O dia depois do congresso
A igreja, o congresso e os jovens… | Foto: Reprodução

Os congressos e conferências de jovens são os principais eventos em que a juventude cristã se reúne para manifestar sua identidade.

Tarsis Brendo

A igreja, o congresso e os jovens…

No livro “Igreja Centrada” Tim Keller explica que a Cultura é um ambiente que nós criamos a partir da matéria-prima. Ou seja, quando dos sons e palavras criamos uma canção, ou quando da experiência criamos uma história e a compartilhamos, estamos criando um ambiente chamado Cultura. O próprio Cristianismo pode ser considerado como uma cultura, visto que o mundo Ocidental tem a fé cristã como um dos seus pilares culturais. Paul Tillich já dizia que no âmago da cultura está a religião. E T.S. Eliot dizia, no livro “Notas para definição de Cultura”, que o corpo religioso é o guardião da maior parte do que restou dos mais altos desenvolvimentos culturais.

Devo dizer, então, que a Igreja é uma instituição que está, diretamente, influenciando a todo o tempo a cultura, isto é, o comportamento da sociedade. Somos Sal e Luz (Mt 13-16). E um dos principais momentos em que a juventude cristã se reúne para manifestar sua identidade missionária é nos congressos e conferências jovens. Pois hoje, as conferências jovens têm se mostrado excelentes instrumentos e estratégias evangelísticas.

Reparo também que boa parte dos nossos congressos têm se tornado uma subcultura dentro da Igreja. Devido ao estilo da pregação, do louvor e até da direção dos cultos. Os sermões têm sido cada vez mais práticos, dialogando diretamente com o comportamento dos seus ouvintes. No louvor, que agora chamamos de “worship”, tem-se enfatizado muito a intimidade com Deus no secreto. Os jovens têm conseguido entender melhor o seu papel no Reino. E devo dizer que consigo enxergar tudo isso com um olhar otimista, mesmo sabendo que a juventude cristã necessita crescer muito ainda na Palavra.

Ao meu ver, a conferência jovem é o evento onde a juventude local se reúne para manifestar todo o seu trajeto no Reino e se conscientizar do que ainda deve ser feito para Cristo. A juventude local deve se empenhar para demonstrar a sua força em Cristo, enquanto os convidados e ministros trazem a Luz da Escritura para as consciências de todos os ouvintes.

Ao findar o congresso, a liderança local precisa refletir sobre o que foi passado e começar a analisar os frutos que o congresso deixou na juventude. É claro que a mudança não vem do dia para a noite, e também é claro que os frutos não se resumem a 2 ou 3 dias de festividade. Mas mesmo assim é necessário refletir sobre o que Deus entregou ao seu povo.

A liderança terá que continuar a conduzir a juventude a se alimentar em fartos pastos. A juventude não pode ser deixada sem acompanhamento, como se o congresso tivesse resolvido tudo. Terá de conscientizar os jovens a não se tornarem reféns de uma subcultura de congressos. O jovem cristão precisa aplicar aquilo que aprendeu na igreja, à sua vida. É necessário ser obediente, orar, jejuar, ler, estudar. E isso está englobado no papel do líder de conduzir a juventude. A liderança local precisa incentivar o jovem a ler bons livros também. Tudo isso ajuda no progresso da vida espiritual.

Quando isso é feito, o Reino de Deus tende a crescer, pois sabemos que estamos influenciando diretamente a vida de dezenas de jovens, que são o futuro da sociedade. Uma boa reflexão ajuda a transformar a cultura. Nos preocupemos, irmãos, com o dia depois do congresso!

Tarsis Brendo
Formado em Teologia (FUV), co-autor do livreto “A sabedoria como arte diária”. Apreciador da Literatura inglesa e russa. Membro da ADNV. Gosta de ler, ensinar e escrever.

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