O Sacerdócio de Cristo e o Levítico
Subsidio da Lição 11: “O que precisamos saber sobre o Sacerdócio de Cristo e o Levítico”.

Subsidio da Lição 11: “O que precisamos saber sobre o Sacerdócio de Cristo e o Levítico”.

Por Enéias S. Ribeiro

O Sacerdócio de Cristo e o Levítico. A presente temática em foco destaca nas entrelinhas pelo menos quatro palavras-chave que merecem nossa total atenção, são elas: “Levítico, Hebreus, Jesus e Sacerdotes”. Os termos atuam como principais estacas que dão sustentabilidade a todo o desenrolar do conteúdo a ser tratado como peça central.

1 – Levítico – “o espelho central que reflete todo o processo de sacrifício sacerdotal administrativo entre os hebreus”.

Levítico, no Antigo Testamento, é o único livro que destaca com precisão os mesmos rastros que o escritor da Epístola aos Hebreus deixou. Neste caso, o livro de Levítico pode ser considerado como sendo o “Hebreus” no Antigo Testamento. Até parece que um livro foi usado para escrever o outro; isto porque a linguagem sacrificial é quase a mesma. Neste livro temos o seguinte:

– Sumo sacerdotes e sacerdotes escolhidos, levitas escolhidos, sacerdotes vestidos, renovação de cargo e troca de cargo levítico, homens administradores que também dependiam de perdão etc.

– Tudo que ali era usado para o trabalho no tabernáculo e bem como o próprio tabernáculo não passava de atos inferiores, eles simplesmente apontavam para o único ato que superaria todos aqueles por eles apresentados.

– Uma tribo escolhida a dedo por Deus para representar como meio ancestral o sistema de trabalho administrativo levítico.

2 – Hebreus – “o espelho que transcreve toda sombra refletida no corpo literário de Levítico”.

Sabemos que se torna quase que impossível lermos o Novo Testamento e entendê-lo com precisão e lógica se não conhecemos ao menos o porcentual quebrado do Antigo. Existem livros no Novo Testamento que serão melhor compreendidos se forem lidos juntos com um ou mais livros do Antigo. Temos como exemplo os seguintes livros que explicam esta lógica paralela:

– Gênesis com Apocalipse;

– Daniel com Apocalipse;

– Levítico com Hebreus;

– Isaías com os Evangelhos;

– As três partes do Tabernáculo em Êxodo, com João 14.6; e,

– O Salmo 22, com o cenário da rota de Jesus até o Calvário nos evangelhos.

Notem que todas estas citações apresentam diretamente ligações típicas e simbólicas; ou seja, toda a realidade de sombras que aparecem no Antigo Testamento continua realidade em páginas do Novo.

A Epístola aos Hebreus não foge deste sistema, ele representa o livro de Levítico, no Novo Testamento. O único diferencial entre ambos é que Levítico apresenta atos corruptíveis e inferiores de pessoas que corriam o risco de errar, enquanto que o “Levítico Hebreus” apresenta um único ato incorruptível e superior de alguém que nunca errou com palavras, pensamentos e obras – “o ato do supremo sumo sacerdote Jesus Cristo”.

Uma boa exegese nos deixará convencidos de que muitos elementos que haviam no interior do Tabernáculo deixaram de existir em Hebreus. O escritor até cita os móveis que dentro do Tabernáculo estavam, porém, não fala nada da continuação de suas existências e usos diários. Na verdade, o foco do narrador de Hebreus é deixar transparente que os usos deles não seriam (ou não eram mais necessários).

3 – Sacerdote e sumo sacerdote – “os representantes da nação inteira com base nos rituais leviticos”.

Existem algumas particularidades hermenêuticas, exegéticas e semânticas que precisam ser notadas referentes ao termo sacerdócio. Em grego podemos destacar três substantivos e um verbo para o esclarecimento inicial deste termo:

Substantivos

Hierateuma – se referindo ao corpo de sacerdotes, por exemplos os crentes em geral como sacerdócio santo (1 Pe 2.5).

– Hierõsume – se referindo ao ofício, à qualidade, ao grau e ao ministério de sacerdote (Hb 7.11,12,24).

Hierateia – denotando apenas o ofício sacerdotal como ministério.

Verbo

– Hierateuõ – este verbo apresenta a ideia unicamente de alguém que oficia como sendo um sacerdote [não que o tal seja um, mas sim um oficiador] (Lc 1.8).

Quanto ao termo sacerdote, temos em hebraico o termo “kõhen”. Este verbete resume as duas expressões “sacerdote e sacerdócio”. Este termo aparece 74 vezes no Antigo Testamento. Mais de um terço das referencias a sacerdotes é encontrado no Pentateuco. Levitico, que tem cerca de 185 referencias, é chamado “O Manual dos Sacerdotes”.

Um ponto fundamental é saber que o termo “kõhen” era usado para se referir não só ao sacerdócio hebraico, ele também era usado para se referir:

– Sacerdotes egípcios –  Gn 41.50; 46.20; 47.26.

– Sacerdotes filisteus – 1 Sm 6.2.

– Sacerdotes de Dagom – 1 Sm 5.5.

– Sacerdotes de e Baal – 2 Rs 10.19.

– Sacerdotes de Quemós –  Jr 48.7.

– Sacerdotes de Baalins e de Aséra – 2 Cr 34.4,5.

No caso do sacerdote e do sumo sacerdote, a missão de ambos era representar a nação por inteiro através de seu testemunho e santidade. Os principais papeis deles eram:

– Representar todos os israelitas diante de Deus;

– Levar a nação toda a reconhecerem o poder de Deus,

– Atuar como professores da lei de Deus diante da nação israelita;

– Conservar o monoteísmo sagrado diante da nação (adoração ao único Deus);

– Avaliar se havia leproso entre as tendas e diagnostica-los aplicando-lhes água, azeite e sangue;

– Manter o culto atualizado e manter a ordem em toda a carga oraria diariamente entre o povo; e,

– Oferecer sacrifício pelos seus próprios pecados, antes mesmo de oferecer pelos do povo.

4 – Jesus – “o sumo sacerdote superior a todos os administradores do tabernáculo”.

Assim como os sacerdotes e sumos sacerdotes tinham uma missão de representar toda a nação de Israel, Jesus, como o superior a todos eles se fez carne e como o perfeito sacerdote representa não apenas a nação de Israel, mas sim todos os homens existentes no mundo. O seu sacerdócio é superior ao de Arão e ao de seus filhos e ao de todos os que atuavam no Tabernáculo.

Jesus como sacerdote superior

– Aboliu o sistema de sacrifício levítico com o seu próprio e único sacrifício na cruz;

– Cumpriu na íntegra todas as ordens de sacrifícios levíticos estabelecidos por Deus no período do Antigo Testamento;

– É o antítipo coletivo de todos os atos prestados dentro do Tabernáculo;

– Tornou-se superior ao próprio tabernáculos com sua mobília de prata, bronze ouro e madeira; e,

– Ainda atua como sacerdote perfeito assentado em seu eterno trono de majestade.

Para refletir: “Muitos perdem tempo fazendo e refazendo mosaicos de educação, porem, nunca se encaixam nela”. (Enéias S. Ribeiro)

Bibliografia
Dicionário Vine – W.E. Vine.
Leia também:
– Lição 9 A Arca da Aliança
– Lição 10 – O Sistema de Sacrifícios
Saiba mais sobre o autor: Enéias S. Ribeiro
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