O tempo na visão de Salomão
Relógio / Tempo | Foto: Pixabay

O presente é quase inexistente, mas existe e passa depressa.

Por Cesar Roza

Analisando o capítulo 3 de Eclesiastes, onde o Pregador versa sobre o tempo, asseverando que tudo tem um tempo determinado debaixo do céu, percebemos a conclusão do homem mais sábio que já existiu, Salomão, ao dizer: “O que é já foi, o que há de ser também já passou e Deus pede conta do que passou”.

O que o texto nos revela em primeiro lugar a celeridade do tempo. O verso da composição poética nos assevera que “o que há de ser também já passou”. O tempo passa, e passa velozmente. A própria conjugação de verbos no presente da língua grega é algo que nos revela o quão efêmero é o nosso presente, vejamos: “Eu estou escrevendo e não, eu escrevo, como na língua portuguesa”.  Rubem Alves, em seu livro “Tempus Fugit”, em tom poético coaduna com esta ideia, dizendo: “Quem sabe que o tempo está fugindo descobre, subitamente, a beleza única do momento que nunca mais será…”

Isto expressa o quanto o presente é quase inexistente, mas existe e passa depressa. O escritor sacro no Salmo 90 chega a dizer que a nossa vida passa como um conto ligeiro e nós voamos. Estando cônscio desta verdade precisamos valorizar mais as nossas decisões e viver de maneira sábia e sóbria o tempo presente. Talvez seja por isso que o salmista diz: “Ensina-nos a contar os nossos dias para que o nosso coração seja sábio”.

O sábio Salomão nos ensina também que é impossível voltar no tempo. Na maturidade da vida, o rei de Israel expressa: “o que é já foi”. É comum encontrarmos pessoas dizendo: “… se eu pudesse voltar atrás!”

Alguns filmes de ficção, falam sobre a grande desejo do homem de criar uma máquina do tempo, revelando o dilema humano do passado-presente-futuro. Todos os atos e decisão do ser humano jamais poderão sofrer alteração.

Vejamos o que disse Agostinho, um filósofo cristão: “O tempo implica passado, presente e futuro. Mas, o passado não é mais e o futuro não é ainda. E o presente, se fosse sempre e não transcorresse para o passado, não seria mais tempo, mas eternidade”.

É necessário saber singrar nestes três tempos, pois o maior problema do ser humano moderno passa pelo passado não resolvido gerando a depressão; envolve o presente não vivido gerando ansiedade e a apreensão pelo futuro gerando as enésimas fobias.

Infelizmente, não podemos voltar no tempo; entretanto, podemos resolver a nossa vida mudando o presente para termos um futuro melhor.

E por último, Deus quer a prestação de conta sobre a maneira que usamos o tempo. A parte final da poesia em Eclesiastes nos revela: “Deus pede conta do que passou”. Aqui, o termo usado no hebraico, nos remete à ideia de “indagar” ou “requerer”.

Fica explícito, a partir do verbete usado, é que além de Deus nos indagar acerca do tempo, também exige a prestação de conta.

O texto sagrado diz que prestaremos conta por tudo o que fizermos na vida. O profeta Isaías questiona à nação, dizendo: “De que fazeis o vosso passatempo?”

Paulo, em sua missiva à igreja que estava em Éfeso, exortou para que os cristãos percebessem de que maneira eles estavam vivendo e resume falando para remir o tempo, pois os dias eram maus.

Salomão, viveu a vida intensamente, mas no fim chega à conclusão de que tudo é vaidade e correr atrás do vento. Fixo em sua ilação, em tom irônico, ele diz: “Alegra-te na tua mocidade e ande pelos caminhos do teu coração e pela vista dos teus olhos, porém; saiba que Deus te trará juiz em todas estas coisas”.

Que a cada dia vivamos de maneira a não nos arrepender pelo tempo vivido. Que Deus nos ajude a sermos mordomos de nosso tempo.


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