Gozo (prazer), Paz, Longanimidade (generosidade), Benignidade (delicadeza), Bondade, Fé (fidelidade), Mansidão e Temperança, entre outros. Quanto a esses atributos, não há necessidade alguma de lei (cf. Gálatas 5:22-23). Escolhemos finalizar este artigo e estudo, com este atributo maravilhoso da parte de Deus – a Salvação Eterna. Ela é concedida a todos aqueles que derem atenção e credibilidade a Sua Palavra: “Crê no Senhor Jesus Cristo, e serás salvo, tu e os de tua casa” (cf. Atos 16:31).

Quando as Boas Novas de Cristo (o Evangelho) está sendo ministrada e deixamos os ouvidos atentos para ouvir a pronúncia de cada palavra, principalmente quando Deus usa o homem como seu porta-voz, havendo uma perfeita comunicação e compreensão de Sua mensagem. Ela pode penetrar no mais profundo do seu ser, indo muito além da capacidade de escuta de seus ouvidos. E por meio dela, podemos alcançar a salvação eterna: “Porque o fim da lei é Cristo para justiça de todo aquele que crê. Ora, Moisés descreve a justiça que é pela lei, dizendo: O homem que fizer estas coisas viverá por elas. Mas a justiça que é pela fé diz assim: Não digas em teu coração: Quem subirá ao céu (isto é, trazer do alto a Cristo)? (…). Porque todo aquele que invocar (chamar, suplicar ou implorar) o nome do Senhor será salvo. (…). Mas nem todos obedecem ao evangelho (a Palavra de Deus); pois Isaías diz: Senhor, quem creu (ouviu e acreditou) na nossa pregação? De sorte que a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus” (acréscimos nosso; cf. Romanos 10:4-6,13,16-17).

Todo ser humano irá passar pelo Juízo Final, sendo determinado pelo Justo Juiz, um dos dois lugares para onde iremos, após sermos sentenciados: “E, naquele tempo, se levantará Miguel, o grande príncipe, que se levanta pelos filhos de seu povo, e haverá um tempo de angústia, qual nunca houve, (…); mas, naquele tempo, livrar-se-á o teu povo (…). E muitos dos que dormem no pó da terra (morreram) ressuscitarão, uns para a vida eterna (gozo eterno), e outros para a vergonha e tormento eterno” (cf. Daniel 12:1-2; Jó 19:25-27; Salmo 16:8-11 e Isaías 26:19-21).

Mas, precedendo o dia deste Juízo Final, a Palavra de Deus também nos assegura, de que todo os CRISTÃOS, terão que se apresentar diante de outro julgamento. Desta vez, para prestar contas de todos os seus atos praticados aqui na terra; quer sejam bons (abençoadores) ou quer sejam maus (de maldição). Neste dia, sem exceção, TODOS os seguidores de Cristo, serão julgados. E o Juiz que estará conduzindo o julgamento será Cristo. Portanto, seremos chamados individualmente pelo nome, devendo apresentar nossa argumentação quando indagados pelo Senhor e Juiz.

Tiago 1:18-25. Segundo a sua vontade, ele nos gerou pela palavra da verdade, para que fôssemos como primícias das suas criaturas. (…). Sabeis isto, meus amados irmãos; mas todo o homem seja pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar. Porque a ira do homem não opera a justiça de Deus. Pelo que, rejeitando toda imundícia e acúmulo de malícia, recebei com mansidão a palavra em vós enxertada, a qual pode salvar a vossa alma. E sede cumpridores da palavra e não somente ouvintes, enganando-vos com falsos discursos. Porque, se alguém é ouvinte da palavra e não cumpridor, é semelhante ao varão que contempla ao espelho o seu rosto natural; porque se contempla a si mesmo, e foi-se, e logo se esqueceu de como era. Aquele, porém, que atenta bem para a lei perfeita da liberdade (Palavra de Deus) e nisso persevera, não sendo ouvinte esquecido, mas fazedor da obra, este tal será bem-aventurado no seu feito.

Vimos na introdução deste artigo, que as primeiras coisas que foram criadas nos céus e na terra, como também o ser humano, foram feitas através da palavra. E que no transcorrer da vida do homem na face da terra, muitas outras coisas e acontecimentos se deram por meio da palavra. E tudo isso, podendo ser comprovado em toda a Escritura Sagrada. Temos a plena convicção de que as palavras ditas por nós, possuem tanto o poder de abençoar vidas como de amaldiçoá-las e produzir até a morte (física e/ou espiritual).

Conclusão

O nosso Deus e Senhor, concedeu-nos a liberdade de escolher as palavras que podem vir a sair de nossas bocas, inclusive dando-os a capacidade de controlar acerca desses dois tipos que apresentamos: Palavras de bênçãos ou Palavras de maldição! O salmista Davi, disse algo importante sobre isso: “Sejam agradáveis as palavras da minha boca e a meditação do meu coração perante a tua face, SENHOR, rocha minha e libertador meu” (Salmo 19:14).

Portanto, que venhamos refletir diariamente sobre a nossa conduta familiar, conjugal, social, profissional e religiosa, pelo período incerto de tempo que o nosso corpo físico (carne) permanecerá aqui na terra. Para aqueles que querem viver bem e ter dias agradáveis até lá (e eu quero), sugiro-vos: “Refreiem a vossa língua do mal e não venham a perder o controle de seus lábios (boca), falando coisas falsas, enganosas e malditas”. E se depender de você (mais de sua parte), distancie-se do mal e procure ter paz com todo e qualquer ser humano, pois o que está em jogo é coisa valiosíssima: – a vida eterna! (cf. 1 Pedro 3:9-10 e Hebreus 12:14).

[1] Aio. Eram servos responsáveis pela proteção e educação dos filhos de seus senhores, levando-os para a escola, corrigindo-os, etc. Não foram seus professores e nem seus pais, mas serviam para os cuidados da criança. Quando o filho chegava a atingir certa idade e/ou maioridade, não estava mais sujeito ao aio.

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