O mais novo disfarce da Apatia, a "Empatia"
O mais novo disfarce da Apatia, a “Empatia” | Foto: Reprodução

A empatia como acessório de luxo; como um crachá para obter a aprovação dos círculos do momento.

Não é de hoje que a empatia está se tornando um sofisticado sistema emocional de autoengano. Me refiro ao hábito diário de se indignar com o caos no mundo. Se repararmos bem, vamos perceber um fato muito curioso. Por que raios tanta gente reserva sua revolta APENAS para episódios que acontecem há centenas ou milhares de quilômetros de distância? Seria por acaso? Diria que pode ser inconsciente, mas por acaso, jamais!

A vontade de se manifestar publicamente indignado, de se mobilizar, fazer parte de grupos que estão conversando a respeito e de escrever alguma opinião sobre, é imediata. Tudo, finalizado com um solene lamento de não poder se engajar efetivamente por conta da quilometragem ou agora, da pandemia. Minha pergunta é: se estivéssemos na localidade daquele acontecimento, o objeto da nossa revolta não migraria para um outro estado, país ou continente?

Parece ser uma indignação personalizada. Como aqueles filtros das abas de busca, nesse caso, se marca a preferência de encontrar resultados a partir de Mil quilômetros de distância. O objetivo claro, é ter sempre na manga a carta “Alívio de Consciência” e dizer a si mesmo que se morasse mais perto faria o que estivesse ao alcance, mas como não mora…

Se indignar pelo que acontece do outro lado da rua, no bairro ao lado e em demais regiões do em torno parece não ser atraente. Se envolver em pequenas iniciativas e ações anônimas que estão fadadas a nunca terem a menor visibilidade então, nem pensar. Isso exigiria mobilidade. Abandono da zona de conforto. Exigiria que a empatia saísse da comodidade do campo metafísico para se materializar no que é palpável, concreto e corpóreo como: investimento, prática, empenho e engajamento de verdade.

Essa é a empatia como acessório de luxo; como um crachá para obter a aprovação dos círculos do momento. Platônica, só existe no mundo das ideias virtuais, nos Feeds e nas TL’s. Como foi antes, tampouco depois da Pandemia dará as caras no mundo real; essa, se tornou um dos mais aprimorados mecanismos de fuga de compromissos com a realidade que pode ser avistada da janela ou que bate a própria porta. A empatia como adesivo colado por cima da apatia, serve apenas para um fim: parecer ter e parecer ser, para si mesmo e para os outros.


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