Padre que comprou carro de luxo deixa a paróquia

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Na missa de sábado à noite, padre disse que deixaria o cargo devido às últimas polêmicas

Padre Pedro CamiloAcusado por um grupo de fiéis de levar uma vida de luxo e de ter adquirido um carro de R$ 95 mil, o padre Pedro Camilo, que atuava na Paróquia de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, na Praia da Costa, em Vila Velha, renunciou ao cargo durante a missa de sábado à noite.

Segundo um membro da paróquia, que prefere não se identificar, o sacerdote relacionou sua saída às repercussões sobre a compra de um Jeep Compass e disse que aquela seria a última missa dele na igreja. O veículo foi comprado com recursos da paróquia e, segundo o padre, também com suas próprias economias.

Sem padre

Quem compareceu à Igreja neste domingo (04) pela manhã assistiu a uma celebração sem padre. A equipe de A GAZETA esteve lá por volta das 11h, para registrar a celebração e conversar com fiéis. No entanto, alguns reagiram ameaçando tomar o equipamento fotográfico e expulsando os repórteres do local.

O membro da paróquia que relatou a saída do padre ainda disse que a posição do sacerdote era questionável. “Ele chegou com atitudes que não condizem com a vida religiosa. Sempre se mostrou um tanto autoritário e nunca buscou os conselheiros da paróquia”, ressaltou.

Missa sem PadreNa manhã deste domingo, a missa na Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro foi realizada sem padre

O fiel afirma que durante a missa, Pedro Camilo alertou às pessoas da comunidade a terem cuidado com as lideranças. “O padre disse também que não entraria em detalhes quanto aos membros da paróquia, mas disse que ‘praga de padre pega’”.

Segundo o arcebispo de Vitória, Dom Luiz Mancilha Vilela, o padre vai passar um período em retiro antes de assumir atividades em outro local. Já a paróquia deve ter as questões administrativas resolvidas nesta semana. (Com informações de Taynã Feitosa)

Outro lado

Padre não atendeu ligações
Procurado pela reportagem de A GAZETA para explicar a sua renúncia da paróquia da Praia da Costa, o padre Pedro Camilo não atendeu às ligações. Um dos celulares da reportagem chegou a receber do número do sacerdote uma mensagem dizendo que não conhecia o número e pedindo identificação. O sacerdote também foi procurado via Facebook, mas não respondeu a mensagem enviada pela equipe do jornal na rede social.

Entenda o caso

Polêmica

Carro de luxo
O padre Pedro Camilo foi acusado por fiéis da paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro de ter comprado um Jeep Compass (R$ 95 mil), com dinheiro da paróquia, além de uísque e óculos de R$ 4 mil. O caso foi noticiado com exclusividade pela coluna Victor Hugo, em A GAZETA no dia 28.

Defesa
Em entrevista à TV Gazeta, o padre negou ostentação. Disse que o carro seria usado para o serviço e que por ser um veículo alto, facilitaria a locomoção até uma casa de acolhimento onde atua, e que usou R$ 29 mil seus para pagar o veículo. Ele estava como sacerdote da paróquia desde o início do ano.

Arcebispo
Em entrevista coletiva, Dom Luiz Mancilha disse que já havia conversado com o padre Pedro Camilo sobre o carro. O arcebispo frisou que o caso é acompanhado pelos bispos auxiliares.

Análise

Vida sem luxo para todo clero
O papa Bento XVI tinha uma vida simples, mas isso não era tão evidente por causa da sua personalidade introspectiva. Já o papa Francisco é mais extrovertido e imprimiu simplicidade, transparência e aproximação em seu pontificado. Discurso seguido por ele desde quando era arcebispo de Buenos Aires. Ele andava de transporte público e até como papa decidiu morar na casa Santa Marta para estar perto das pessoas, abrindo mão da comodidade. Isso tudo cria um imaginário coletivo de que assim deve ser o clero. A ostentação por parte de membros do clero tem sido questionada. Viver no luxo e na ostentação será contratestemunho. O clero vai ter o desafio de se adequar a esse discurso. É claro que o padre precisa de um carro para a sua missão, mas não precisa de um de alta performance. As próprias comunidades vão cobrar vida compatível com o que está sendo pregado. Vão cobrar também mais presença e que os padres deixem de ser burocratas da fé, se aproximando mais do próprio povo.
Vitor Rosa, teólogo

Fonte: A Gazeta | Gazeta Online

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