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O que é o Jejum? E qual o seu propósito nas escrituras?

EM FOCO

Jhones Bazelatto
Jhones Bazelatto
Teólogo, educador cristão multidisciplinar, presbítero na Assembleia de Deus, com formação em Teologia pela EBTGAB (Escola Bíblica de Teologia Gustav Albin Bérgstron).

O jejum descrito e praticado nas Escrituras tem como objetivo proporcionar uma amplitude espiritual sobre a vida de quem o exerce  

Por Jhones Bazelatto

A princípio a ideia inicial a respeito da pratica caracterizada como “Jejum” no dicionário popular seria a abstinência, total ou parcial, de alimentação ou bebidas sobre determinados dias ou horas, sendo por penitência ou prescrição religiosa, ou médica, trazendo uma desintoxicação do corpo.

Porém, o jejum descrito e praticado nas Escrituras tem como objetivo proporcionar uma amplitude espiritual sobre a vida de quem o exerce.  Podemos dizer que o propósito primário do Jejum é a mortificação da carne, que serve como um equilíbrio da vida espiritual sendo essa a principal fonte de conexão direta com Deus.

“Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem” (João 4.23) – versão JFA-RC.

Não existe uma data preconizada para exercer a prática do “Jejum”, também não se tem uma definição comumente de maneira arbitraria sobre o período de tempo que deve permanecer a abstinência dos alimentos e líquidos, sendo assim cada um tem liberdade de estabelecer o período necessário para alcançar a premissa necessária do propósito pré-estabelecido no jejum.

Período de tempo do Jejum

Embora não tenha exigência a respeito do determinado período de tempo do jejum, encontramos alguns exemplos nas escrituras sobre os períodos realizados:

– O jejum do Dia da Expiação que tinha a duração de “1 dia” (Lv 16.16,21). A data da celebração desse jejum era no 10 de Tishrei (sétimo mês do calendário judaico – Lv 16.29) e sua celebração começava no pôr do sol do dia anterior e segue até o anoitecer do dia posterior.

O jejum de Ester (Et 4.16) e de Paulo que durou “3 dias” (At 9.9). Ambos feitos para um determinado propósito;

O Jejum por luto pela morte de Saul que dourou “7 dias” (I Sm 31.13);

O jejum involuntário de Paulo e os que com ele estavam no navio que durou 14 dias (At 27.33);

O jejum de Daniel em favor de Jerusalém que durou “21 dias” (Dn 10.3);

– O jejum do Senhor Jesus no deserto que dourou “40 dias” (Lc 4.1,2);

Tipos de Jejum: alguns exemplos nas Escrituras

– Jejum normal – não comer nada, só beber água. Este é o tipo de jejum mais normal, que Jesus fez no deserto (Mateus 4.1,2 – um detalhe a ser observado que o texto diz que ele não comeu e por isso teve fome, e não que teve sede pois o texto não menciona a respeito).

– Jejum total – este é o mais radical, que só aconteceu em situações extremas, como o caso de Ester, e nunca por mais de três dias (Et 4.16).

– Jejum parcial – durante três semanas Daniel não tomou vinho, carne ou coisas saborosas (Daniel 10.2,3). É o mais recomendado para pessoas com algum impedimento para fazer um jejum normal, como trabalho muito pesado ou problemas de saúde.

O tempo de Jejum só é acrescentado relativamente de acordo com suas limitações e necessidades, e principalmente o peremptório do propósito criado, e para isso não importa o tempo o importante é que seja realizado.

Como deve ser feito o jejum?  

Logo, se for feito apenas a abstinência de alimentos e líquidos sem “oração e propósito” o jejum se torna algo monótono sem sentido. Entendemos que o jejum é uma forma de mortificar nossa carne e nos alinhar espiritualmente, com isso o mesmo deve ser feito com oração sendo o principal meio de nos comunicamos com Deus.

“Porém esta espécie de demônios não sairá enquanto vocês não tiverem orado e feito jejum” (Mateus 17.21) – Versão VIVA.

A exemplo desse texto, entendemos que ao jejuar passamos a remover aquilo que limita a nossa fé, ou seja a carne. Por essa razão o jejum deve ser feito juntamente com a oração para fortalecer o Espírito.

Encontramos um exemplo nítido sobre o jejum sendo realizado de maneira errada:

“O povo pergunta a Deus: ‘Que adianta jejuar, se tu nem notas? Por que passar fome, se não te importas com isso?’ O SENHOR responde: ‘A verdade é que nos dias de jejum vocês cuidam dos seus negócios e exploram os seus empregados” (Isaias 58.3) – Versão NTLH.

O jejum deve ser realizado com um propósito verdadeiro e especifico e não para objeções pessoais. Jesus condenou a pratica do jejum realizada sem as motivações corretas, onde os Fariseus faziam tal ato para mostrar sua devoção e disciplina espiritual, porém não tinha propósito.

“Quando jejuardes, não vos mostreis contristados como os hipócritas; porque desfiguram o rosto com o fim de parecer aos homens que jejuam. Em verdade vos digo que eles já receberam a sua recompensa. Tu, porém, quando jejuardes, unge a cabeça e lava o rosto, com o fim de não parecer aos homens que jejuas, e sim ao teu Pai, em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará” (Mateus 6.16-18).

Aqui Jesus está condenando claramente o chamado exibicionismo dos fariseus que buscavam como meio de comprovar sua espiritualidade. Observa que Jesus nesse texto não está proibindo falar sobre o “Jejum”, até porque a Bíblia deixa claro sobre dias específicos de pessoas que jejuaram como o caso do próprio Jesus que ficou 40 dias, assim como Paulo 3 dias, certamente ambos detalhes descritos por eles mesmo.

Qual o propósito do Jejum?

O propósito fundamental de jejuar é exatamente a mortificação da carne para uma amplitude de fé e vida espiritual em Deus, porém biblicamente encontramos outros propósitos:

  • Interceder por causa das aflições – (2 Sm 12.16-23; 2 Cr 20.3).
  • Um clamor por uma proteção – (Ed 8.21-23)
  • Por aqueles que estavam enfermos – (Sl 35.13)
  • Interseção sobre a nação – (Dn 9.3)

Então, assim como a oração, o jejum é extremamente necessário para o equilíbrio da nossa vida em Deus, e para petições propositais visto que por meio desse ato nos abstemos de nós mesmos.

Para refletir
O fato de jejuar não tornará Deus mais bondoso ou misericordioso para conosco, ele está ligado diretamente a nós, à nossa necessidade de romper com as barreiras e limitações da carne. Jejuar deixará nosso espírito atento, pois mortifica a carne e aflige nossa alma. (JBazelatto)

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