Onze cristãos decapitados na Nigéria
O ISWAP se separou do grupo militante Boko Haram em 2016 e se tornou o grupo jihadista dominante da região.

O atentado foi reclamado pelo Boko Haram, autodeclarado braço do Estado Islâmico na região Norte da Nigéria.

O grupo extremista Província do Estado Islâmico na África Ocidental (ISWAP) divulgou na última quinta-feira (26) um vídeo que mostra 11 reféns cristãos sendo decapitados por terroristas.

As mortes ocorreram depois que os reféns pediram, em um vídeo anterior, que a Associação Cristã da Nigéria (CAN) negociasse sua libertação. Segundo a mídia local, o ISWAP ainda poupou a vida dos dois muçulmanos.

Segundo o Estado Islâmico (EI) a ação faz parte de sua campanha, lançada no domingo (22), para “vingar” as mortes de seu líder Abu Bakr al-Baghdadi e seu porta-voz, na Síria, em outubro deste ano. Desde então, o grupo vem reivindicando ataques em vários países.

Não foram dados detalhes sobre as vítimas, que eram todos homens, mas o EI alega que elas foram “capturadas nas últimas semanas” no nordeste do estado de Borno, na Nigéria, onde militantes lutam há anos para estabelecer um estado islâmico separado.

O EI divulgou o vídeo que tem duração de 56 segundos, mostrando homens de uniforme bege e máscaras pretas, alinhados atrás dos reféns, que estavam com os olhos vendados. Um deles foi morto por tiro, e os demais decapitados. Os assassinatos brutais reivindicam vingança por seu líder.

O grupo militante postou as imagens em seu canal de notícias online do Telegram na quinta-feira (26), um dia após o Natal, com legendas em árabe, mas sem áudio. Analistas dizem que o material foi claramente lançado para coincidir com as celebrações do Natal.

As filmagens foram feitas em uma área externa não identificada. O governo da Nigéria não comentou o vídeo.

O secretário-geral das Nações Unidas, Antonio Guterres, ofereceu suas condolências através de um comunicado emitido pelo seu porta-voz Stephane Dujarric: “O secretário-geral está profundamente preocupado com relatos de que civis foram executados e outros sequestrados por grupos armados no norte do estado de Borno, no nordeste da Nigéria. Ele expressou suas mais profundas condolências às famílias das vítimas e reitera a solidariedade das Nações Unidas com o povo e o governo da Nigéria”.

Um pastor nigeriano que é parceiro da Portas Abertas, organização que apoia cristãos perseguidos no mundo, descreveu o ambiente atual na região norte como uma cultura de sobrevivência. “Você deita a cabeça à noite, sem saber se vai acordar”, diz ele. No entanto, mesmo durante a violência e a ameaça de futuros ataques do Estado Islâmico, os pastores do além de pastores de cabra Fulanis e do Boko Haram, que já se manifestou como braço do EI na região – a esperança em Cristo ainda está presente na igreja.

O pastor Marco, outro parceiro da Portas Abertas em campo na Nigéria, está ajudando a reconstruir uma igreja e restaurar uma vila que foi atacada pelo Boko Haram. Suas palavras para a igreja são inspiradoras e encorajadoras – lembrando que viver é Cristo e morrer é ganho.

A Nigéria ocupa o 12° lugar na Lista Mundial da Perseguição 2019, que classifica os 50 países que mais perseguem cristãos no mundo.

O ISWAP se separou do grupo militante Boko Haram em 2016 e se tornou o grupo jihadista dominante da região.


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