A palavra ‘Trindade’ não aparece na Bíblia

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"Quem nega a Trindade opõe-se ao próprio Senhor Jesus. Quem nega a Trindade rejeita o Espírito Santo, posto que Ele é uma Pessoa e é Deus. Quem nega a Trindade opõe-se à Teologia, haja vista ser a Trindade a chave para o entendimento de várias outras doutrinas fundamentais". 

Ciro Sanches Zibordi: A palavra Trindade não aparece na BíbliaPor Ciro Sanches Zibordi

Ao discorrem sobre Gênesis 1, os unicistas — que pensam ter a “voz da verdade” — ignoram cinco verdades: a de que o termo hebraico para Deus, em Gênesis 1.1, denota pluralidade de Pessoas; a de que o Espírito Santo é mencionado no versículo 2; a de que há várias outras passagens veterotestamentárias em que o Senhor fala em plural (Gn 3.22; 11.7; Is 6.1-8); a de que, em Deuteronômio 6.4, a palavra hebraica para descrever a unicidade de Deus indica “unidade composta”, como ocorre no caso de marido e mulher sendo “uma só carne” (Gn 2.24); e a de que Deus afirma, em Salmos 2.7: “Tu és meu Filho, eu hoje te gerei”.

Quanto à claríssima menção à Trindade na passagem que narra o batismo de Jesus (Mt 3.13-17), os unicistas simplesmente dizem que não aparecem ali as três Pessoas. Mas, e o que vemos em Lucas 1.35 e 11.13, não são as três Pessoas? Não é o Senhor Jesus o Filho unigênito do Pai, como afirma o Novo Testamento? Não tem nenhum valor o Evangelho Segundo João? Ora, se o leitor ainda tem dúvidas quanto à doutrina a da Trindade, leia sem preconceito, em oração, João 3.16,34,35; 5.32,37; 14.16; 15.26; 16.8-11; 17.1-5; 19.30.

A quem Jesus orava, chamando de “Pai, que está nos céus” (Mt 7.21; 10.32,33; 11.25; Jo 11.41,42), quando andou na terra? A Ele mesmo? Quando Ele disse: “Eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre” (Jo 14.16), estava olhando para o espelho e pedindo para Ele mesmo enviar a si próprio? A quem o Senhor Jesus entregou o seu espírito, ao orar: “Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito” (Lc 23.46)? Por quem Ele foi exaltado soberanamente (Fp 2.6-11)?

Em João 14.16, Jesus afirmou que o Pai enviaria “outro” Consolador. Ou seja, Jesus é o Consolador, o Maravilhoso Conselheiro, o nosso Advogado (Is 9.6; 1 Jo 2.1), e o Espírito Santo é o “outro”. Este termo, no grego, na passagem citada, é “allos”, e não “heteros” (cf. 1 Tm 6.3,4). Segue-se que o Espírito Santo é outra Pessoa, mas da mesma categoria de Jesus, isto é, uma Pessoa divina (At 5.1-5), pois a Trindade não são três Deuses (triteísmo), e sim três Pessoas que formam um único Deus (triunidade).

Os que dizem ter a “voz da verdade” insistem em afirmar que não existe Trindade e ficam irritados com quem se contrapõe aos seus desvios das Escrituras. Mas, por que o Senhor Jesus é o Mediador entre Deus e os homens, conforme 1 Timóteo 2.5? Por que o Senhor disse que é o caminho pelo qual o ser humano conhece ao único Deus verdadeiro (Jo 14.6; 17.3)? Por que o Novo Testamento afirma que Ele está à direita de Deus, o Pai (At 7.55; Cl 3.1,2)?

Mesmo com tantas evidências bíblicas em prol da doutrina da Trindade, os seguidores da unicidade modalística (unicismo) dizem, “modestamente”, que estão certíssimos, pois João viu uma só Pessoa assentada sobre o trono! Meu Deus, esses que dizem ter a “voz da verdade” nunca leram Apocalipse cap. 1? Veja: “Àquele que nos ama, e em seu sangue nos lavou dos nossos pecados, e nos fez reis e sacerdotes para Deus e seu Pai” (vv.5,6). Note que o Pai é citado como uma Pessoa distinta daquEle que nos lavou dos nossos pecados.

Nunca leram os tais Apocalipse cap. 5? Nessa passagem, menciona-se que João viu na destra do que estava assentado sobre o trono um livro. Em seguida, surge o Cordeiro de Deus: “E veio, e tomou o livro da destra do que estava assentado no trono” (vv.1-7). Depois, no cântico de louvor ao Cordeiro, é dito que Ele comprou com o seu sangue homens para Deus (vv.8,9). Note: o Cordeiro recebeu o livro do que estava assentado no trono, uma referência tácita a Deus, o Pai.

Diante do exposto, é um grande engano pensar que é possível ser cristão e, ao mesmo tempo, negar a doutrina da Trindade. Quem nega a Trindade está contra a Bíblia. Quem nega a Trindade opõe-se ao próprio Senhor Jesus. Quem nega a Trindade rejeita o Espírito Santo, posto que Ele é uma Pessoa e é Deus. Quem nega a Trindade opõe-se à Teologia, haja vista ser a Trindade a chave para o entendimento de várias outras doutrinas fundamentais. Quem nega a Trindade rejeita o próprio plano da salvação, pois, na obra salvífica, o Pai enviou o Filho (Gl 4.4,5), que consumou a obra recebida daquEle (Jo 17,4,5; 19.30); e o Espírito Santo é quem convence o pecador dessa maravilhosa salvação (Jo 16.8-11).

Ah, e quanto ao título deste artigo? Trata-se de uma afirmação verdadeira! Os unicistas dizem que a palavra “Trindade” não aparece na Bíblia”. Nisso eles têm razão. Mas também não encontramos nas páginas sagradas termos como “onisciência”, “onipresença”, e nem por isso negamos que Deus é onisciente ou onipresente, não é mesmo? Penso que os unicistas deveriam observar que “unicismo”, “unicista”, “unicidade”, etc. também não aparecem na Bíblia! #ProntoFalei, quer eles gostem, quer não gostem.

Ciro Sanches Zibordi
Ciro Sanches Zibordi: A palavra Trindade não aparece na BíbliaEditor, escritor, articulista. Pastor da Assembleia de Deus, no Rio de Janeiro-RJ, é membro da Academia Evangélica de Letras do Brasil e da Casa de Letras Emílio Conde. É colunista do jornal norte-americano The Christian Post, articulista do Mensageiro da Paz (CPAD) e autor dos livros "Erros que os Pregadores Devem Evitar", "Erros Escatológicos que os Pregadores Devem Evitar", "Evangelhos que Paulo Jamais Pregaria", "Erros que os Adoradores Devem Evitar", "MAIS Erros que os Pregadores Devem Evitar", "Perguntas Intrigantes que os Jovens Costumam Fazer", "Adolescentes S/A", além de coautor de "Teologia Sistemática Pentecostal", todos editados pela CPAD. É preletor em escolas bíblicas e conferências, realizadas no Brasil e no exterior. Ministrou Hermenêutica, Exegese, Homilética, Teologia Sistemática e várias outras matérias durante dez anos na Faculdade Evangélica de São Paulo, onde se formou. Nesta cidade, pastoreou duas congregações ligadas à Assembleia de Deus do Ministério do Belém. Atuou na CPAD (RJ) como gerente de informática e editor de obras nacionais. Atualmente, reside em Niterói-RJ com a sua esposa, Luciana, e sua filha Júlia.

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