Obreiros, não rejeitem o que é para nosso ensino!
A Bíblia Sagrada é ferramenta de trabalho dos obreiros | Foto: Doungtepro / Pixabay

Uma parte da geração ministerial está trocando a fé que vem pela Palavra de Deus pelo mercantilismo da fé

Silvio Vinícius Martins

Sabemos que a ferramenta de trabalho de todos os obreiros, como ministros de Cristo é, sem sombras de dúvidas, a poderosa e inerrante Palavra de Deus, a qual é viva e eficaz segundo nos apresenta a Epístola aos Hebreus 4.12: “Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais penetrante do que espada alguma de dois gumes, e penetra até à divisão da alma e do espírito, e das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração”.

  • Sem este Livro Santo os obreiros ficam à deriva no mar da vida!
  • Sem este Livro Santo os obreiros ficam sem o espelho espiritual para mostrar a sua real situação diante de Deus!
  • Sem este Livro Santo os obreiros ficam desprovidos de alimento espiritual tanto para si como para o rebanho de Deus.
  • Sem este Livro Santo os obreiros ficam desaprumados, pois, deixam de buscar orientação para continuar sendo bons cristãos e também bons líderes guiados pela revelação da excelsa Palavra de Deus.

Mediante esta situação proponho escrever algumas linhas que nos trarão certamente algumas admoestações para podermos continuar tendo cuidado da nossa militância como soldados de Cristo Jesus.

O texto base para nossa reflexão está na Carta que Paulo escreveu aos Romanos 15.4 que diz: “Porque tudo o que dantes foi escrito, para nosso ensino foi escrito, para que pela paciência e consolação das Escrituras tenhamos esperança”. Com este texto deter-me-ei em alguns personagens bíblicos cujas biografias estão nos livros de Reis e de Crônicas. Não nos voltaremos para fatores históricos ou arqueológicos, mas sim, nas extrações de vida deles para aplicar à vida dos ministros com pleno objetivo de alertar para não vivenciarmos o que possa nos trazer prejuízos variados em nosso ministério. Também não nos apegaremos as várias situações da vida dos personagens que abordarei, contudo, apenas traremos uma situação pois se não tornar-se-ia um livro este artigo. Estarei marcando os textos bíblicos em negrito justamente nas partes em que trarei algo para reflexão.

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Roboão

Pois bem! Vejamos o primeiro personagem chamado Roboão. Observemos, pois, o que diz Primeiro Reis 12.8: “Porém ele deixou o conselho que os anciãos lhe tinham dado, e teve conselho com os jovens que haviam crescido com ele, que estavam diante dele”. Aqui vemos que Roboão desprezou aos anciãos e uniu-se aos mais jovens. Isto não quer dizer que não podemos ouvir opiniões de obreiros mais novos. Todavia, é preciso salientar que quando chegamos numa igreja para dirigir precisamos atentar para os mais experientes sem menosprezar os mais novos.

No decorrer de nossa vida às vezes desprezamos os conselhos dos antigos. Há muitos obreiros antigos que são servos de Deus e tem o desejo voltado para nos orientar zelando da obra de Deus primando pelo bem-estar da mesma e do seu líder. Todo o conselho deve ser peneirado não importando quem seja a pessoa que nos oferte. As Escrituras Sagradas nos apontam que o que dá ouvidos ao conselho é sábio (“…mas o que dá ouvidos ao conselho é sábio”, Pv 12.15) e que os pensamentos são confirmados com conselho (“Cada pensamento se confirma com conselho e com bons conselhos se faz a guerra”, Pv 20.18).

Na vida buscamos conselhos e existem momentos que quando os recebemos fazemos como Roboão, jogamos na lata do lixo. Não podemos deixar de notificar que acontece situações que nem queremos buscar conselhos por nos acharmos o “BAMBAMBAM”. Mas observemos o que ainda temos nas Escrituras Sagradas sobre conselho:

a) Há conselhos que matam“No seu secreto conselho não entre minha alma, com a sua congregação minha glória não se ajunte; porque no seu furor mataram homens, e na sua teima arrebataram bois” (Gn 49.6);

b) Há conselho para pecar contra o Senhor“Eis que estas foram as que, por conselho de Balaão, deram ocasião aos filhos de Israel de transgredir contra o SENHOR no caso de Peor; por isso houve aquela praga entre a congregação do SENHOR” (Nm 31.16);

c) Há conselho bendito“E bendito o teu conselho, e bendita tu, que hoje me impediste de derramar sangue, e de vingar-me pela minha própria mão” (1 Sm 25.33); e,

d) Há conselho que salva vida“Vem, pois, agora, e deixa-me dar-te um conselho, para que salves a tua vida, e a de Salomão teu filho” (1 Rs 1.12).

O Apóstolo Paulo aconselhou a Tito no tocante a:
– colocar em boa ordem as coisas que restam (1.5);
– reter a fiel palavra (1.9);
– não dar ouvidos a coisas que não prover edificação e nem a mandamentos de pessoas desviadas da verdade (1.14);
– falar como convém a sã doutrina (2.1);
– exortar aos jovens (2.6);
– dar-se como exemplo em tudo (2.7);
– ter uma linguagem sadia (2.8);
– aconselhar os servos sujeitarem-se aos patrões (2.9);
– repreender com autoridade (2.15);
– estarem preparados para toda boa obra (3.1);
– não difamar ninguém, não ser contendedor, mas modesto (3.2);
– evitar aos hereges (3.10); e
– não ser infrutuoso (3.14).

Assim sendo, não aceitemos conselhos de quem não tem compromisso com a Palavra conforme entendemos em Jeremias 23.28 que diz: “…e aquele que tem a minha palavra, fale a minha palavra com verdade”. E nem tampouco aceitemos conselhos daqueles que não prestam obediência e nem sequer tem espírito de submissão a seus líderes segundo contemplamos em Hebreus 13.17: “Obedecei a vossos pastores, e sujeitai-vos a eles; porque velam por vossas almas, como aqueles que hão de dar conta delas; para que o façam com alegria e não gemendo, porque isso não vos seria útil”.

Saibamos reconhecer os mais experientes!  Não os desprezemos!

Jeroboão

O segundo personagem chama-se Jeroboão. O livro de primeiro Reis 12.27,28 diz: “Se este povo subir para fazer sacrifícios na casa do SENHOR, em Jerusalém, o coração deste povo se tornará a seu SENHOR, a Roboão, rei de Judá; e me matarão, e tornarão a Roboão, rei de Judá. Assim o rei tomou conselho, e fez dois bezerros de ouro; e lhes disse: Muito trabalho vos será o subir a Jerusalém; vês aqui teus deuses, ó Israel, que te fizeram subir da terra do Egito”. Ora, Jeroboão queria substituir Jerusalém por Betel e Dã (1 Rs 12.29). Com isto, igualmente estamos vendo uma parte da geração ministerial que está trocando o santo pelo profano. Uma parte da geração ministerial está trocando o certo pelo errado. Uma parte da geração ministerial está trocando a ministração da Palavra de Deus por mais louvores. Uma parte da geração ministerial está trocando a liberdade cristã pela libertinagem. Uma parte da geração ministerial está trocando a liturgia santa pela liturgia banalizada. Uma parte da geração ministerial está trocando as verdadeiras consagrações pela venda de consagrações.

Salientemos ainda, que uma parte da geração ministerial está trocando o bom nome pelo nome de charlatão. Uma parte da geração ministerial está trocando a fé que vem pela Palavra de Deus pelo mercantilismo da fé. Uma parte da geração ministerial está trocando sã doutrina pelos ensinos deturpados. Uma parte da geração ministerial que está trocando a revelação exposta na Palavra de Deus por visagens ou revelações humanas.

Inquestionavelmente, veremos rapidamente três exemplos de personagens bíblicos que adentraram na pratica da substituição, a saber:

a) o rei Roboão fez escudos de cobre em lugar dos de ouro que foram levados por Sisaque, rei do Egito com vemos em 1 Reis 14.25-27: “Ora, sucedeu que, no quinto ano do rei Roboão, Sisaque, rei do Egito, subiu contra Jerusalém, E tomou os tesouros da casa do SENHOR e os tesouros da casa do rei; e levou tudo. Também tomou todos os escudos de ouro que Salomão tinha feito. E em lugar deles fez o rei Roboão escudos de cobre, e os entregou nas mãos dos chefes da guarda que guardavam a porta da casa do rei”;

b) o rei Acaz que fez um altar semelhante ao de Damasco colocando o altar de Deus de lado como está em 2 Reis 16.10-14: “Então o rei Acaz foi a Damasco, a encontrar-se com Tiglate-Pileser, rei da Assíria; e, vendo um altar que estava em Damasco, o rei Acaz enviou ao sacerdote Urias o desenho e o modelo do altar, conforme toda a sua feitura. E Urias, o sacerdote, edificou um altar conforme tudo o que o rei Acaz lhe tinha enviado de Damasco; assim o fez o sacerdote Urias, antes que o rei Acaz viesse de Damasco. Vindo, pois, o rei de Damasco, viu o altar; e o rei se chegou ao altar, e sacrificou nele. E queimou o seu holocausto, e a sua oferta de alimentos, e derramou a sua libação, e espargiu o sangue dos seus sacrifícios pacíficos sobre o altar. Porém o altar de cobre, que estava perante o SENHOR, ele tirou de diante da casa, de entre o seu altar e a casa do SENHOR, e pô-lo ao lado do altar, do lado do norte”; e, finalmente,

c) Salomão que adorou a outros deuses em vez de adorar ao único Deus segundo vemos em 1 Reis 11.6-8: “Assim fez Salomão o que parecia mal aos olhos do SENHOR; e não perseverou em seguir ao SENHOR, como Davi, seu pai. Então edificou Salomão um alto a Quemós, a abominação dos moabitas, sobre o monte que está diante de Jerusalém, e a Moloque, a abominação dos filhos de Amom. E assim fez para com todas as suas mulheres estrangeiras; as quais queimavam incenso e sacrificavam a seus deuses”.

Jeorão

O terceiro personagem chama-se Jeorão. Vejamos o que nos diz 2 Crônicas 21.20: “Era da idade de trinta e dois anos quando começou a reinar, e reinou oito anos em Jerusalém; e foi sem deixar de si saudades; e sepultaram-no na cidade de Davi, porém não nos sepulcros dos reis”. Que tristeza na vida de um monarca que após de liderar o povo por oito anos não deixou um pingo de saudades ao morrer. Com isto, fico pensando na figura do ministro do Evangelho que ao passar um certo tempo a frente de uma igreja sai da mesma maneira que Jeorão: sai sem deixar saudades.

Quando lemos as Escrituras Sagradas vemos que os cristãos de Corinto sentiram saudades do Apóstolo Paulo: “E não somente com a sua vinda, mas também pela consolação com que foi consolado por vós, contando-nos as vossas saudades, o vosso choro, o vosso zelo por mim, de maneira que muito me regozijei”, 2 Co 7.7. Ora, como é bom e massageador ouvirmos através dos crentes por onde passamos a saudade que tem:

a) dos ensinos ministrados;

b) das pregações bíblicas;

c) dos incentivos variados para com a Obra de Deus; e,

d) das “cobranças” por faltar aos cultos sem motivos justos etc.

Também veremos a declaração bíblica do Apóstolo Paulo sentindo saudades dos cristãos em Filipos: “Porque Deus me é testemunha das saudades que de todos vós tenho, em entranhável afeição de Jesus Cristo” (Fp 1.8). Quantas vezes a saudade bate dos irmãos por onde passamos justamente por termos criado uma amizade verdadeira. Lembramos então:

a) da disposição em nos ajudar a fazer o trabalho de Deus;

b) do cuidado para conosco e de nossa família; e,

c) das conversas e momentos de descontração, etc.

Entretanto, não podemos nos furtar da impetuosa situação de um líder não deixar saudades nos corações dos cristãos. Como imaginar os crentes vibrarem com a notícia da transferência do pastor? Somos mais do que consciente que um líder não agrada 100% aos liderados. Mas não é neste aspecto que aqui pontuo. Falo justamente daquele líder que desagrada a maioria dos irmãos por vários motivos e dentre eles notifico alguns, a saber:

a) é mais um viajante ou turista do que um morador permanente na cidade onde foi pastorear;

b) inacessibilidade das ovelhas para com seu pastor;

c) interesse mais no financeiro no que nas pessoas em si;

d) gostar de manter “as portas fechadas” da casa sem permitir que os crentes possam procurá-lo quando precisar;

e) ser um fofoqueiro e mentiroso;

f) um tremendo esbanjador;

g) um homem que envergonha a igreja que lidera através de seu comportamento impróprio; e,

h) ir na casa dos fiéis “cobrar” ou pedir aquilo que está no livro de Malaquias (entendedores, entenderão).

Vamos parar por aqui, pois, a lista é enorme.

Que olhemos para estes ensinos que nos servem de advertência para que não venhamos trilhar nos tais. Deus nos ajude!


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“O primeiro portal cristão no Estado do Espírito Santo”

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