O pentecostalismo não é uma heresia!

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A questão mais polêmica é quando MacArthur considera que existe uma “adoração inaceitável a Deus” entre o movimento pentecostal e de renovação. Para ele esses movimentos abriram a porta para um erro teológico maior que qualquer outra aberração doutrinária nos dias de hoje.

Por Silvio Santo da Costa

Pentecostes, Pentecostais, PentecostalismoComo pentecostal convicto o que exponho nesta argumentação, creio ser também a posição de todo pentecostal contra colocações sérias e inescrupulosas que alguns fazem sobre nossa fé e doutrinas.

Jesus, porém, respondendo, disse-lhes: Errais, não conhecendo as Escrituras, nem o poder de Deus (Mt 22:29).

O motivo para a controvérsia da vez foi o recente debate teológico sobre as colocações do influente pastor John MacArthur Juniorque classificou também o movimento pentecostal de “heresia”.  Ele afirmou que as igrejas pentecostais e neopentecostais não são cristãs e classificou seus ensinamentos como desvios bíblicos. John ainda rejeitou a atualidade da manifestação dos dons de línguas e de cura como algo vindo de Deus. A questão mais polêmica é quando MacArthur considera que existe uma “adoração inaceitável a Deus” entre o movimento pentecostal e de renovação. Para ele esses movimentos abriram a porta para um erro teológico maior que qualquer outra aberração doutrinária nos dias de hoje.

E curai os enfermos que nela houver, e dizei-lhes: É chegado a vós o reino de Deus (Lc 10:9).

Do lado pentecostal, quem se pronunciou em resposta as declarações de MacArthur foi o presidente da Associação Mundial da Assembleia de Deus, pastor George O. Wood. O líder assembleiano publicou uma carta aberta após a conferência “Fogo Estranho” (organizada pelo ministério do pastor MacArthur) dizendo entre outras coisas: “Reconheço que desde o século passado surgiram aberrações isoladas no comportamento e na doutrina dos que se identificam como pentecostais ou renovados. Mas o movimento como um todo provou ser uma força vital na evangelização mundial, o cumprimento da promessa que Jesus fez aos seus discípulos em Atos 1:8. Em nome dos 66 milhões de adeptos e mais de 360 mil igrejas da Assembleia de Deus em todo o mundo, agradeço a Deus que a fé e a vida da igreja de Atos 2 ainda estão sendo seguidas e vividas até hoje”.

E há de ser que, depois derramarei o meu Espírito sobre toda a carne, e vossos filhos e vossas filhas profetizarão, os vossos velhos terão sonhos, os vossos jovens terão visões. E também sobre os servos e sobre as servas naqueles dias derramarei o meu Espírito (Jl 2:28-29).

Veja o cumprimento parcial desta profecia em Atos 2:4-39, tendo como evidência inicial o falar em línguas de vários povos presentes na festa de Pentecostes.

Discussões a parte, os pentecostais representam 70% de todos os protestantes do planeta (588 milhões). Mesmo sendo um movimento melhor desenvolvido e acompanhado a partir do início do século XX, o pentecostalismo foi o segmento protestante que mais cresceu na história da igreja desde a reforma. No Brasil a quantidade de membros de igrejas pentecostais também vem crescendo, o Censo 2010 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) notou este aumento em todas as regiões do Brasil e mostrou que a Assembleia de Deus é a igreja que mais cresce no Brasil. Dos mais de 22,2% de evangélicos brasileiros, 13,3% são de igrejas pentecostais o que significa que temos mais de 25 milhões de membros de igrejas como as Assembleias de Deus, Deus é Amor, Brasil para Cristo, Congregação Cristã no Brasil, Igreja do Evangelho Quadrangular, Igreja de Nova Vida e outras.

E estes sinais seguirão aos que crerem: Em meu nome expulsarão os demônios; falarão novas línguas (Mc 16:17)

Dizer que o pentecostalismo é uma grande heresia ou que a representa é opor-se a vários argumentos bíblicos nos quais se baseia o movimento. Constrangê-lo ao tratamento de maior aberração doutrinária da atualidade é ser indelicado e bem menos prudente que Gamaliel (At 5:34-40). Formular que alguns dons do Espírito Santo (cura, revelação, maravilhas, dom de línguas, profecia) foram úteis apenas para os primórdios da igreja cristã é ser cessacionista ao extremo por meio de argumentos e atropelos inconsistentes (1 Ts 5:19; At 11:17). Tentar desestabilizar a ortodoxia bíblica do pentecostalismo por mensurá-lo através de porciúnculas grupais ou de ações pontuais ignorando a história, dimensão e equilíbrio maior da categoria é no mínimo uma incoerência ou expressão mal intencionada (o que parece ser o caso de MacArthur, que já anunciou o lançamento de um livro de sua autoria intitulado: Fogo Estranho, o perigo de se ofender o Espírito Santo com louvor falso).

Porque a promessa vos diz respeito a vós, a vossos filhos, e a todos os que estão longe, a tantos quantos Deus nosso Senhor chamar (At 2:39).

O pentecostalismo argumenta com as Escrituras através dos relatos bíblicos da experiência do batismo e da doutrina dos charismas (dons) do Espírito Santo presentes no início da igreja e continuados em sua história militante. Deste modo o movimento tem fundamentação bíblica, teológica e histórica.

Bíblica por que a experiência do batismo no Espírito Santo com a evidência inicial do falar em outras línguas, os dons espirituais e a cura divina estão registrados no N.T e na experiência da igreja primitiva (At 2:4, 8; 19:1-7; 1 Co 14:4, 26); A corrente que diz que as línguas e dons espirituais cessaram, têm dificuldades de provar biblicamente o encerramento (o cessar) dessas atividades, recorrem a argumentações extra-bíblicas.

Teológica porque a sistematização da própria doutrina da pessoa do Espírito (Pneumatologia) e de sua ação apurada nas Escrituras evidencia-O agindo de forma influente sobre os que creem no Evangelho, dotando-os de poder e dons sobrenaturais a fim de testemunharem do Cristo Salvador (Mc 16:17, 20; At 4:30; 6:8; Rm 15:19; 2 Co 12:12).

Histórica porque ao longo do desenvolvimento da igreja cristã e do próprio cristianismo, são vários os relatos de experiências sobrenaturais entre os crentes. Anderson Allan, historiador pentecostal interpreta como predecessores do pentecostalismo na era cristã: Inácio de Antioquia 67-110; Policarpo de Esmirna 70-160; Justino Mártir 110-165; Irineu de Lião 130-202; Tertuliano 160-220; Pacômio 292-348; Agostinho de Hipona 354-430; Simão o Novo Teólogo 949–1022; Jansenitas 1640-1801; Serafin de Sarov 1759-1833; George Whitefield 1714-1770; Jonathan Edwards 1703-1758; Charles Finney 1792-1875; Dwight L. Moody 1875. Embora não haja registros ou indícios de derramamento do Espírito Santo durante a Idade Média, alguns autores mencionam que o valdenses, albigenses, e os frades mendicantes, falaram em línguas na Europa Meridional.

Que fareis pois, irmãos? Quando vos ajuntais, cada um de vós tem salmo, tem doutrina, tem revelação, tem língua, tem interpretação. Faça-se tudo para edificação (1 Co 14:26).

Desde os tempos apostólicos houveram exageros, meninices e incompreensões dos crentes quanto ao sentido da glossolalia – dom de falar línguas estrangeiras sem nunca as ter estudado – e do propósito dos dons de poder (At 8:13-24; 1 Co 14:23-26; 1 Co 12:9,28), mas nem por isso podemos generalizar na afirmação de que os dons eram operações da carne ou que não provinham do Espírito.  Faltou equilíbrio e distinção nas colocações de John MacArthur Jr!

Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até aos confins da terra (At 1:8).

Concluindo, preciso fazer uma advertência dirigida aos pentecostais e neopentecostais. O pentecostalismo em suas crenças e manifestações foi de antemão mencionado por Jesus (Ele é onisciente) e também estava presente no pronunciamento escatológico de nosso Senhor (Mt 7:18-23). Posso dizer que os pré-pentecostais e os atuais pentecostais receberam uma chamada de atenção direta do Mestre, alertando aos mesmos a não se enganarem com o comportamento exclusivista de que a operação dos dons e das maravilhas são provas definitivas ou passaportes da salvação eterna. Por isso, todos aqueles que dentro do movimento não produzem frutos dignos da autêntica vida cristã e que fizeram ou fazem da graça negócio e dos dons comércio, que envergonham e comprometem os verdadeiros cristãos (2 Pe 2:2), que são indiferentes aos necessitados (órfãos, viúvas, presidiários e etc.), enganando-se de que porque receberam dons, Deus aprova o que fazem, serão lançados no lago de fogo e enxofre.

2 COMENTÁRIOS

  1. Prezados,

    Bom dia.

    Tenho alguns questionamentos a fazer com relação a isso.

    1º Por que os crentes que nunca falaram em línguas não são considerados “espirituais” ou “completos”, “plenos do Espírito”? O próprio Paulo diz que nem todos falam em outras línguas (1Co 12.30).
    2º Se as línguas são o sinal ou prova de que alguém foi batizado com o Espírito Santo, baseado nos textos de At, então está faltando algo: lá, nos episódios listados como prova dessa evidência física inicial desse batismo, as línguas são acompanhadas de fala (At 2.6) ou mensagem – “as grandezas de Deus” – inteligível (At 2.11). Em At 10.46, se diz “e engrandecendo a Deus”, ou seja, novamente de forma inteligível, sendo que neste texto, o batismo com água ocorre após o derramamento do Espírito. E em 19.6, está dito que “tanto falavam em línguas como profetizavam”, i.e., havia entendimento para quem os ouvisse.
    3º Por que os c. 3000 novos convertidos de At 2.41, portanto presentes à descida do Espírito Santo, não começaram a falar em línguas ao se arrependerem e serem batizados, uma vez que, feito isso, de acordo com Pedro eles receberiam o dom do Espírito Santo? Era para eles buscarem a partir daí? Pedro não disse nada a respeito. E em Lc 24.49, Jesus disse que a promessa do Espírito Santo era para ser aguardada e não buscada. Os discípulos estavam “assentados”,i.e., numa atitude de espera, não de busca.
    4º Por que os crentes que nunca falaram em línguas não podem ser ordenados diáconos, presbíteros e muito menos pastores nas AD? Eles possuem ou não o Espírito Santo? Ou será que possuem o “Espírito por medida”, contrariando Jo 3.34? Ou, em verdade, de acordo com a visão pentecostal, jamais foram crentes genuínos, uma vez que “algo” os impede de falarem em línguas, provando assim que foram batizados com o Espírito Santo? Normalmente, se diz que é “pecado oculto”, “frieza”, “falta de fé, oração e jejum”, entre outros motivos alegados como impedimento para aqueles que não falam em línguas, pelo menos uma única vez. Nem que seja para, depois disso, nunca mais; mas, ao menos para comprovar que foi batizado com o Espírito Santo.
    5º Paulo diz que as línguas são sinal para os incrédulos, e não que sejam o sinal do batismo com o Espírito Santo. E como sinal para os incrédulos, elas implicam “juízo” divino (1Co14.22 com Is 28.11-12). Assim foi nos episódios elencados em Atos: no capítulo 2, para os judeus incrédulos em relação ao Cristo; no capítulo 8, para os judeus incrédulos em relação à inclusão dos samaritanos, um povo que guardava parentesco com eles, na igreja do Cristo; no capítulo 10, para os judeus incrédulos em relação à inclusão dos gentios; e no capítulo 19, para que a igreja do Cristo não nascesse dividida entre “discípulos de João” e “discípulos de Jesus”.
    6º Por que as línguas faladas hoje em dia são tão parecidas, de poucas palavras ou sílabas, sem interpretação ou com interpretação duvidosa, expressas ao mesmo tempo nos cultos, em voz alta e até mesmo ao microfone, totalmente contrário ao ensino de Paulo (1Co 14.26-28)? Por que não se ensina este capítulo no cultos de doutrina das AD?
    7º Crentes carnais vão para o céu? Se assim não for, os crentes que nunca falaram em línguas estão todos descartados, uma vez que, no meio pentecostal, eles são considerados suspeitos de carnalidade, quer seja por algum pecado inconfesso, quer seja por não se “abrirem” à atuação do Espírito, o que quer que isso signifique. E o paradoxal é que os próprios pentecostais reconhecem que muitos desses irmãos manifestam outros dons espirituais (sic!), relacionados a outras áreas do serviço cristão, como por exemplo, o ensino, a misericórdia e a contribuição. Ora, se é assim, de que Espírito estamos falando? De um que discrimina entre crentes e crentes, fazendo de uns cidadãos vip do Reino dos Céus e de outros meros súditos?
    Há muito erro envolvido com o ensino pentecostal. Até mesmo na sua origem moderna. E dizer que o crente mais espiritual é o que fala em línguas, porque isso prova que ele foi revestido de poder ficando assim mais forte do que os demais para pregar e viver em santidade é uma falácia. Milhares de crentes que tiveram essa experiência hoje perambulam por aí desviados, quando não envolvidos com outras religiões totalmente estranhas ou heréticas ao Cristianismo. Será que a experiência deles foi espúria? Será que ninguém viu isso no local onde essa experiência ocorreu? Qual é o papel dos obreiros nessas reuniões onde supostamente isso acontece? Não seria a de usar o discernimento e provar os espíritos?
    No artigo acima é citado o nome de vários predecessores do Pentecostalismo moderno, para apoiar a tese de que o movimento vem de modo contínuo através dos séculos da história da igreja. Mas há dois grandes lapsos nesse período: de Agostinho a Simão, o Novo Teólogo (c. 500 anos) e daí aos Jansenitas (c. 600 anos). Portanto, mais de um milênio de história sem “Pentecostes”. Os movimentos citados dos valdenses, albigenses e frades mendicantes não se conectam ao Pentecostalismo: ao contrário, creio que os pentecostais não gostariam realmente de ser identificados ou de alguma forma ligados a eles. Estranho é não ter sido citado Thomas Müntzer (1490-1525) ligado aos Anabatistas, e que tinha crenças análogas ao Pentecostalismo. Nem John Wesley (1703-1791), com sua experiência do “coração aquecido”. E quanto ao fato de terem falados em línguas, os grupos mencionados acima, que tais eram? Há comprovação de que fossem do Espírito Santo?
    Os pentecostais podem alegar que há uma intensificação, nestes últimos séculos, dos sinais do Pentecostes porque, imediatamente antes do “Arrebatamento Secreto” da Igreja, haverá um último e marcante “Reavivamento Espiritual”. Porém, o que Jesus predisse, antecipando-se à Sua Segunda Vinda, visível e gloriosa, foi justamente o contrário: que haveria apostasia (Mt 24.12); e falsos profetas e falsos cristos propagando engano com falsas mensagens e operações de sinais e prodígios grandiosos para autenticá-las (Mt 24.11, 24). Paulo também corrobora essa afirmação para o tempo que culmina com o Segundo Advento: ele diz que o Dia do Senhor será precedido de a) a apostasia e b) a revelação do Anticristo (2Ts 2.1-3).
    Há fogo estranho no meio evangélico pentecostal.
    http://www.searanews.com.br/o-pentecostalismo-nao-e-uma-heresia/
    Fraternalmente.

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