Os Atributos do Ser Humano
Comentário de apoio: Lição 4 do 1º trimestre de 2020 – Os Atributos do Ser Humano | Foto: Ilustrativa

Escola Dominical – Comentário de apoio: Lição 4 do 1º trimestre de 2020 – Os Atributos do Ser Humano.

Por Aniel Ventura

O método usado por Deus para criar o ser humano, além de especial, foi emblemático, é o que o texto bíblico nos mostra.

O homem, depois do pecado tornou-se um ser, com muitas falhas e defeitos. No entanto, não foi ele de todo penalizado, o homem ainda é um ser espiritual, moral e intelectual, estes atributos foram dados por Deus, e encontram-se ativos, e podem ser usados em seu benefício aqui na terra.

O corpo abriga a alma e o espírito de onde recebem estímulos do meio externo. A combinação desses dois elementos constitui o homem em “alma”. O espírito do homem, quando se torna morada do Espírito de Deus (Rm. 8.16), é centro de adoração (Jo 4.23,24); de oração, cântico, bênçãos (1 Co 14.15), e de serviço (Rm 1.9; Fp 1.27). O espírito humano, representando a natureza suprema do homem, rege a qualidade de seu caráter. Aquilo que domina o espírito torna-se atributo de seu caráter.

I – A Espiritualidade Humana

Podemos afirmar pela palavra de Deus, que nosso espírito teve sua origem em Deus, esse espírito foi dado por Ele, a cada um de forma individual (Nm 16.22; 27.16.) O Espírito foi formado pelo Criador na parte interna da natureza humana, capaz de renovação e desenvolvimento (Sl 51.10). Esse espírito é o centro e a fonte da vida humana; a alma possui e usa essa vida e lhe dá expressão por meio do corpo.

“No princípio Deus soprou o espírito de vida no corpo inanimado e o homem “foi feito alma vivente”.

O espírito é o que faz o homem diferente de todas as demais coisas criadas. É dotado de inteligência (Pv 20.27; Jo 32.8), e se distingue da vida dos irracionais, que têm alma (Gn 1.20; Ec 3.21), mas não têm espírito.

Se o homem permitir que o orgulho o domine, ele tem um “espírito altivo”. (Pv 16.18.) Conforme as influências respectivas que o dominem, um homem pode ter um espírito perverso (Isa. 19:14); um espírito rebelde (Sal. 106.33); um espírito impaciente (Pv 14.29); um espírito perturbado (Gn 41.18); um espírito contrito e humilde (Is 57.15; Mt 5.3). Pode estar sob um espírito de servidão (Rom. 8.15), ou ser impelido pelo espírito de inveja (Nm 5.14).

O homem deve guardar o seu espírito (Ml 2.15), dominar o seu espírito (Pv 16.32), pelo arrependimento tornar-se um novo espírito (Ez 18.31) e confiar em Deus para transformar o seu espírito (Ez 11.19). Quando as paixões vis exercerem o domínio e a pessoa manifestar um espírito perverso, significa que a alma (a vida egocêntrica ou vida natural) destronou o espírito. O espírito lutou e perdeu.

O homem é vítima de seus sentimentos e apetites naturais; e é “carnal”. O espírito já não domina mais, e essa impotência se descreve como um estado de morte. Dessa maneira há necessidade de receber um espírito novo (Ez 18.31; Sl 51.10); e somente aquele que originalmente soprou no corpo do homem o fôlego da vida pode soprar na alma do homem uma nova vida espiritual — isto é, regenerá-lo (Jo 3.8; 20:22; Gl 3.10), esse é o anseio do espírito humano. Quando assim sucede, o espírito do homem novamente ocupa o lugar de ascendência, e o homem torna-se “espiritual”. Entretanto, o espírito não pode viver de si mesmo, mas deve buscar diariamente renovação espiritual oriunda do Espírito de Deus.

II – A Racionalidade Humana

O pastor Elienai Cabral comenta o capítulo 12 de Romanos dizendo, que nossos atos e serviços a Deus devem ser de forma consciente.

A palavra “culto” no original grego é “latreio”, significando serviço. O termo racional é o mesmo que razoável, inteligente, sensato, que saiba o que está fazendo, para quê e como fazer este culto. Não significa que devemos cultuar a Deus dirigidos pela nossa mente, devemos dispor a nossa mente para que o Espírito Santo dirige e orienta o nosso culto a Deus.

O termo “apresenteis” indica o que o crente pode fazer para cumprir o que Deus quer que faça. A consagração envolve dois atos: O de Deus e o nosso. O nosso é apresentar-nos; o de Deus é tornar nos aptos para pôr em prática a sua vontade. O nosso ato é impelido de dentro e nos leva a fazer, espontaneamente e racionalmente a vontade de Deus. Não temos condições de tornar-nos “santos” só porque queremos, pois, precisamos da indispensável ajuda do Espírito Santo para sermos santificados.

É através do nosso corpo e dos membros, que a nossa natureza interior se revela, por isso Paulo faz um apelo à consagração. O ato de consagrar alguma coisa, implica em dedicar e separar algo. O sacrifício vivo dos corpos implica em reconhecer que Deus está pronto a abençoar. “Sacrifício vivo”. Não significa um sacrifício físico literal, mas espiritual. No AT os sacrifícios eram literais. No NT, a ordem dos sacrifícios continua, mas dentro de uma perspectiva espiritual.

Quando nos apresentamos a Deus em sacrifício vivo, nossa mente é renovada pela palavra de Deus, passamos então a pensar corretamente nas coisas certas. O propósito da “transformação moral e espiritual” é que o crente possa experimentar a gloriosa vontade de Deus em sua vida.

O culto racional, e a não conformação com o mundo leva-nos a transformação e renovação do nosso entendimento, ato contínuo, nos levará a experimentar a vontade de Deus que é boa, agradável e perfeita. Agradar a Deus é ter a expressão do seu caráter em nossa vida diária.

III – A Sociabilidade Humana

O ser humano é um ser gregário, necessita da companhia do outro para perpetuação da espécie e para a sua própria sobrevivência e desenvolvimento. A Bíblia diz que Adão, o primeiro homem, tinha a companhia de Deus e dos animais. No entanto, mesmo assim lhe faltava algo, ou melhor, alguém semelhante com quem pudesse compartilhar suas alegrias e necessidades.

Por isso, o Criador formou outro ser igual a ele, porém de sexo diferente, para lhe fazer companhia: “E disse o Senhor: Não é bom que o homem viva sozinho” (Gn 2.18a).

O primeiro grupo social e, com certeza, o mais importante grupo a que pertencemos é a família. É com ela que aprendemos as nossas primeiras regras, valores, crenças e virtudes que nos prepararão, para que mais tarde, sejamos inseridos em outros grupos sociais, como, a escola e a igreja.

As famílias, as sociedades não são imutáveis, ao longo dos anos elas sofrem alterações. Um exemplo disso, são as sociedades primitiva, antiga, medieval e moderna.

No entanto, toda alteração tem um lado bom e outro ruim. Por exemplo, as novas tecnologias empregadas pelas empresas fazem a indústria crescer, o comércio vender, além de gerar crescimento; contudo, muitos acabam perdendo o emprego, pois as máquinas que são utilizadas para aumentar a produção substituem o trabalho humano.

Por isso, nossos padrões morais e sociais devem estar pautados nos preceitos bíblicos que são eternos e imutáveis como afirma o apóstolo Pedro: “mas a palavra do Senhor dura para sempre” (1 Pe 1.25a). Precisamos conhecê-los. Pois doutro modo, como iremos contestar as vãs filosofias que estão presentes em nossa sociedade? O povo de Deus, por diversas vezes, caiu na apostasia por não conhecer as Escrituras e ao Senhor (Os 4.6; Mt 22.29).

IV – A Liberdade Humana

A Bíblia Sagrada, discorre sobre a livre-escolha humana, e o humano em tudo faz escolhas. Escolhe a roupa, o alimento, as amizades, escolhe quem será na sociedade e muitas outras coisas, isso é realmente uma grande verdade e um privilégio, porém uma escolha que acho fantástica é, em relação à nossa vida eterna. “Então disse Jesus aos seus discípulos: Se alguém quiser vir após mim, renuncie-se a si mesmo, tome sobre si a sua cruz, e siga-me” (Mt 16.24). 

A Palavra de Deus não apresenta a livre-escolha humana como se a salvação dependesse de obras, esforços e méritos humanos.

“Não vem das obras, para que ninguém se glorie” (Ef 2.9).

A liberdade humana, precisa enaltecer a soberania de Deus sobre todas as coisas, pois a autoridade de Deus é inquestionável, ele exerce poder sobre as coisas criadas, quer na terra, quer nos céus, tudo conforme os seus conselhos e desígnios. Sua soberania está baseada em sua onipotência, onipresença e onisciência. Deus é absoluto e necessário – todos precisamos dele para existir; até o ateu depende de Deus, ele é tudo em todos. Ele não interfere em nossas escolhas, precisamos entender que somos responsáveis, por todas elas, ele nos direciona para o que é melhor, quando somos dependentes dele.

“Eis que hoje eu ponho diante de vós a bênção e a maldição; Porém a maldição, se não cumprirdes os mandamentos do SENHOR vosso Deus, e vos desviardes do caminho que hoje vos ordeno, para seguirdes outros deuses que não conhecestes” (Dt 11.26,28).

Deus colocou diante de Israel a escolha: a bênção ou a maldição. Se o povo obedecesse à Palavra de Deus e, ficasse separado do pecado e da iniquidade das nações em derredor, a bênção de Deus viria e ficaria com ele (28.1-14). Se, por outro lado, adotasse os caminhos dos ímpios, a maldição de Deus cairia sobre ele (28.15- 68). Infelizmente, a maioria dos israelitas não levou a sério a advertência de Deus. Constantemente adotavam os caminhos dos ímpios e então padeciam sob a maldição divina.

Deus coloca as mesmas opções (“bênção” e “maldição”) diante dos crentes do Novo Testamento. Se renunciarmos ao pecado, seguirmos a Cristo e o servirmos continuamente, teremos sua bênção e seu poder. Se deixarmos a Deus e seus justos caminhos, não teremos a sua presença, sua ajuda e sua proteção. Se mantivermos centrados nos ensinos das Sagradas Escrituras, poderemos desfrutar de bênçãos materiais, porém as espirituais são ainda mais importantes e são garantidas tanto nesta vida como na vindoura, glória a Deus.

V – A Criatividade Humana e o Trabalho

O trabalho possui uma dimensão espiritual (Pv 3.9). Isso vai de encontro àquilo que pensa o senso comum acerca do trabalho. A ideia que ficou associada ao trabalho é a de que ele é algo meramente material e totalmente destituído de valor espiritual. Mas não é assim que pensa o sábio (Pv 24.30). Quando ele viu o campo do preguiçoso totalmente abandonado, cheio de espinheiros, a primeira sensação que teve foi de um “homem falto de entendimento”.

No hebraico, essa expressão vem carregada de valores espirituais. A palavra hebraica usada para “entendimento” é leb, (heb. “ לֵב” ; grego καρδία (kardia), significando coração, entendimento e mente. A ideia é mostrar o que há no interior do homem — a espiritualidade. Andrew Bowling, especialista em hebraico bíblico, destaca que esse vocábulo é usado para indicar as funções imateriais da personalidade humana. Portanto, o trabalho é algo extremamente espiritual. Ninguém será menos crente porque trabalha, aliás, a verdade é justamente o contrário (Ef 4.28; 2 Ts 3.10).

A inércia do preguiçoso, favoreceu o nascimento de espinheiros dentro da plantação, o sábio ironizou o seu ócio (Pv 24.33,34). Não dá para prosperar mantendo-se de braços cruzados, e muito menos ficando eternamente em repouso! É preciso trabalhar. Todavia, esse é apenas um aspecto da questão, pois quem trabalha precisa de descanso e também de lazer! Deus criou o princípio do descanso semanal (Gn 2.2). Precisamos, inclusive, de tempo livre para estarmos a sós com Deus e com a família.

Não há como, deixar de admitir, que o ser humano é criativo, e no mais tudo vem de Deus, devemos valorizar isso, pois o que Deus nos dá é coisa boa.

Ver alguém fazendo ginástica para esculpir o corpo é normal e familiar. Mas ver academias treinarem o cérebro de alguém para deixá-lo mais afiado, parece estranho. Essa ideia vem sendo desenvolvida por precursores da neuróbica, espécie de aeróbica para o pensamento, dizem que podemos formatar o nosso cérebro da maneira que queremos — e não se contentar com o que ganhamos da genética.

Para tirar o cérebro da zona de conforto, é preciso acostumar-se a desacostumar-se. Ou seja: fazer algo diferente e mais inusitado. Colocar o relógio no pulso contrário, escrever com a outra mão ou vestir-se de olhos fechados, são atividades que demandam a ativação de outras áreas da mente. Dedicar-se à leitura requer disciplina, renúncia e tempo, mas os resultados são bem positivos. Quem se dedica a ler bons livros podem escrever e compreender matérias de maior complexidade, inclusive na área das ciências exatas como, a matemática.

O exercício da leitura era recomendação de Paulo a Timóteo. Para o jovem pastor da igreja de Éfeso, conhecer as Escrituras Sagradas seria fundamental para que ele obtivesse êxito em seu ministério (1 Tm 4.13-16; 2 Tm 3.14-17).

A orientação de Paulo a Timóteo é a mesma válida para os dias atuais. Se queremos ter êxito na caminhada cristã, assim como em outras áreas de suas vidas, devemos nos dedicar a aprender. E, quando falamos em aprender, não estamos nos detendo apenas no conhecimento bíblico, mas também no conhecimento secular. Pensemos nisso!

Conclusão

O homem é um ser espiritual, que vive em sociedade e tem necessidades de cultuar, pois o espírito humano anseia por Deus. Mas para que isto seja feito de forma correta, precisa ser regenerado, através do Espírito Santo (Jo 3.8; 20.22).

Quando a regeneração acontece, o espírito, a alma e o corpo adoraram o seu verdadeiro criador. O espírito não pode viver sozinho, necessita da ação do Espírito Santo de Deus.

O culto racional, isto é, consciente, leva-nos a experimentar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.

Somos livres para tomar decisões, em nossa vida enquanto estamos aqui no mundo, mas podemos ser dirigidos por nosso Deus em tudo que fazemos, ele nos dotou de capacidade especiais para vivermos aqui na terra, fez os seres humanos criativos, para que a vida não se tornasse monótona, por isso o caminho correto é dedicar tudo a ele.

A ele seja a glória, a honra, o louvor para todo sempre. Amém.

Bibliografia
– Myer Perlman – Conhecendo as Doutrinas da Bíblia

– Elienai Cabral – O Evangelho da Justiça de Deus – CPAD
– Lições Bíblicas Adolescentes – 2017 – CPAD
– Teologia Sistemática Pentecostal – CPAD
– Claudionor de Andrade – 2010 – CPAD
– Bíblia de Estudos Pentecostal – CPAD
– José Gonçalves – 2013 – CPAD
– Pré-Adolescentes – Revista – 2017 – CPAD

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“O primeiro portal cristão no Estado do Espírito Santo”
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