Onde foi que erramos?
No futuro, refletindo as decisões do passado. | Foto: Pixabay

A escolha que você faz hoje vai impactar, positiva ou negativamente, na vida de seus filhos, netos, bisnetos… das gerações vindouras. O que estamos “plantando” para eles colherem?

Jorge Daniel de Assis

Janeiro do ano 2060… onde foi que erramos?

Ainda faltam cerca de dois meses para terminar o verão que, no Brasil, está quase insuportável! Também pudera: chuvas escassas, sol escaldante, pouquíssimas árvores que insistem em sobreviver lançando suas raízes em direção ao riacho lamacento que, por sua vez, tenta preservar um pouco de água em seu leito de morte.

Nas ruas algumas pessoas se arriscam caminhando pelo calçamento tão quente que parece estar prestes a entrar em erupção. O calçado da moda é o “tamanco”, o único capaz de resistir às altas temperaturas do momento, por ter sola de madeira. Tênis e outros calçados com sola de borracha e similares somente servem para uso em caminhos sem calçamento ou asfalto e no campo, onde ainda resta um pouco de vegetação. Nos anos 20, do século XXI, pensavam que as florestas abundantes durariam eternamente! Desmataram irresponsavelmente!

Os termômetros marcam temperaturas acima dos 48ºc. Desse modo, o calçado tornou-se item obrigatório por força da Lei Federal nº 23.300/2031, conhecida como a “Lei Pé Quente”, devido ao alto índice de queimaduras nos pés descalços dos incautos. Por outro lado, o uso de roupas tornou-se “não obrigatório”, pela Lei Federal nº 25.666/2034, conhecida como a “Lei do Vento Livre”, exatamente para possibilitar ao vento percorrer todas as partes do corpo humano evitando assim que as pessoas morram de calor!

Pedofilia

Na Padaria “Pão de Sol”, assim conhecida por assar pães ao calor do Astro Rei, entram dois meninos – ou melhor, ainda estão para decidirem se serão meninos ou meninas – com idade entre 7 e 9 anos, totalmente nus, portando cada um, um boneco na mão. Abrigados na sombra da varanda da casa em frente, os “pais” Wilson e Wilton os observam de longe. Nesse momento, Pedóphylo Willis, um quarentão bem conhecido na cidade por sua “generosidade” com as crianças, entra também na “Pão de Sol”. Ao sair, está acompanhado dos meninos (?) que entraram antes dele. As crianças têm nas mãos pacotes de doces e outras guloseimas. Eles entram no carro com Pedóphylo e desaparecem. Wilson e Wilton, os “pais”, nada podem fazer, pois uma Lei aprovada em 2024 declara como “normal e saudável a prática sexual com crianças para o desenvolvimento destas”. O pai de Wilton, sr. Romualdo, com quase oitenta anos desperta da soneca da tarde e pergunta pelos “netos”. Sem cerimônia nem pudor, Wilton responde que eles estão em poder do sr. Pedóphylo. Os olhos de Romualdo se enchem de lágrimas! Então, quase em um gemido, pergunta a si mesmo: – “O que eu poderia ter feito no passado para que isso não ocorresse com meus netos? Onde foi que eu errei?!”

Aborto

Próximo dali, na “CA – Clínica Abortista”, um veículo oficial da Prefeitura local estaciona de ré na entrada para recolher uma caçamba onde durante a noite anterior foram jogados centenas de “fetos indesejados” que incomodavam muitas gestantes que não desejavam “aquilo” para aquele momento. Carnaval chegando e elas querem “curtir a maior festa” do Planeta de “barriguinha chapada”. Elas estão amparadas pela Lei nº 20.220/2025, conhecida como a “Lei Isso Não Me Pertence Mais”. Os fetos, classificados como “lixo hospitalar”, serão levados ao Incinerador Público. Albertina olha pela janela e vê sua filha chegando. Assim que ela atravessou o portão, pergunta logo se a gestação está indo bem. – “Não há gestação, já abortei faz tempo!” – Responde. Albertina cai em prantos ao ouvir tal revelação… – “Onde foi que errei? Pergunta a si mesma, incrédula ao que acabara de ouvir!!!”

Drogas

O incinerador há muitos anos fora utilizado para destruição de “drogas ilícitas”. Mas, isso é coisa do passado! “Cientificamente” foi comprovado que a maconha possui “poderes medicinais”. A cocaína, usada moderadamente, aplaca a fome e, com isso, reduz o consumo de alimentos no mundo. Assim, sua legalização a torna mais acessível aos pobres! O crack como subproduto da cocaína “segue a líder”. Desse modo, não existem mais “drogas ilícitas”. Todas são lícitas. No lugar da merenda, Ataulfo Filho, vê seus netos levar na mochila para a escola uma boa quantidade de maconha, cocaína, crack e outras. Ataulfo não acredita no que vê e exclama: – “Em que mundo nós estamos! Em seguida pergunta a si mesmo: – Onde foi que eu errei?”

Prostituição

Enquanto Ataulfo está tentando descobrir em que mundo está, um enorme Trio Elétrico tocando funk o mais alto possível anuncia a inauguração da “UNIPROSEX – Universidade para Profissionais do Sexo” ao mesmo tempo em que convoca aos interessados para as inscrições já abertas.

Markerita, uma adolescente de 16 anos que acaba de concluir o ensino médio, levanta da mesa e corre para o quarto. Sem entender nada a avó, dona Gumercinda pergunta ao filho Germano: – “O que houve com Markerita?”“Coisas de adolescente, mãe! Liga não”. Responde Germano.

Depois de algum tempo Markerita sai toda sorridente do quarto e volta a assentar-se à mesa com o pai e a avó. Vendo alegria no rosto da neta, Gumercinda não se contém e declara: – “Fico feliz em ver você feliz Markerita! Mas… qual a razão da sua alegria?” Markerita levanta-se calmamente, põe uma das mãos no ombro do pai e a outra no ombro da avó e discursa: – “Há muito tempo esperava por esta oportunidade! Sempre sonhei ser uma ‘profissional do sexo’. Acabei de fazer minha inscrição para prestar o vestibular na ‘UNIPROSEX’ e vou me dedicar para ser a melhor profissional possível! Estou quase realizada!!! Posso contar com vocês?”

A essa altura Germano suava frio. Não acreditava que estava ouvindo aquilo da sua filha. Dando conta de que sua decisão causara certos constrangimentos ao pai e a avó, Markerita tratou de retornar ao quarto pensando: “Por que ficaram tristes se não estou fazendo nada de errado ou ilegal? A Lei que regulamentou a prostituição não é de minha autoria, eu nem havia nascido! Além disso, que culpa tenho se não fui eu que elegi os legisladores da época?”

Gumercinda entra no quarto da neta. Percebendo a tristeza estampada no seu rosto a abraça e diz: – “Markerita, você não está errada. Você não é culpada. Você simplesmente está colhendo o (mal) que nós plantamos! Perdoa-me! Ainda não sei ao certo, mas vou descobrir onde foi que eu errei!”

Sofrem os culpados, sofrem os inocentes!

Romualdo chora ao ver seus netos adotivos ser, legalmente, usados por Pedóphylo, o quarentão boa gente. Sente-se impotente por não poder fazer nada para impedir essa aberração. Pedóphylo tem amparo da lei.

Albertina vê o que seria seu neto, jogado numa caçamba, rotulado de “lixo hospitalar”, a caminho do incinerador, e, cai em prantos, pois, contra a Lei não se pode lutar.

Ataulfo Filho fica em estado de choque vendo seus netos enchendo as mochilas da Escola com cocaína, maconha, crack e outras drogas. Em outros tempos, levariam biscoitos, balas etc.

Gumercinda e Germano, quase caem de costas ao saberem da escolha profissional de Markerita, aquela adolescente de 16 anos, que resolveu fazer curso superior na “UNIPROSEX – Universidade para Profissionais do Sexo”.

Romualdo, Albertina, Ataufo Filho, Gumercinda e Germano, são pessoas que fizeram história. São personagens que, se quisessem, poderiam ter preparado um futuro melhor para Markerita, por exemplo. Markerita está certa, ela não tem culpa pela escolha profissional que fez, pois foram Germano e Gumercinda que tinham o poder, através do voto, de impedir que em pleno ano de 2060 houvesse uma Universidade exclusivamente para formação de “profissionais do sexo”. Porém, foram covardes e omissos. Agora choram. Erraram! Gumercinda, pelo menos, assumiu o erro e tenta se redimir diante da neta, vítima de uma sociedade permissiva, omissa e covarde.

O neto de Albertina poderia nascido, invés de ser incinerado como “lixo hospitalar”, se ela tivesse, em 2025 protestado e lutado contra a aprovação da “Lei Isso Não Me Pertence Mais”. Errou!

Romualdo com quase oitenta anos, traz na consciência um peso insuportável por não ter feito a coisa certa que impediria seus netos serem explorados sexualmente por Pedóphylo. Em 2024 ele imaginava que não tinha responsabilidade alguma com o futuro de ninguém. Religioso que era, sempre tinha na ponta da língua: “o amanhã a Deus pertence”. Votava sempre em quem lhe parecia mais simpático. Não esperava que a “conta da sua negligência” um dia chegaria! Só que quem vai pagar caro por isso são os seus netos!

Ataulfo Filho “deu às costas” para toda discussão em torno da descriminalização das drogas ilícitas. – “Para mim, tanto faz”, dizia. Nada fez para impedir que as drogas ilícitas fossem legalizadas. Foi omisso. Agora assiste seus netos sendo consumidos por elas.

Onde foi que erramos?

Erramos quando fomos omissos e não expomos a verdade por medo de ofender ou entristecer alguém.

Erramos quando fomos egoístas pensando em nós mesmos esquecendo-nos da coletividade.

Erramos quando zombam de Cristo e do Cristianismo e aplaudimos os tais em nome de uma ideologia orquestrada por satanás ou em defesa de uma sigla partidária.

Erramos quando assumimos como nossos representantes, os defensores do aborto, da pedofilia, do casamento entre pessoas do mesmo sexo, da liberação de drogas ilícitas, da prostituição em todos os níveis.

Erramos quando defendemos bandeira de países que estão matando cristãos, destruindo Templos religiosos, aprisionando e matando missionários e que legalizam aquilo que a Bíblia condena por ser abominável aos olhos do Senhor.

Erramos quando fazemos “nossas” escolhas, egoisticamente, pensando em “nós mesmos”, sem pensar no futuro de nossos filhos, netos… das gerações vindouras.

Erramos quando tomamos decisões, movidos pela “paixão” e não de maneira racional.

Erramos quando nos silenciamos diante de autoridades inescrupulosas que, através de leis, submetem as nossas crianças à ideologia de gênero nas Escolas, sem ao menos dar oportunidade aos pais de questionarem.

Erramos quando fomos confrontados por nossas escolhas e decisões erradas e tentamos justificá-las apontando escolhas e decisões erradas de outros, como se isso amenizasse a culpa.

Erramos quando nos acovardamos e ao invés de assumirmos nossos erros e procurarmos corrigi-los, tentamos justificá-los citando a famosa frase de Cristo contra os acusadores da ‘mulher adúltera’: “Atire a primeira pedra quem não tem pecado”.

Chegou o ano 2060 e com ele a conta da negligência, da omissão, da covardia, do egoísmo e da insensatez!

Saiba que a escolha que você faz hoje vai impactar, positiva ou negativamente, na vida de seus filhos, netos, bisnetos… das gerações vindouras. O que estamos “plantando” para eles colherem?

Façamos de tudo agora para não chorarmos de arrependimento depois!

Assim, em 2060, poderemos repetir a célebre frase de Carlos Lacerda: “Olho para traz, não com o olhar de arrependimento, mas para ver o que ficou” (ou “o que eu fiz”).

Pense nisso!!!

Jorge Daniel de Assis, pastor.
14 de novembro de 2020.

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1 COMENTÁRIO

  1. Obrigada pai por me abrir os olhos da grande responsabilidade que tenho no agir e no omitir. E na forma que poderá impactar na vida do meu filho e da nossa descendência. Ao ler seu artigo percebi o quão sou condescendente para não entristecer os outros, só que agindo assim não estou aplacando a dor e sim corroborando para dor futura. Obrigada por não desistir de nós seus filhos e ovelhas. E saiba que no final poderás dizer “olho para trás, mas não com olhar de arrependimento…” Te amo!

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