O Pecado do Homem Segundo o Coração de Deus
O fato de Davi ser o homem segundo o coração de Deus, não o isentou de sofrer as consequências do pecado. | Foto: Capa da Lição 10

Escola Dominical – Comentário de apoio: Lição 10 do 4º trimestre de 2019 – O Pecado do Homem Segundo o Coração de Deus

A história de Davi pode ser dividida em duas etapas: Na primeira, esperando as promessas de Deus se cumprirem em sua vida. Na segunda, vivendo o cumprimento das promessas, porém, sofrendo consequências por decisões mal tomadas.

O adultério de Davi, o plano e a covardia na execução de Urias, sem dúvidas, estão entre o que é mais condenado e repulsivo pela lei de Deus. O Senhor, justo juiz, reprovou esse ato (2 Sm 11.27), todavia, houve perdão, imediato quando Davi se arrependeu reconhecendo seu pecado (Sl 51).

I. Segundo o coração de Deus

O fato de Davi ser o homem segundo o coração de Deus, não o isentou de sofrer as consequências do pecado. Sofreu consequências emocionais, físicas e espirituais.

Após o pecado, Davi ouviu um duro julgamento pronunciado pelo profeta Natã (2 Sm 12.10-14). Este julgamento divino não atingia somente sua vida pessoal, mas, também toda a sua existência, inclusive o reino e a família.

Quantas lágrimas Davi derramou! Podemos ver em Salmos 6.6, onde nos dá uma noção disso: “Já estou cansado do meu gemido; toda noite faço nadar a minha cama; molho o meu leito com as minhas lágrimas”.

O quanto não deve ter chorado quando sua filha Tamar foi violentada (2 Sm 13), sem dizer dos filhos Amnon e Absalão que foram mortos (2 Sm 13.33; 18.14).

Porém, os maiores efeitos do pecado de Davi foram na esfera espiritual. O pecado pode parecer, inofensivo e natural, mas, suas consequências são amargas como absinto. O apóstolo Paulo, adverte em sua carta aos coríntios: “Por causa disso, há entre vós muitos fracos e doentes e muitos que dormem” (1 Co 11.30).

A ciência reconhece, que existem muitas doenças psicossomáticas, isto é, doenças da alma ou de origem psicológica que afetam o corpo físico. A Bíblia nos mostra que há também doenças espirituais. “Confessai as vossas culpas uns aos outros e orai uns pelos outros, para que sareis; a oração feita por um justo pode muito em seus efeitos” (Tg 5.16).

Ciente disso Davi clamou ao Senhor: “[…] Tem piedade de mim; sara a minha alma, porque pequei contra ti” (Sl 41.4).

Mesmo sendo escolhido por Deus, podemos ver que ele deu lugar ao diabo, abrindo a porta, para esse terrível mal.

A escritura sagrada nos revela três fontes da tentação:

1) Carne. Com o sentido bíblico de natureza humana, depravada, decaída e inclinada ao pecado (Rm 7.18). Concernente à carne, somos advertidos a “andar” em Espírito para não cumprir os seus desejos (Gl 5.16,25).

2) O Mundo. O mundo, como um sistema e filosofia de vida, é um inimigo número um dos valores cristãos. A Palavra de Deus nos instrui categoricamente a não o amar (1 Jo 2.15).

3) O Diabo. O Diabo é um ser espiritual, “o maligno” (Mt 13.19), que se opõe a Deus e à sua criação. A fim de vencer os desafios das “fontes da tentação”. A recomendação bíblica é que devemos resisti-lo e assim ele fugirá de nós (Tg 4.7)

II. O ambiente em que Davi pecou

O ambiente cultural pode ter contribuído com Davi à prática do pecado, pois no oriente, parte da glória de um monarca consistia em seu harém, repleto de mulheres de prestígio, porém a lei do Senhor era diferente e o rei bem a conhecia (Dt 17.14-17).

Bastou um momento de descuido, em seu terraço, Davi observou que Bate-Seba se banhava, e pode ver o quanto ela era atraente. A cobiça acabou levando-o a pecar contra Deus.

Podemos inferir que Bate-Seba conhecia muito bem os arredores do palácio, pois era Filha de Eliã (2 Sm 11.3) e neta de Aitofel, o gilonita (2 Sm 23.34), um amigo de confiança e conselheiro de Davi, que mais tarde o traiu.

O conceito de pecado no idioma hebraico pode ser definido por várias palavras, destacamos três.

1) Hatta’t. Este vocábulo, que aparece 522 vezes nas páginas veterotestamentárias, e seu termo correlato no Novo Testamento – hamartia – sugerem a idéia de “errar o alvo” ou “desviar-se do rumo”, como o arqueiro antigo que atirava as suas flechas e errava o alvo. Porém, o termo também sugere alguém que erra o alvo propositadamente; ou seja, que atinge outro alvo intencionalmente. Não se trata de uma idéia passiva de erro, mas implica uma ação proposital.

2) Peshá. O sentido tradicional desta palavra é “transgredir”, “rebelar”, “revoltar-se”. Porém, uma variante forte para defini-la implica o ato de invadir, de ir além, de rebelar-se. O termo aponta para alguém que foi além dos limites estabelecidos (Gn 31. 36; I Rs 12.19; 2 Rs 3.5; SI 51.13; 89.32; Is 1.2; Am 4.4).

3) Raá. Outra palavra hebraica que no grego o seu equivalente é – kakos ou poneros – traz a idéia básica de romper, quebrar; “aquilo que causa dano, dor ou tristeza”. É um tipo de pecado deliberado, malicioso, planejado, que provoca e enfurece. Dá a idéia de “ser mau” (Gn 8.21; Ex 33.4; Jr 11. 11; M q 2.1-3). Indica também algo injurioso e moralmente errado. Pecados expressos por violência (Gn 3.5; 38.7; Jz 11.27).

III. O adultério e o homicídio de Davi

Davi se esforçou para evitar a suspeita do pecado resolvendo livrar-se de Urias, ordenando que ele fosse morto em batalha, deixando-o indefeso diante do inimigo.

O fato de Davi ter feito isso, comprova o abuso de poder e a brutalidade dos reis daquela época. Tais pecados não podiam ser remidos, quanto à lei da semeadura e da colheita. A partir daquele instante, a vida de Davi começou a desintegrar-se (2 Sm 12.10).

Deus não ignorou o pecado de Davi e usou o profeta Natã para mostrar a seu delito. Sua reação foi imediata reconhecendo e confessando o seu pecado (SI 51). Diferente de Saul, Davi admitia seus erros.

Embora perdoado por Deus, foi lhe dito que, o que ele tentou ocultar, sua própria casa iria expor, para vergonha sua. Sangue e sexo iriam compor a maldição dali em diante em sua família.

“Não erreis: Deus não se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará” (Gl 6.7).

Conclusão

Davi esqueceu-se dos princípios da Torá, quando diz, não adulterarás (Ex 20.13,14,17), e ignorou o costume dos reis em ir para guerra, e ficou no palácio (2 Sm 11.1,2). Não ficou apenas em casa, ele ficou ocioso e passeava pelo terraço. O rei poderia ter rejeitado o pecado, ao invés disso ele escolheu esse caminho de tragédias. 

As lições da vida de Davi, Deus permitiu ficar na Bíblia, onde podemos ver o resultado da desobediência e as consequências funestas do pecado. Servem-nos de um grande exemplo, que nos mostra que o homem com Deus é uma benção, no entanto sem Deus, torna-se um desastre.

Bibliografia

  • Dicionário Bíblico Wycliffe Charles F. Pfeiffer
  • José Gonçalves – As vitórias e as derrotas de um homem de Deus
  • Teologia Sistemática Pentecostal – CPAD
  • Bíblia de Estudo Pentecostal – CPAD
  • Champlim – Enciclopédia de Teologia e Filosofia – vol 2

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