O exílio de Davi
O exílio de Davi – Comentário da lição 8 do 4º trimestre de 2019 – Escola Dominical

Escola Dominical – Comentário de apoio: Lição 8 do 4º trimestre de 2019 – O exílio de Davi.

Por Aniel Ventura

Podemos viver muitos conflitos em nosso cotidiano, os quais podem nos levar até mesmo a frustrações, e ao exílio, porém se tivermos sabedoria e paciência eles poderão cooperar, para o nosso amadurecimento e o nosso crescimento social e espiritual.

Exílio

A Palavra “Exílio” vem do Latim Exsilium ou Exilium, de Exsul, “pessoa banida”, possivelmente do Grego alasthai, “vagar, andar ao léu”.

Expatriação voluntária ou forcada. “Todo o Judá foi levado para o exílio” (Jr 13.19). “Tornarei a trazer-vos ao lugar de onde vos transportei” (Jr 29.14). “Por causa da sua iniquidade foram levados para o exílio” (Ez 39.23).

Adulão

Cidade na Sefela de Judá, geralmente relacionada a outras cidades que podem ser mais facilmen­te identificadas (Js 12.15; 15.35; 2 Cr 11;7; Ne 11.30; Mq 1.15).

Próximo a essa cidade havia várias grutas nas quais Davi e seus homens permaneceram durante algum tempo (1 Sm 22.1; 2 Sm 23.13; 1 Cr 11.15). Os adulamitas eram cidadãos de Adulão.

Caverna

As colinas da Palestina estão marcadas por inúmeras cavernas artificiais e naturais. Em épocas pré-históricas, as cavernas eram usadas como abrigo para os humanos.

Ló e suas filhas ocuparam uma caverna (Gn 19.30), como também o fizeram Davi (1 Sm 22.1), e Elias (1Rs 19.9).

Manuscritos preciosos foram guardados nas cavernas, de Qumran, junto ao Mar Morto.

A hospedaria de Belém, na época do nascimento de Jesus, foi construída sobre uma caverna que era usada como um estábulo.

As cavernas eram usadas:
– para práticas de rituais pagãos (Is 65.4, Berkeley), como em Gezer;
– como lugar de abrigo (Js 10,16; Jz 6.2; 1 Sm 13,6; 22.1; 2 Sm 23.13; Hb 11.38);
– local de sepultamento e túmulos em todos os períodos da história humana. Sara foi sepultada na caverna de Macpela (Gn 23.19), Abraão, Isaque, Rebeca, Léia e Jacó́ (Gn 25.9; 49.30,31; 50.13). O túmulo de Lázaro era uma caverna (Jo 11.38);
– como prisões (Jr 37.16,17; 38.6), e
– cisternas.

I – As características do exílio de Davi

As vitórias de Davi fizeram-no um homem muitíssimo popular, criando-se assim uma rivalidade entre Saul e ele (1Sm 18.7). Saul ao invés de se regozijar com a vitória dos israelitas, sentiu-se ameaçado, temendo perder seu prestígio em Israel.

Muitos líderes espirituais hoje em dia são assim, preferem antes ver a derrota de um “Davi” e o embaraço da congregação do que vê-lo honrado.

O reinado de Saul poderia ter sido muitíssimo abençoado, se ele estivesse disposto a aumentar os domínios de Deus, em vez de proteger o seu próprio regime. Após as tentativas da parte de Saul de matar a Davi com sua lança, o rapaz fugiu da corte e exilou-se no deserto. Estas dificuldades na vida do futuro rei (Davi) era parte do programa de treinamento previsto por Deus para produzir um herói de fé, que iria compor salmos divinamente inspirados e guiar Israel com poder e sabedoria. Muitas vezes o coração de Davi era dominado pelo medo, como podemos ver na sua queixa: “… há apenas um passo entre mim e a morte” (1 Sm 20.3).

Em determinado momento, parece que Davi distanciou-se do Senhor, na tentativa de livrar a sua vida ele mentiu ao sacerdote Aimeleque, em Nobe, para dele receber auxílio, fugindo depois para as terras do inimigo. Em Gate ele sentiu muito medo e para salvar a sua vida, fingiu estar louco (1 Sm 21.13). Os filisteus acreditaram na sua loucura simulada, escapando e refugiando-se nas cavernas do Sul da terra de Judá.

Nesse momento difícil de sua vida, Davi, novamente expressou sua confiança em Deus, nas palavras do Salmo 34: “Bendirei o senhor em todo tempo, o seu louvor estará sempre nos meus lábios… busquei o Senhor e ele me respondeu, livrou-me de todos os meus temores… muitas são as aflições do justo, mas o senhor de todas o livra” (vv.1,4,19).

O tempo da fuga de Davi para o deserto foi um período turbulento em sua vida. É possível observar nos salmos escritos por ele, que enfrentava no deserto crises de dúvida e depressão, apesar disso, costumava encerrar os seus salmos com uma declaração de sua fé e confiança em Deus. “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste? Por que te alongas das palavras do meu bramido e não me auxilias? Deus meu, eu clamo de dia, e tu não me ouves; de noite, e não tenho sossego.  A ti clamaram e escaparam; em ti confiaram e não foram confundidos” (Sl 22.1,2 5).

O salmo 22 foi escrito por Davi quando se achava acossado pelo exército de Saul, em Maom. As muitas dificuldades na vida de Davi, o levaram a ter uma maior intimidade com Deus, e ajudaram a prepará-lo para a liderança e ser um rei servo segundo o coração de Deus.

As cavernas e desertos de nossas vidas podem ser campos férteis para Deus trabalhar e nos moldar para sermos bênçãos, exatamente como fez com Davi na caverna de Adulão, porém não podemos confundir caverna e deserto com consequências de decisões mal tomadas. Precisamos entender que caverna e deserto só é benção em nossa vida quando é agenda de Deus, do contrário somente será sofrimento e tristezas. Mas podemos crer que Deus está com suas mãos estendidas preparado para nos acolher nos momentos em que encontramos abandonados.

II – Davi e o amor com os pais

Na caverna de Adulão congregaram-se a ele os seus pais e os demais membros de sua família e mais de 400 mercenários, dispostos a lutar por ele. Desse modo Davi não demonstrou ser simplesmente um grande líder, e sim um bom filho que se preocupava com a segurança de sua família.

O escritor Carl Boyd Gibs diz que, todos os dias Davi se colocava à porta da caverna, olhando para as montanhas com esperança de conseguir novos recrutas em seu apoio. Desanimado ante tão longa expectativa, ele pergunta a si mesmo e, logo em seguida, responde: “Elevo os meus olhos para os montes de onde me virá o socorro; o meu socorro vem do Senhor que fez os céus e a terra” (Sl 121.1,2).

Davi era conhecedor dos mandamentos da Torá, quando providencia abrigo para seus pais. Desde a sua infância cuidava dos assuntos da família, pois sabia que é abençoado o filho que honra os pais (Ex 20.12).

A paciência de Davi e seu respeito para com o rei Saul eram admiráveis. Ele nada fez que pudesse derrubar seu trono, mas simplesmente manteve um passo à frente daquele rei que o perseguia. Seu respeito religioso e sadio pelo ungido de Deus e, ao mesmo tempo, um constante desenvolvimento de seu próprio programa a fim de estar preparado quando Deus o chamasse para assumir a liderança.

O Novo Testamento revela a natureza eterna do Reino de Deus no verdadeiro Filho de Davi, o Rei dos reis, o Senhor Jesus Cristo.

III – Morrendo por Davi

Depois do juízo pronunciado por Samuel, por causa da desobediência no extermínio dos Amalequitas, o rei Saul foi afastando-se cada vez mais do Senhor, tornando-se ainda mais desesperado e medroso.

É possível que Saul tenha sido um doente mental. Ele ficou progressivamente pior, devido ao seu grave estado de depressão (1 Sm 16.14; 19.9); mesmo assim, recusou-se a se humilhar diante de Deus.

Devido ao fato do sumo sacerdote Aimeleque ter ajudado Davi, (1 Sm 21-22), Doegue, um edomita, relatou isso a Saul (1 Sm 22.9,10), que ordenou a execução de todos os sacerdotes.

Quando os guardas de Saul se recusaram a obedecer à ordem perversa, a missão foi transferida para Doegue, que a cumpriu com diligência (v.18), matando 85 sacerdotes, (a LXX diz que foram 305, Josefo menciona 385.)

Embora Davi tenha poupado a vida de Saul por duas vezes, o rei não reconheceu neste ato a advertência de Deus, e prosseguiu no caminho que o levaria à destruição final. Em desespero, antes de sua última batalha, Saul procurou ajuda na feitiçaria, embora em dias melhores ele tivesse excluído tais práticas de seu reino (1 Sm 28). Alguns entendem que Samuel (e a questão sobre a identidade deste personagem nesta aparição é bastante discutida), morto havia muitos anos, apareceu para pro­nunciar o destino de Saul. “Amanhã tu e teus filhos estareis comigo” (1 Sm 28.19).

“E perguntou Saul ao Senhor, porém o Senhor não lhe respondeu, nem por sonhos, nem por Urim, nem por profetas” (Samuel 28.6). Se Deus não respondia a Saul por meios legais, e bíblicos, jamais responderia por meio de feitiçaria (Lv 20.6).

No dia seguinte, Saul enfrentou os filisteus no cume do Monte Gilboa. Ferido, e não querendo ser capturado e torturado pelos inimigos, Saul lançou-se sobre sua própria espada. A nação de Israel lamentou a trágica morte de seu rei. Davi chorou com eles e compôs uma elegia em honra a Saul e Jônatas (2 Sm 1.17-27).

Conclusão

Davi foi o primeiro monarca de um império unificado e o fundador de uma dinastia que permaneceu no poder durante 425 anos.

Mesmo diante de tantos conflitos, podemos ter a certeza de que Deus, estava e sempre estará no controle de toda história. Apesar da desobediência da nação de Israel, as promessas se cumpriram para trazer o Messias que é o salvador do mundo.

Leia também: Davi é ungido Rei
Bibliografia
  • Dicionário Bíblico Wycliffe – Charles F. Pfeiffer, Howard F. Vos, John Rea
  • Carl Boyd Gibbs – História de Israel
  • Pequena Enc. Bíblica – Orlando Boyer
  • Origem da Palavra – origemdapalavra.com.br
  • Bíblia JFA Offline

DEIXE UM COMENTÁRIO
Siga Seara News no Twitter, no Facebook e Instagram
“O primeiro portal cristão no Estado do Espírito Santo”
.
Seara News 25 anos

ESCREVA UM COMENTÁRIO

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui