O Reinado de Davi
Jerusalém, cidade velha, torre | O Reinado de Davi – Comentário da lição 9 do 4º trimestre de 2019 – Escola Dominical

Escola Dominical – Comentário de apoio: Lição 9 do 4º trimestre de 2019 – O Reinado de Davi.

Por Aniel Ventura

O rei Davi foi muito próspero e vitorioso em seu reinado, isto porque obedecia à direção de Deus. Ele era também um servo temente que buscava ao Senhor, amava a sua Palavra, primava em adorar e louvar a Deus.

Sua estada no deserto e sua dependência do Senhor foi marcante em sua vida espiritual, importante também para o seu desempenho como chefe nacional do povo de Deus.

I – Davi é constituído rei

Quando lemos Gênesis 49.10, entendemos porque Saul não correspondeu aos requisitos propostos por Deus concernente a liderança de Israel, a começar pela sua descendência. Saul era benjamita, (1 Sm 9.1,2). Porém, a Judá, filho de Jacó, foi feito uma promessa que seus descendentes governariam seus irmãos. “Até que venha Siló” (Gn 49.8-10).

Esta promessa cumpriu parcialmente no fato da linhagem real de Israel ter sido a do rei Davi, um descendente de Judá. Siló pode significar aquele a quem pertence (Ez 21.27), uma alusão ao Messias vindouro, Jesus Cristo, que veio através da tribo de Judá (Ap 5.5).

O próprio Deus foi quem escolheu e ungiu Davi para governar o seu povo (SL 89. 20; At 13.22). Mas, para que Davi chegasse ao trono, seu caráter precisou ser moldado através do exercício da paciência. Ele teve que aprender a esperar o tempo de Deus. E este quesito nunca foi uma tarefa fácil, como também não é na atualidade, onde a maioria das pessoas vivem sob a pressão do imediatismo.

Hoje, tudo tem que ser muito rápido, imediato, até mesmo as bênçãos de Deus. Ninguém quer esperar. Contudo, saber aguardar o momento certo, sem manobras, faz toda diferença para o homem de Deus.

Em muitas situações, não podemos fazer absolutamente nada, a não ser esperar e confiar que os planos de Deus jamais poderão ser frustrados. Ter essa certeza faz com que os servos de Deus aguardem com paciência e sem amargura ou ansiedade, naquele que pode todas as coisas. Salmo 40:1: “Esperei com paciência no Senhor, e ele se inclinou para mim, e ouviu o meu clamor”.

Hebrom serviu-lhe apenas enquanto reinava sobre Judá, mas agora, por diversas razões, não seria apropriada. Pelo menos por dois mil anos antes de Davi, o monte Ofel tinha sido chamado por vários nomes, sendo o mais popular Jerusalém (heb.יְרוּשָׁלַיִם) ou alguma forma correlata. A cidade já existia nos tempos de Abraão, o que é confirmado pela referência a Salém, a cidade do rei-sacerdote Melquisedeque (Gn 14.18).  (heb. מַלְכִּי־צֶדֶק transl. Malkiy-Tzadeq, “rei da justiça”, “rei da paz”).

As Cartas de Amarna reconhecem Jerusalém como a principal de todas as cidades de Canaã daquele período. O nome dado por Davi ao castelo de Sião foi “Cidade de Davi”, que ele capturou dos jebuseus, onde passou a habitar: E Davi habitou na fortaleza, pelo que se chamou a Cidade de Davi” (1 Cr 11.7).

II – A consolidação do reino de Davi

As mais significativas contribuições para a vida da nação de Israel foram: A unificação das 12 tribos em uma monarquia cuja capital estava situada em Jerusalém e, os planos para a centralização da adoração do povo de Israel em um templo nessa cidade.

A arca da aliança, que estivera fora do seu lugar, foi trazida de Quiriate-Jearim. Esse evento foi muito significativo para toda nação de Israel. Davi deixou um grande legado tanto para a história bíblica e universal e, particularmente, para a Igreja atual, pois nele está materializada a história de Israel, bem como uma marcante experiência espiritual. Davi é citado em o Novo Testamento por diversas vezes.

Ele ordenou as cidades dos levitas, incluindo as cidades de refúgio (Nm 35), confirmando a legislação anterior e garantindo as funções dos levitas, em lugares como Gezer, Ibleã, Taanaque, Reobe, Jocneã e Naolal (Js 21). As qualidades religiosas de Davi eram explícitas. Ele era um musicista consumado (1 Sm 16.14-23), e anelava por melhorar o aspecto musical do culto divino. Davi veio a ser uma espécie de patrono da hinologia judaica.

No reinado de Davi o que é importante observar é o concerto que Deus fez com ele. Nesse concerto, Deus fez uma promessa de cumprimento imediato, que era estabelecer o reino do filho de Davi, Salomão, o qual edificaria uma casa para o Senhor, isto é, o templo (2 Sm 7.11-13). Deus não permitiu que Davi edificasse o templo, por ser um homem de muitas guerras, ter criado muita confusão e ter mãos cheias de sangue.

A promessa de Deus de que a casa ou dinastia de Davi duraria para sempre sobre os israelitas, estava condicionada à fiel obediência de Davi e dos seus descendentes.

Portanto, esse concerto era eterno somente no sentido de Deus ter sempre um descendente de Davi no trono em Jerusalém, estava condicionado na obediência dos governantes de Judá em permanecer fiéis a Ele. Durante os quatro séculos seguintes, a linhagem de Davi permaneceu ininterrupta no trono de Judá. “Quando teus dias forem completos, e vieres a dormir com teus pais, então, farei levantar depois de ti a tua semente, que procederá de ti, e estabelecerei o seu reino” (2 Sm 7.12).

III – A grandeza política do reinado de Davi

Nenhum personagem é tão frequentemente mencionado na Bíblia, concernente a fatos de sua vida, quanto foi Davi. Além das simples referências a ele, o seu nome veio a ser associado a várias localizações e expressões como pode se ver aqui:

  • A Casa de Davi. Há muitas referências no livro de Isaías, dando a entender o seu governo e a sua família real, (Is 7.2,13,14 e 22.22). Essa expressão também figura em (I Rs 12.19,20,26; 13.2; II Cr 10.16,21; Ne 12.37 e Jr 21.12).
  • O Trono de Davi. Isaías 9.7, encerra uma profecia messiânica que mostra que o Messias seria rei segundo a linhagem e a autoridade de Davi.
  • O Tabernáculo de Davi. Isaías 16.5, outra referência à linhagem real da qual viria o Messias.
  • A Cidade de Davi. (Is 22.9; I Rs 2.10,11). O foco aqui é a cidade de Jerusalém, Davi foi quem conquistou esse lugar dos cananeus, tornando-o a sua capital (I Rs 8.1; 2 Rs 8.24; 9.24; 2 Cr 5.2 e 8.11). Porém, no Novo Testamento, essa expressão indica Belém da Judéia (Lc 2.4).
  • As Fiéis Misericórdias Prometidas a Davi. (Is 55.3). Há uma indicação de que Deus, por amor a Davi, teria misericórdia de Israel. É parte do pacto davídico (Is 38.5).
  • O Deus de Davi. Isaías 38.5 evidencia o Deus de Israel, o Deus do maior monarca de Israel, e, de todos os demais reis de Israel.
  • O Pacto de Davi, (Jr 33.21) – Aparecem aqui várias garantias a respeito da linhagem e do reino de Davi.
  • O Descendente de Davi, (Jr 33.22,26) refere-se ao descendente de Abraão, embora aludindo de forma específica à linhagem real.

A administração do reino é brevemente resumida em 2 Sm 15-18. Davi reinou com juízo (mishpat, “leis, ordenanças, decisões judiciais”) e justiça (tsedeqah, “justiça, integridade, equidade”).

Davi chega ao nosso conhecimento como uma imensa, mas incompreensível personalidade: corajoso, leal para com seus benfeitores, mas capaz de crueldade e de fraquezas diante de seus filhos; fiel à religião de seus antepassados; humilde diante do profeta Natã e quebrantado diante de Deus.

A história de Davi pode nos levar a uma reflexão. Davi teve lutas quando era pastor, na caverna, no deserto e no trono, porém venceu todas porque depositava sua confiança em Deus.

Como temos comportado diante das nossas dificuldades, dos apertos, dos desafios e do nosso chamado? Temos reclamado, lamentado ou prosseguimos confiando que Deus nos ajudará?

Quando estamos desanimados, a ponto de desistir, devemos lembrar que Deus não desiste de seus filhos, lembremos do Salmo 23.4: “Ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte, não temeria mal algum, porque tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me consolam”.

Conclusão

Por ser fiel e amar ao Senhor e à sua Palavra, Davi soube se conduzir como iniciante e também portar-se numa posição elevada e de autoridade.

Em ambos os casos, Davi estava instruído a como se conduzir: quando era subordinado e quando dirigia como chefe. Não é difícil executar tarefas mais difíceis, extensas e complexas quando se aprende bem a fazer as mais simples, sempre buscando ao Senhor, o divino Mestre, soberano que tudo conhece.

Mas Deus é o juiz; a um abate e a outro exalta” (Salmo 75.7).

Leia também: O exílio de Davi
Bibliografia
  • José Gonçalves 2009 – As vitórias e as derrotas de um homem de Deus
  • Champlin, Enciclopédia de Bíblia, Teologia Filosofia
  • Comentário Bíblico Beacon, Josué a Ester – vol 2
  • História de Israel no Antigo Testamento – Eugene H.Merrill – CPAD
  • Bíblia de Estudo Pentecostal – 1998 – CPAD

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