Nepotismo evangélico (uma prática reprovável)

Por Robson Aguiar

Nepotismo (do latim neposneto ou descendente) é o termo utilizado para designar o favorecimento de parentes (ou amigos próximos) em detrimento de pessoas mais qualificadas, especialmente no que diz respeito à nomeação ou elevação de cargos.

Originalmente a palavra aplicava-se exclusivamente ao âmbito das relações do papa com seus parentes (particularmente com o cardeal-sobrinho – (em latimcardinalis nepos; em italianocardinale nipote), mas atualmente é utilizado como sinónimo da concessão de privilégios ou cargos a parentes no funcionalismo público. Distingue-se do favoritismo simples, que não implica relações familiares com o favorecido.

Comento

É natural querer que nossos filhos sigam nossos passos no ministério da igreja, eu mesmo gostaria que isso acontecesse comigo, mas até onde devemos ir, e que meios podemos usar para que algo dessa natureza aconteça?

Sabemos que no governo secular algo dessa natureza só acontece no sistema monárquico com os reis e seus filhos, onde naturalmente o príncipe assume o trono na morte do pai (só que é tido como um processo legal e moral), mas o que dizer quando esse processo é copiado em ministérios e convenções de igrejas onde a eleição é que deveria definir quem assume os cargos de liderança?

Em alguns lugares, é considerado algo normal, mas seria honesto e cristão?  

Isso não tem a ver com competência administrativa ou ministerial, mas com o fato de alguns pastores se acharem donos da igreja, e do seu patrimônio e quererem que tudo fique na administração da família.

O intuito é muito claro, não perderem o status que conquistaram ao longo dos anos.

Mas sabemos que para toda regra existe exceção, eu por exemplo, conheço casos que a ascensão do filho do pastor aconteceu naturalmente, sem politicagem evangélica, mas por talento do garoto e dedicação, que cresceu dando frutos dentro da sua denominação, e quando foi consagrado e assumiu o cargo houve total aprovação dos membros.

Contudo, na maioria das vezes o que ocorre é uma estratégia planejada e executada pelo líder, que as vezes manipula, ameaça, assedia e impõe sua vontade diante dos que estão debaixo de sua vara. Por fim, consegue seu objetivo.

No Antigo Testamento Deus havia ordenado que o sacerdócio ficasse na casa de Levi, só que acabou o tempo dos sacerdotes levitas, agora notem que Jesus escolheu doze discípulos e nenhum deles era seu parente, só quando Cristo cumpriu a missão e ascendeu ao céu é que Tiago, o justo (irmão de Jesus) assumiu por indicação dos discípulos a direção da igreja de Jerusalém. (At 15.13)

Clemente, no livro VI das Hypotyposeis, adiciona o seguinte: “Porque -dizem – depois da ascensão do Salvador, Pedro, Tiago e João, mesmo tendo sido os preferidos do Salvador, não tomaram para si esta honra, mas elegeram como bispo de Jerusalém Tiago o Justo.”

Cesareia, Eusebio, História Eclesiástica, p.48, Rio de Janeiro, CPAD, 1999

Nos nossos dias parece que estamos seguindo na contramão da decência, da ética e da moralidade, enquanto lá fora o mundo tenta evitar essa vergonha e proíbe o nepotismo, aqui nós espiritualizamos, institucionalizamos e promovemos a prática do favorecimento ilícito.

Tempo de reflexão.

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