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Vila Velha

O que penso sobre o Dízimo

A prática da entrega do dízimo antecede a Lei

EM FOCO

Robson Aguiar
Robson Aguiar
Teólogo, articulista, comentarista cristão, e pastor presidente da Assembléia de Deus, em Caetés III, Abreu e Lima-PE,

 

Recentemente entrei num debate acerca do dízimo, pois na Paraíba um pastor falou que quem não pagava, não valia nada. Por essa razão, resolvi escrever minha opinião sobre o assunto.

A prática da entrega do dízimo antecede a Lei (Gn 14.18-20). Abraão deu dez por cento do que conquistou na guerra.

Parece que o valor (dez por cento), foi uma iniciativa de Melquisedeque, e não de Abraão. O sacerdote Melquisedeque que não era levita (pois Levi sequer havia nascido), cobrou de Abraão o dízimo (Hb 8.1-10).

Alguns historiadores dizem que na época de Abraão, a prática de entregar o dízimo já existia em outras religiões.

Jacó fez um voto (prática que também antecede a Lei) e prometeu a Deus dar o dízimo (Gn 28.20). O sacerdócio levita viria 400 anos depois de Jacó, o que nos leva a crer que o patriarca tenha empregado dez por cento de seu lucro em cultos e dado aos pobres.

O dízimo é formalmente instituído na Lei: “Certamente darás os dízimos de todo o fruto da tua semente, que cada ano se recolher do campo” (Dt 14.22). Mais informações sobre o uso do dízimo são encontradas em Lv 27.30-32; Nm 18.21-32.

O dízimo também era usado para o social: “Ao final de cada três anos, tragam todos os dízimos da colheita do terceiro ano e armazene-os em sua própria cidade, para que os levitas, que não possuem propriedade nem herança, e os estrangeiros, os órfãos e as viúvas que vivem na sua cidade venham comer e saciar-se, e para que o Senhor, o seu Deus, o abençoe em todo o trabalho das suas mãos” (Dt 14.28-29).

A entrega do dízimo é acompanhada de uma promessa de retorno abundante: “Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na minha casa, e depois fazei prova de mim nisto, diz o Senhor dos Exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu, e não derramar sobre vós uma bênção tal até que não haja lugar suficiente para a recolherdes” (Ml 3.10).

O que disse Jesus sobre o dízimo?

Jesus chama de virtude a entrega do dízimo e disse aos fariseus que deveriam entregá-lo sem desprezar o restante da Lei.

“Mas ai de vós, fariseus! Porque dais o dízimo da hortelã, da arruda e de todas as hortaliças e desprezais a justiça e o amor de Deus; devíeis, contudo, praticar essas virtudes, sem deixar de proceder daquela forma” (Lc 11.42).

A Graça aboliu o dízimo?

Não podemos dizer que o dízimo pertencia a Lei, pois já vimos que Abraão antecede a instituição legalista do dízimo.

Mas, como foi incluso na Lei passou a ser pecado e passivo de ser amaldiçoado quem não entrega o dízimo (Ml 3.10).

Daí, não entregar o dízimo no Antigo Testamento era estar debaixo do pecado. E, o pecado por sua vez gera a morte:

  • “Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus nosso Senhor” (Rm 6.23).
  • “Eis que todas as almas são minhas; como o é a alma do pai, assim também a alma do filho é minha: a alma que pecar, essa morrerá” (Ez 18.4).

Mas, lembremos que Jesus veio nos livrar da morte: “Porque a lei do Espírito da vida, em Cristo Jesus, te livrou da lei do pecado e da morte” (Rm 8.2). “E nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus” (Rm 8.1).

O fato é que a entrega do dízimo perdeu seu caráter legalista.

Na Graça não cabe maldição, na Graça a fé é a única coisa exigida (Rm 8.1; Ef 2.8). Entretanto, vejo que a Graça hiper dimensionou tudo que havia na Lei (Mt 5. 21-47). Por isso lemos: “Veio, porém, a lei para que a ofensa abundasse; mas, onde o pecado abundou, superabundou a graça” (Rm 5.20).

Isso quer dizer que dez por cento na Graça é pouco: “Se queres ser perfeito, vai, vende os teus bens, dá o dinheiro aos pobres, e terás um tesouro no céu. Depois, vem e segue-me” (Mt 19.21; Lc 21.1-4; At 2.45).

Paulo enfatiza a prática da oferta liberal, voluntária, sem limites e com promessa de retorno proporcional.

Lembrem-se: “Aquele que semeia pouco, também colherá pouco, e aquele que semeia com fartura, também colherá fartamente. Cada um contribua segundo propôs no seu coração, não com tristeza ou por necessidade; porque Deus ama ao que dá com alegria” (2 Co 9.6-7).

Vivendo pela fé deveríamos doar muito mais que dez por cento (Hb 10.38). Na história da igreja encontrarmos o ensinamento sobre a entrega do dízimo seis séculos depois:

Somente no século VI, no Sínodo de Mâcon (582), é que o dízimo começou a ser ensinado como algo obrigatório (quando se adotou a infame Teologia do Paralelismo entre a Igreja e o sistema sacerdotal/levítico veterotestamentário), e, um milênio mais tarde – no Concílio de Trento –, ganhou força de lei cujo não cumprimento acarretava ao fiel a punição com a excomunhão.

As igrejas protestantes preservaram até hoje o ensino da contemporaneidade da entrega do dízimo, mas é preciso desvincular essa prática de um ato legalista e da sua não adoção, um acarretamento de maldição.

Entregar o dízimo é, sobretudo, um ato de bom senso, gratidão, amor à obra e de fé; porém, deixar de entregar não compromete a salvação e nem contribui pra ela.

R.A


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