O Altar do Holocausto

0
O Altar do Holocausto
Réplica do Altar do Holocausto – Tabernáculo (Foto: Reprodução)

Subsídio da lição 4: “O que precisamos saber sobre o Altar do Holocausto”.

Por Eneias da Silva Ribeiro

Nesta quarta lição, veremos um dos mais importantes elementos encontrados no Tabernáculo. Depois da Arca e do Candelabro, o Altar do Holocausto passa ser o mais apreciado pelos sacerdotes, sumos sacerdotes, levitas e israelitas em geral.

Se o Altar de Incenso é considerado na Bíblia sendo o ponto clímax da intercessão, o Altar do Holocausto por sua vez é taxado como sendo o ponto mais alto das oferendas de sacrifício ao Deus eterno. Se tivesse todos os outros elementos e faltasse o altar, a lei do sacrifício ficaria literalmente incompleta dentro do Santuário (Tabernáculo).

Quanto à ocorrência de aparição do termo, temos, por assim dizer, 378 vezes nos dois testamentos, sendo 374 no AT e 24 no NT. Sobre o total das palavras relacionadas ao altar independente de ser de holocausto ou não, temos aproximadamente 431 palavras relacionadas.

O termo hebraico mais conhecido para altar é “mizbeah”. Este substantivo tem cognatos no aramaico, siríaco e árabe. Ou seja, em cada um destes idiomas a raiz consonantal é mdbh. O sentido berçário desta palavra deve ser aplicado ao primeiro erguimento de altar no antigo testamento por Noé Gn 8.20. Em se tratando de referencias secundarias ou posteriores podemos, então, colocar o fato do próprio Altar do Holocausto interiorizado no Tabernáculo por ordem divina (Ex 30.1).

Apontamento exegético

Desde a aurora da história humana as ofertas eram feitas numa mesa elevada de pedra ou terra (Gn 4.3).

No principio, os altares de Israel seriam feitos de terra, isto é, formados de material que era estritamente o trabalho das mãos de Deus. Se os judeus, quando peregrinavam no deserto, fossem cortar pedras para fazer altar, eles teriam sido compelidos a usar armas de guerra para fazer o trabalho. Notem que em Ex 20.25 a palavra traduzida por buril, é “hereb”, que significa espada.

– Mizbeah

É importante ressaltar que tanto o altar que ficava perante o Lugar Santo (Altar do Holocausto) (Ex 27.1-8), bem como o altar que ficava dentro do Santo Lugar (Altar de Incenso) (Ex 30.1-10), ambos tinham chifres. E estes chifres tinham uma função fundamental referente às ofertas (Lv 4.30; 16.18). Por exemplo, o animal sacrificial podia ser preso nos chifres para permitir que o sangue escoasse totalmente altar abaixo (Sl 118.27). Seria importante também fazer a diferença entre o uso do termo “mizbeah” utilizado pelos judeus (povo monoteísta) e o seu uso pelas nações paganistas; ou seja, este termo “mizbeah”, tanto era usado por judeus como por não judeus (Ex 34.13).

– Thusiasterion e Bõmos

No Novo Testamento temos pelo menos dois termos gregos que diferenciam o altar para se sacrificar ao verdadeiro Deus, e aos sacrifícios aos deuses pagãos.  O termo “thusiastrion” denota altar para sacrifício de vitimas, embora também faça referência ao Altar de Incenso. No entanto, esta palavra é reservada no NT para aludir ao culto ao verdadeiro Deus (Mt 5.23,24; 23.18-20,35; Lc 11.51; 1 co 9.13; 10.18). Por outro lado, o termo “bõmos” implica também como no AT um lugar elevado, e sempre denotará ‘altar pagão’ ou ‘altar criado sem o desígnio divino’.

Só a titulo de curiosidade podemos dizer que o único lugar onde esta palavra aparece é em Atos 17.23. Concluímos, portanto que um altar feito fora da ordem divina é chamado de bõmos, enquanto que o que é feito por sua ordem é considerado thusiasterion.

Seis altares no Pentateuco:

1) O de Noé, Gn 8.20;
2) o de Abraão, Gn12.7,8
3) o de Isaque, Gn 33.20
4) o de Jacó, Gn 33.20;
5) o de Moisés, Ex 17.15; e
6) o de Balaão, Nm 23.1

Nove altares nos livros históricos:

1) O de Josué, Js 8.3;
2) o de Gideão, Jz 6.26,27;
3) o de Samuel, 1 Sm 7.17;
4) o de Saul, 1 Sm 14.35;
5) o de Davi, 1 Sm 24.21,25;
6) o de Jeroboão, 1 Rs 12.36;
7) o de Elias, 1 Rs 18.30,32;
8) o de Acaz, 2 Rs 16.10-12; e
9) o de Salomão, 2 Cr 4.1.

Analogias típicas e simbólicas do altar:

a) Lugar de reconciliação – no altar da cruz fomos reconciliados com Deus;
b) Lugar de crucificação – no altar da cruz Jesus foi o cordeiro imaculado;
c) Lugar de renúncia – no altar da cruz o crente deve renunciar suas vontades próprias;
d) Lugar de morte – no altar da cruz Jesus doou sua vida para ganhar a nossa;
e) Lugar de salvação – no altar da cruz Jesus conquistou a salvação eterna;
f) Lugar de pagamento – no altar da cruz Jesus riscou a cédula de acusação que era contra nós pagando a alta divida que Adão adquiriu no Éden.

Nota: A expressão “Altar do Holocausto” no Antigo Testamento e o termo “Cruz” no Novo Testamento, resumem todo o plano salvífico de Deus partindo das ofertas literais (que eram os animais) até se consumar com a perfeita oferta típica que foi o sacrifício de Jesus na cruz. Falar do altar e não se lembrar do sacrifício de Jesus é desconhecer a obra expiatória do filho de Deus no ‘altar de sangue’ chamado Gólgota (lugar da caveira ou da morte).

Para refletir: “Os que não praticam o que aprenderam logo desaprenderão o que sabem”. (Eneias S. Ribeiro)

Bibliografia
– Onde Encontrar na Bíblia – Geziel Gomes
– Dicionário Vine – W. E. Vine e Merrill F. Unger e William White Jr

– Concordância Bíblica Joshua – volume 4, de A a D, Oséias Gomes Oliveira
Leia também:
– Lição 1 –
Tabernáculo – Um lugar da habitação de Deus
– Lição 2 – Os Artesãos do Tabernáculo
– Lição 3 – Entrando no Tabernáculo: o Pátio
_____________________________________________________
Siga Seara News no Twitter, no Facebook e Instagram
“O primeiro portal cristão no Estado do Espírito Santo”

DEIXE UM COMENTÁRIO

Escreva seu comentário!
Por favor, digite seu nome