O uso e abuso do poder

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O uso e abudo do poder

Até onde é certo o dito popular: “Manda quem pode, obedece quem tem juízo”?

O apóstolo Paulo enfatiza que a função principal da autoridade, intrinsecamente ligada aos dons ministeriais, em conjunto visa o aperfeiçoamento dos santos.

Por Paulo Pontes

Abuso de autoridade: A imposição da vontade pessoal sobre a de outra pessoa, com base no cargo exercido, sem considerar as leis ou estatutos vigentes, controlando, coagindo, ou impedindo que a outra expresse seu direito ou vontade própria configura abuso de poder. Esse abuso é atitude contrária à democracia, e pode ocorrer em diversos níveis de poder em todas as áreas da sociedade. Seja no ambiente doméstico, político, econômico ou até mesmo religioso caracteriza-se pelo uso ilegal ou coercivo do poder para alcançar o objetivo pretendido.

Considerando que o poder tem aspectos mais amplos e mais complexos do que o simples ato de exercer a autoridade sobre outras pessoas, para definir seu uso abusivo é preciso ir além da ação do forte sobre o fraco, principalmente onde o poder é transferido de mãos, recebendo novas nuances dificultando a sua identificação. Mas em áreas democráticas é facilmente identificado como no caso em que uma pessoa em situação de desvantagem usa indevidamente os artifícios do poder que tem para sair da tal situação desvantajosa.

O abuso do poder e da autoridade é um desvio de comportamento, é um desvio de conduta moral e ética. Infelizmente, na igreja esse desvio de comportamento também acontece. Não é de se admirar, porque grupos partidários também surgiram na igreja em Corinto, nos dias de Paulo. Tinham perdido o foco da razão da existência da Igreja (1 Coríntios 1.10-17).  É diferente hoje? A impressão que se tem é que o que está valendo são os interesses de cada grupo, e principalmente daquele que detém o poder; e qualquer ameaça, real ou imaginária tem que ser fortemente confrontada, de modo que fique bem claro “quem é que manda”.

Mas, a Igreja é do Senhor Jesus! Ele, querendo a edificação dela, concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas, outros para pastores, e outros para doutores e mestres (Efésios 4.11,12). E estes deveriam atuar conforme a orientação apostólica: “Servi uns aos outros, cada um conforme o dom que recebeu, como bons despenseiros da multiforme graça de Deus” (1 Pedro 4.10).

Os grupos que se formaram na igreja, sejam da “direita” ou da “esquerda” não conseguem mais definir, nem expressar, e muito menos viver a essência da Igreja verdadeira. Politicamente, direita representa a “situação”, enquanto esquerda “oposição”. E o povo, em que posição está? O que pensa? O que espera?

O povo precisa e espera ser guiado por um líder, cuja devoção a Deus seja uma característica notável da sua vida, mensagem, e espiritualidade. Um líder que conheça bem o seu trabalho, e o que irá ensinar. Não somente a doutrina bíblica, mas o esboço geral da fé cristã e as experiências reais que serão vividas no dia a dia da jornada. Um líder, talvez até de pouca experiência, mas com uma vida de consagração que envolva a própria alma, que ouça e obedeça a voz do Senhor.   

A orientação do Senhor para Josué, o novo líder israelita, é que ele deveria ser forte e corajoso, que tivesse o cuidado de obedecer à lei que Moisés ordenou, permanecendo na direção certa, sem se desviar para a direita nem para a esquerda, para ser bem sucedido (Josué 1.7,8). Muito me preocupa o desvio à direita, pois a meu ver o Senhor o destaca em primeiro, e em segundo à esquerda. Tanto um quanto o outro é perigoso. Mas, desvio para a direita apresenta mais risco, mais perigo. Quem está à direita e detém a autoridade deve saber que o impacto de suas decisões pode causar sérios prejuízos, até mesmo destruir vidas, tanto individualmente como coletivamente.

O texto de Romanos 13.1 traz a seguinte instrução: “Toda alma esteja sujeita às autoridades superiores; porque não há autoridade que não venha de Deus; e as autoridades que existem foram ordenadas por Deus”.

Não podemos ir além do conceito bíblico de submissão ensinado no Novo Testamento, como também não podemos negar o conceito de autoridade orientado pela Palavra de Deus.

Quando a Bíblia diz de autoridades superiores, está sugerindo que existem níveis legítimos de autoridade aos quais devemos nos submeter. Existem ocasiões em que a autoridade superior (divina) e a inferior (humana) entram em conflito, e nesse tempo, como liderados nossa escolha deve ser obedecer a autoridade superior, isto é, Deus, e não às autoridades religiosas (Atos 5.29).

As Escrituras Sagradas mencionam sete níveis de autoridade, porém, três não foram concedidos aos homens, são reservados exclusivamente e somente para Deus: Autoridade Soberana, Autoridade Verídica, e Autoridade da Consciência. E mesmo assim, muitos líderes religiosos e políticos, e muitos cientistas indevidamente se apropriam de títulos de autoridade e posições que pertencem unicamente ao Senhor nosso Deus.

O uso e abuso do poderAo que parece os homens não estão satisfeitos com os quatro níveis de autoridade que foram reservados à humanidade, conforme as Escrituras.

Os níveis de autoridade dados ao homem se forem usados de forma adequada resultarão em justiça, paz e alegria no Espírito Santo. Esses níveis de autoridade são: Autoridade Delegada, Autoridade Estipulada, Autoridade dos Costumes ou da Tradição, e Autoridade Fundamental.

O apóstolo Paulo enfatiza que a função principal da autoridade, intrinsecamente ligada aos dons ministeriais, em conjunto visa o aperfeiçoamento dos santos para que entrem em ação desempenhando cada um o seu papel para a edificação do corpo de Cristo. São as instruções do apóstolo em Efésios 4.11,12, quando cita os cinco dons ministeriais de liderança em relação à nossa submissão.

Em Hebreus 13.17, lemos: “Obedecei aos que têm o governo sobre vós e submetei-vos a eles, porque velam pelas vossas almas…”. Mas não significa que os líderes espirituais devem agir ou reinar como ditadores, impondo sua vontade aos liderados. Uma vez que o ministério pastoral não é a mesma coisa que ‘governo’, a partir de João 10.11 que diz que o pastor é aquele que cuida, se importa e ama, podemos interpretar Hb 13.17 da seguinte forma: “Sigam os que exercem a liderança pastoral, e submetam-se ao seu cuidado e alimentação espiritual, e repreensão em amor, pois hão de prestar contas de vossas almas ao Supremo Pastor”.

Também o apóstolo Pedro exorta à liderança da igreja: “Pastoreiem o rebanho de Deus que está aos seus cuidados. Olhem por ele, não por obrigação, mas de livre vontade, como Deus quer. Não façam isso por ganância, mas com o desejo de servir. Não ajam como dominadores dos que lhe foram confiados, mas como exemplos para o rebanho. Quando se manifestar o Supremo Pastor, então, receberão a imperecível coroa de glória” (1 Pedro 5.2-4).

O líder deve reconhecer os limites da autoridade que lhe foi outorgada, e nunca ir além da sua responsabilidade. O liderado, por sua vez, reconhece e se submete a essa liderança. E essa submissão baseada em amor fraternal resulta em respeito mútuo e recíproco, quando a autoridade é exercida e administrada de modo adequado, dentro dos limites das Sagradas Escrituras.

Que Deus nos abençoe!

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www.searanews.com.br. Mais informações em nossa página: “Jurídico”.

4 COMENTÁRIOS

  1. Caro pastor Paulo Pontes, peço vênia para discordar de seus pensamentos, ou melhor, dizer que seus pensamentos são os mesmos do pastor Samuel aqui em Belém/Pa, quando diz respeito a seu favor.
    Ele escurraçou quase todos os pastores conscientes, a título de exemplo digo o nome do último pastor escurraçado – Kadimiel Pacífico – dando a mesma desculpa “eles estão se insurgindo contra o homem de Deus”, criou uma quantidade de pastores totalmente dependente dele para os servir em época de eleição.
    Digo mais, o pr Samuel era o protegido do pastor José Wellington, tanto é verdade que ele recebeu a igreja de Belém/Pa sem o apoio da convenção paraense, que queria um pastor que tivesse trabalhado no estado do Pará.
    Se o sr. tem a crença no que está escrito “Obedecei aos que têm o governo sobre vós e submetei-vos a eles, porque velam pelas vossas almas…”. Mas não significa que os líderes espirituais devem agir ou reinar como ditadores, impondo sua vontade aos liderados. Eu também comungo dessa idéia, sobre o totalitarismo do pastor Samuel de Belém. O convido a vir em Belém para ver a mão tirana.
    Concluo dizendo o que o pr Samuel esperava não encontrar homens com garra para enfrentá-lo e derrotá-lo, o que aconteceu do quando foi presenteado com a administração da igreja de Belém.
    Do mais, com as mesmas palavras que ele diz, aqui, que toda autoridade é constituída por Deus, assim como ele prega que o é, então ele tem que suportar a verdade pregada, do contrário ficará explícito de que as leis bíblica só serve para uns e não para outros ou melhor “o pau que dá no chico tem que dá no francisco”.
    Solicito que o sr. fale essa frase ao pr. Samuel, referindo-se aos seus liderados de Belém, após diga qual foi a resposta “O líder deve reconhecer os limites da autoridade que lhe foi outorgada, e nunca ir além da sua responsabilidade. O liderado, por sua vez, reconhece e se submete a essa liderança. E essa submissão baseada em amor fraternal resulta em respeito mútuo e recíproco, quando a autoridade é exercida e administrada de modo adequado, dentro dos limites das Sagradas Escrituras.”

    • Caro irmão Daniel Fernandes,
      Paz do Senhor.
      Agradeço pela visita ao site e por comentar meu artigo. Não pude deixar de observar que postou o mesmo comentário em um artigo escrito pelo Pr. Robson Aguiar, e para este post com algum acréscimo. Com respeito e consideração, respondo pensando que o irmão, talvez, esteja equivocado quanto à interpretação e objetivo do teor do meu artigo: “O uso e abuso do poder”. O artigo é instrutivo e foi escrito para a nossa coluna “Liderança”. Não cita, nem acusa a nenhum pastor ou líder, também não trata das questões que possam envolver a liderança da nossa denominação. Peço que novamente leia o artigo e observe que o texto é imparcial, não critica, não acusa e nem defende “A” ou “B”. Mas, como o irmão mesmo cita em seu comentário: “o pau que dá no chico tem que dá no Francisco”, assim, certamente de modo inevitável, não deixará de alcançar quem, porventuta, estiver incurso na prática do abuso do poder.
      O irmão pediu vênia para discordar dos meus pensamentos. Tem total liberdade para isso. Porém, sem querer ofender, faço o mesmo pedido para lhe dizer que não pode afirmar que os meus pensamentos são os mesmos de outra pessoa, seja quem for, porque tenho identidade própria, não nos conhecemos pessoalmente, jamais conversamos sobre qualquer assunto, e este é o nosso primeiro contato. Por outro lado, tenho liberdade de expressão e livre arbítrio, não estou em cima do muro e posso escolher a quem apoiar, mas entendo que não é neste comentário que devo fazer isto, pois, trata-se de opinião pessoal, por isso não está explicito e nem implícito no artigo em questão, que não tem objetivo partidário. Em momento oportuno, e se achar conveniente, poderei publicar minha opinião sobre o assunto.
      Quanto aos pastores José Wellington e Samuel Câmara, citados em seu comentário, considero como dois homens de Deus, respectivamente, duas lideranças fortes, que se não fossem as divergências no campo da política eclesiástica, juntos poderiam promover maior crescimento e manter unidade da nossa denominação no país. Ambos têm consciência do que fazem como líderes, e sabem que terão de prestar contas ao Senhor.
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      Seja bem vindo sempre ao Seara News, inclusive se desejar publicar algum artigo.
      Abraço fraterno. Deus te abençoe em todo tempo!

  2. Pastor Paulo Pontes, bom dia.
    Sinto-me lisonjeado por receber sua manifestação, agradeço as boas vindas a Seara News e o convite a mim ofertado.

    Aproveito o mesmo canal para pedir desculpa por ventura tê-lo ofendido com meu comentário acima, pois não era esse o objetivo almejado.

    Abraço fraterno.

    • Prezado Daniel, fique tranquilo. Não houve ofensa, o irmão manifestou seu pensamento e opinião, e eu apenas quis revelar a imparcialidade do que escrevi. Pretendo escrever um artigo sobre o que penso do assunto em questão, porém é interessante conhecer “os dois lados da moeda”. Reprovo e repudio a todo e qualquer tipo de atos injustiça, e principalmente de abuso do poder. Recomendo a leitura de um artigo anterior à 41ª AGO: “Um olhar sobre a Assembleia de Deus no Brasil”, no qual manifesto minha preocupação com o futuro da nossa igreja no Brasil. Reitero o convite feito, e vamos trabalhar orar pela unidade da nossa igreja. No mais, um forte abraço, meu irmão, e que Deus nos abençoe.

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