Os candidatos, as propostas de bem-estar e os currais

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Os candidatos, as propostas de bem-estar e os currais
Eleições 2014 – Candidatos à Presidência da República

por Pr. Antônio Mesquita

No mundo das propostas políticas, construir curral ou benefícios direcionados a grupos específicos em detrimento a outros, embora seja prática comum, não é menos condenável. Política (de polis, cidade), é a arte de cuidar dos interesses públicos com vistas ao bem-estar do povo como um todo, com abnegação.

Em cada propositura deve haver um viés de benefício a englobar o todo. Fora disso, cria-se ‘feudos’ e intrigas em oposição ao objetivo principal e sistema próprio de ditadores, além de hermético.

Também a inserção de efemérides e coisas semelhantes, com propositura nas casas de leis indicam o quanto estamos mal representados, com ausência de criatividade, nobreza e a enaltecer a pobreza de espírito, sem a distinção que o cargo público reclama.

Combate a propostas degradantes

Por outro lado, o cristão em todas as suas atividades, incluindo a política deve ter sua vida pautada pela ética. Esta tem como busca a provocação do convívio ideal, por meio da construção de ambiente propício para tal.

Então, não deve também pecar por comissão ou omissão, como pressupõe a carta de Tiago, verdadeiro tratado de postura, a ponto de influenciar a sociedade, por meio de conduta exemplar: “Ele nos gerou pela Palavra da Verdade, para que fossemos como primícias das suas criaturas” (1.18).

Esta mesma postura foi reivindicada pelo pastor norte-americano Luther King, quando fala, em outras palavras, da indiferença dos que conseguem perceber a ação dos maus, mas se mantem em silêncio e nada fazem: o pecado da omissão.

Buscar o progresso nada tem que ver com a ação de progressistas, com filosofias que abominam a distinção entre o bem e o mal, o certo e o errado, à moda anarquista, com vistas a atender os intentos de um grupo, adeptos da abjeção humana.

Usam ferramentas com o notável objetivo de, como na imposição de cartilhas, antecipar a promiscuidade e promover o hedonismo. Neste caso, o silêncio é sinônimo de omissão.

Todo representante do povo, em especial o político, deve postar-se como jardineiro a preservar o jardim das pragas, como preconizou o saudoso educador Rubem Alves.

As questões dos desejos de grupos, como no caso do avanço do homossexualismo, não devem ser objeto de imposição e a não aceitação, como em qualquer outra postura humana, constitui-se direito pétreo, como determina todo sistema democrático.

E neste e em outros casos, deve-se atentar para a discussão de ideias, filosofias e não de pessoas, sem que haja ativismo, inclusive religioso, algo condenável.

Todos devem entender os princípios da natureza, do caráter, da ética e da conduta humana, inclusive nas questões de gênero (Gn 1.27; 2.24; 5.1-2; Rm 1.18-32 e Jo 8.32,44), mas não ignorar a liberdade de cada um e a preservar o livre arbítrio preestabelecido pelo próprio Criador.

Não é possível construir no mundo um Céu, pois assim teríamos um Céu-infernal!, mas podemos buscar o bem-estar da maioria, a partir de uma ética experimentada, aprovada e reconhecida, como no caso da recuperação de vidas que as igrejas promovem. Somente nisso, a participação é imensa e sem a intervenção política.

A cada viciado, promíscuo, alcoólatra, desregrado, desajustado, marginal etc, que a Igreja tira das ruas, a sociedade deixa de gastar bilhões em hospitais e demais órgãos públicos. Em centenas de lugares onde o Estado não chega, inclusive nos grandes centros, a Igreja preenche também essa ausência com suas atividades sociais.

Nossas bandeiras, muitas delas alinhadas pelos governos, como Fumar faz mal à saúde; Sexo promíscuo causa doenças e consequências drásticas; Assistência social, a partir da filantropia e não de esmolas – filosofia de cunho protestante, pois a esmola escraviza; Preservação do meio ambiente (Dt 22.6-7); Educação (busca pelo conhecimento), como alerta profeta Oséias: “Meu povo será transformado em escravo se faltar-lhe conhecimento” (adaptação minha), Salomão: “ensina a criança”, Moisés (Dt 6.7) e Colossences 2.2, constituem-se provas irrefutáveis de meios eficazes.

Os candidatos

Não se pode ignorar o crescimento cristão-evangélico. E dado a isto, também não se pode fazer vistas grossas às inúmeras tentativas dos últimos governos de impor cerceamento à liberdade, tão medieval quanto o collegia do Império Romano, regulamentação rígida das atividades de todo tipo de grupos e associações, em especial à noite.

Mas temos avanços sócio-econômicos advindos do fato do avanço cristão. A nação tem sido abençoada em resposta à oração do povo cristão, que não cessa de clamar aos Céus e de oferecer mudanças eficazes no que diz respeito à melhoria da conduta social de cada cidadão convertido ao cristianismo.

Também o cristão-evangélico deve e pode, como em qualquer outro segmento, participar da vida pública, com restrição somente a ministro, pastor. Só amenizo minhas restrições ao ministro que renuncia ao ministério recebido, caso seja dom divino (cf Hb 5.4).

Não há nada na Terra que possa oferecer peso de barganha ao ministério cristão, enquanto dom divino. Não existe nada mais nobre e digno que ser constituído (por Deus) embaixador dos Céus entre os homens. Nada se iguala a tal nobreza, pois somos chamados e atraídos pelo amor e não por valores.

Em alguns casos somos envergonhados pelo péssimo desempenho e falta de propostas concretas, tornando a participação pífia e totalmente inócua.

No caso de Marina, sua postura é correta em não demonstrar o desejo de privilegiar uma parte da sociedade tão somente, no caso de cristãos em detrimento a outros. Não se deve candidatar-se para representar um grupo, mas a sociedade. A diferença se dará pela influência positiva, como resultado da postura piedosa.

Ela se completará através do preparo e, por consequência, pela postura de estadista, na ética, nas propostas claras, reais, concretas e assimiláveis a todos os segmentos, no asco pela corrupção, na correção de rumos e coibição de todo aviltamento ao povo.

Ela já se mostra como verdadeira cidadã e com posturas testemunháveis por meio de sua participação e assiduidade na AD no Distrito Federal.

Os demais têm suas respectivas representatividades, ideologias, mas, como dissemos, precisamos de exemplos a nossas crianças e jovens. Eles necessitam enxergar bons referencias, em especial hoje, com a corrida exacerbada da degradação humana, em todos os segmentos sociais.

A presidente Dilma (presidenta não existe na língua portuguesa) acabou de declarar na ONU que o Ocidente age de forma islafóbica e demonstrou de forma indireta seu apoio ao terrorismo islã, justamente pessoas que matam sem sentimento e de forma selvagem, bárbara, em especial cristãos.

Os péssimos exemplos e a falta de meios punitivos estão sendo irradiados de cima para baixo, formando um círculo indestrutível de corrução humana. E quando a terra se corrompe a violência se instala (cf Gn 6). O verbo escamotear é tão decorrente que estamos prontos para o abissínio.

O homem em destaque deve ser possuído de caráter exemplar. Ele torna-se público (para todos) e, portanto, deve ser tomado como influenciador de forma positiva, obviamente. Ulysses Guimarães dizia que não é aconselhável a um homem público ser fotografado com um copo de bebida alcoólica. Ele não era cristão (evangélico), mas revestiu-se da importância que o cargo público conferia-lhe.

Exemplo a ser seguido é como a sociedade reage diante dos que estão em evidência e não considerar tal realidade é mostrar-se irresponsável.

Cada um, em caso de vitória, imporá filosofias que expressarão suas posturas tanto pessoal quanto política, pois, a mim, não há como uma pessoa manter duas representatividades: mostrar-se como cidadão e, em outro momento, como político! Como disse Molly Ivins, “Sua conduta é apenas uma expressão formal de como você trata as pessoas”.

Envolvimento de igrejas

As igrejas, enquanto Corpo de Cristo não devem misturar Bíblia e política, a ponto de envolverem-se em campanhas. Usar seus púlpitos ou franqueá-los para esse fim não é e nunca foi o objetivo da Igreja do SENHOR, senão o de anunciar o Reino de Deus ao mundo e não o Reino do Mundo aos de Deus.

Um dos discursos decorados é a citação tanto de José (do Egito) quanto de Daniel. Mas, não levam em conta que os dois não eram ministros, mas apenas jovens, com missão especial e com objetivos bem definidos e circunstanciais.

Eles não foram políticos como conhecemos hoje, nem antes e tampouco depois da situação em que se encontraram por providência divina. Eles deram direção a impérios, por força da representação divina direta, numa clara forma de exaltação, portanto, como exceções e não regra.

Como igreja devemos pregar o Evangelho de Cristo e, por ele, combater todos os tipos de pecados: promiscuidade, mentira, incluindo as meias-verdades e jeitinhos, desmandos, descasos, violência, corrupção etc, por meio do ensino da Palavra, mas de forma neutra.

Além de o SENHOR Jesus e suas críticas ao sistema da época, incluindo o religioso, protagonizadas pela célebre “dai a César o que é de César e a Deus o que é Dele”, temos João Batista, que não aceitou alinhar-se ao Governo de então e ainda o denominou víbora.

Obter maior conhecimento possível dos candidatos, como sua postura, vida e propostas, deve compor a pauta de discussão até a eleição, como qualquer cidadão deve fazer.

A inserção de assuntos seculares ou profanos, em oposição ao sagrado, deve ocorrer para orientação, quando necessário, considerando o foro íntimo, a partir da ideia espetada na frase de Albert Einstein: “O mundo é um lugar perigoso de se viver, não por causa daqueles que fazem o mal, mas sim por causa daqueles que observam e deixam o mal acontecer”, porém, sem conduzir consciências ou impor candidatos.

Como pastor, somos condutores, mas cada ovelha tem sua própria característica, a ser usada para o bem do Corpo, sem ser tolhida, com vistas ao brilho de egos.

Não obstante a identificação parabólica de ovelha x curral, nenhum cristão deve ser mantido em currais eleitorais. Caso seja, com certeza, a logística é da astúcia de alcateias e não de pastores.

Como produtos do meio – não somos constituídos nação de natureza cristã (protestante e ou evangélica), trabalhamos com ferramentas que devem ser lapidadas a cada dia.

Para se ter ideia da imposição de novas posturas, o país cultua um dia dedicado à mentira e o medo, a partir do trauma, plantado pelas cantigas culturais do boi-da-cara-preta, do bicho-papão…, prontos para abocanharem a indefesa criança, ainda por formar-se como cidadã! estão sempre em voga.

Deixar-se fluir, depois de escapar desses bloqueios não é tarefa fácil (bloquear, no hebraico, tem que ver com Satã, demônio). É desse eleitorado – a massa – que falamos.

Diferencial

Com certeza o voto evangélico terá peso preponderante nas eleições, tanto estadual quanto federal. Isso é importante para que o país tenha equilíbrio e seja o bem e o mal, o certo e errado, parte que deveria destacar-se na ética humana, pois o que temos hoje é uma avalanche de propostas para eliminar tais barreiras e aprovação de formas promíscuas de corar Sodoma e Gomorra.

Lamentamos a dificuldade que ainda se tem em termos de acesso às informações dos candidatos, quanto às suas posturas, pessoalidades e ideologias com rara exceção, daquilo que podem representar de bom ou ruim.

Tudo isso, em função das questões que remontam o sistema medieval e do coronelismo, vistas através da exploração da ignorância, que o sistema político e religioso, de mãos dadas, impôs ao país, para satisfazer suas tiranias e vantagens. Não é o que vemos ainda hoje?

Em sua orientação, para que não sejamos engodados, Jesus disse: Vigiai (esteja atento), primeiro e, depois, orai!

Pr. Antônio MesquitaAntônio Mesquita
Pastor, jornalista e escritor. Gestor-executivo da Comadems – Convenção dos Ministros das Assembleias de Deus no Estado do Mato Grosso do Sul.

Editor do blog Fronteira Final

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